Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Presidente da Even afirma que negocia bem quem conversa; confira dicas para você empreender

Carlos Terepins, criador da incorporadora Even, respondeu dúvidas de pequenos empresários durante o Encontro PME

Renato Jakitas, Estadão PME,

20 de dezembro de 2013 | 07h00

Carlos Terepins ganha a vida no canteiro de obras. Mas é na base da conversa – entabulada sem muita pressa com seus gestores – que ele consolida pouco a pouco a posição da incorporadora Even, companhia que nasceu em 2002 após a fusão da ABC Investimentos com a Terepins & Kalili. O negócio atualmente é um dos mais bem-sucedidos do segmento no País.

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Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) na década de 1970, ele administra uma empresa que nasceu pequena, como alternativa a um mercado de trabalho sem muitos atrativos naquela época. O negócio hoje conta com 1,8 mil empregados, contabiliza 87 empreendimentos lançados e, desde 2007, atua capitalizado pela oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) realizada na Bolsa de Valores.

“Negocia bem quem conversa. E uma boa conversa significa falar, mas também saber escutar”, afirmou Terepins a uma plateia de pequenos e médios empreendedores durante o Encontro Estadão PME.

O empresário defende o esforço de gestão como busca prioritária em sua carreira e afirma que o diálogo com sócios, fornecedores, executivos e clientes deve acompanhar a rotina do homem de negócios. “Um amigo que é CEO de uma grande empresa disse-me há sete, oito anos: ‘anota ai, quando tua companhia for grande, você vai gastar mais de 50% do tempo administrando pessoas’. Eu sou organizado. Se forem olhar minha mesa, ela quase não tem papel. Mas aí, quando eu chego em casa, às vezes falta a voz.”

Ouvido atento

Nesse sentido, Carlos Terepins explica que chegou a enfrentar desafios para implementar o seu ritmo de gestão com a própria equipe. “Fui criticado há alguns anos, por executivos da companhia, por demorar a decidir. Mas eu na verdade queria escutar o que eles falavam. E esse é meu processo. Traga os interlocutores de confiança e de qualidade, mas permita a eles esporem os raciocínios até o final. Daí é tempo de começar o processo de mastigar e tomar uma decisão”, destaca ele, que atualmente ocupa os cargos de diretor-presidente e presidente do Conselho de Administração da Even.

Valores e motivação

Outro momento difícil lembrado pelo empresário em sua relação com a equipe de colaboradores envolveu a implementação, em 2005, do programa de sustentabilidade e responsabilidade social da incorporadora, hoje celebrado por Carlos Terepins como um dos principais ativos na consolidação da marca.

“Criamos um comitê com os diretores da empresa e foi duríssimo”, lembra. “Embora os diretores tenham em média 15 a 20 anos a menos do que eu, havia uma refração muito grande. Eles estavam mais interessados em crescimento, vendas, bônus e consideram esses assuntos (de sustentabilidade) marginais. Assunto que dá trabalho, mas não dá dinheiro. Havia todo um preconceito em relação a essa temática”, revelou.

"Sustentabilidade, para nós, não é plantar árvore, é todo um conjunto de práticas, uma cadeia de valores”, explicou. A questão, realmente, é prioridade para o empreendedor. “Quando você abre o jornal é quase desolador. Desde as brigas de torcida, aos arrastões, concorrências viciadas e o sobre custo de obras públicas. Eu tenho a percepção de que uma empresa que é coerente e sustentável passa, inclusive, a ser um abrigo em relação a esse ambiente”, concluiu.

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