Proposta é que banco abra crédito de R$ 30 mil a R$ 40 mil para capital de giro das empresas
Proposta é que banco abra crédito de R$ 30 mil a R$ 40 mil para capital de giro das empresas

Presidente do Sebrae quer crédito para pequenas e micro empresas

Guilherme Afif Domingos se reúne com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para discutir a abertura de uma linha de crédito para atender o setor

Tânia Monteiro,

27 de janeiro de 2016 | 15h20

O ex-ministro das Micro e Pequenas Empresas, agora presidente do Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Guilherme Afif Domingos, se reúne com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para discutir a abertura de uma linha de crédito para atender o setor que representa. 

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Ele quer que o banco e seus agentes abram crédito de R$ 30 mil a R$ 40 mil para capital de giro das empresas, com juros anuais de 15% a 18%, que seria TJLP mais juros, como forma de ajudar a mover a economia, usando um segmento que representa 52% dos empregos do País. "Hoje não há crédito para este setor. TJLP sempre esteve disponível para os grandes, que tiveram subsídios e foram os que mais desempregaram", declarou Afif, em entrevista ao Estado. 

Guilherme Afif lembrou que pediu um estudo ao BNDES para saber o volume de crédito dado às empresas do Simples e a conclusão é que eles não emprestam para esta faixa que fatura até R$ 3,6 milhões ao ano. "Há um problema estrutural de crédito no País e olhar o pequeno é olhar a geração de emprego e renda", afirmou Afif, se queixando que "os principais bancos do País não querem repassar os recursos do BNDES para a massa porque o BNDES paga pouco spread". Ele lembrou que hoje, os pequenos só conseguem pegar empréstimos com 60% ao ano de juros, ou usam cheque especial ou cartão de crédito, que considera que "é juro de agiotagem puro". 

Afif vai pedir ainda a Luciano Coutinho a volta do cartão BNDES para que os pequenos possam comprar principalmente equipamentos para poderem crescer. "Além de não emprestar para os pequenos, os bancos pararam de operar também o cartão de crédito do BNDES também com a justificativa que não paga spread", reclamou. "Se querem emprego e renda, tem de abrir o bolso", desabafou ele, ensinando que, "mesmo em situação de crise, os pequenos negócios têm muito espaço e a empresas de reparo e manutenção estão em alta porque ninguém tem dinheiro pra comprar o novo". 

O presidente do Sebrae não soube precisar quanto poderia ser disponibilizado pelos bancos para este segmento e nem se, dos R$ 50 bilhões que o governo pretende anunciar nesta quinta-feira no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, para ajudar a reativar a economia, terá uma parcela para os pequenos e micro. "Quem segura a ponta dos empregos são os pequenos. Não é favor ter esse crédito, que pode ser um oxigênio imediato para a economia", avisou. Depois de se reunir com Afif ,o presidente do BNDES estará no Planalto com o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Afif está confiante de obter sucesso na sua empreitada porque disse que a presidente Dilma reconhece a importância do setor e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse estar se empenhando junto ao BNDES para disponibilizar recursos para este setor.

Para derrubar a resistência dos grandes bancos de que os pequenos não dão garantias de pagamentos, Afif Domingos lembrou que o Sebrae tem um Fundo Garantidor com R$ 700 milhões, que pode alavancar em até oito vezes este valor em empréstimos, ou seja, permitindo R$ 5,6 bilhões em financiamentos. Deste total, apenas cerca de R$ 2 bilhões estão comprometidos. Ou seja, ainda tem um limite para garantia de crédito de mais de R$ 3 bilhões. 

"Toda esta operação para financiar os pequenos pode ajudar a segurar as pontas dos empregos. No curto prazo, pode ser determinante para ajudar a desempregar menos e não desempregar mais", comentou. Afif comemorou ainda que, pela primeira vez, o Sebrae estará sentado no Conselhão. Até agora, lembrou, só os grandes empresários estavam representados. "Todos são importantes. Mas, neste momento, os pequenos são mais", declarou. 45 grandes empresários estão sentados no Conselhão que tem cerca de 90 integrantes.

Afif foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Conselho Deliberativo do Bem Mais Simples, que tem seis ministros efetivos, para cuidar da desburocratização e melhorar o ambiente de negócios, ajudando à recuperação econômica do País. O empenho da presidente Dilma na defesa do projeto que ele defende está traduzido no seu prestígio no Planalto. Guilherme Afif tem agora uma sala no quarto andar no Palácio do Planalto, onde funcionava o gabinete do ministro de Relações Institucionais, para desenvolver as atividades do Conselho do Bem mais simples e tocar estes projetos que possam ajudar o governo, neste momento de crise econômica. Este conselho, quer levar as ideias bem sucedidas do Simples para outros segmentos da economia. Ao falar da importância do setor, Afif lembrou que ele representa "a economia real" porque, em todas as cidades do País tem pequenas empresas, e com muito menos frequência, as médias e grandes.

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