Sergio Neves/AE
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Preço dos alimentos perde força e inflação começa a recuar

IPCA ficou em 0,43% em outubro; em 12 meses, taxa de inflação foi de 6,97%, a 1ª desaceleração nessa ótica desde agosto de 2010

Daniela Amorim, Agência Estado,

11 de novembro de 2011 | 20h08

Após ter tido uma falha no site divulgando antecipadamente parte dos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em outubro, o IBGE informou nesta sexta-feira que a inflação oficial acumulou alta de 5,43% no ano.

A taxa de inflação acumulada nos 12 meses encerrados em outubro enfim deu uma trégua, desacelerando de 7,31% em setembro para 6,97% em outubro. O índice mensal ficou em 0,43%.

"Essa é a primeira desaceleração na ótica de 12 meses desde agosto de 2010", disse Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional.

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Outubro

Também contribuiu para a alta de 0,43% do IPCA em outubro o resultado menor para os alimentos em outubro, de 0,56% ante 0,64% em setembro. Essa diminuição causou impacto de 0,13 ponto porcentual no indicador cheio, abaixo do 0,15 do mês anterior. Entre os principais produtos que contribuíram para este comportamento, destacam-se leite (de 2,47% para 0,05%), frango inteiro (de 2,94% para -0,05%) e feijão carioca (de 6,14% para -1,88%).

As passagens aéreas tiveram variação menos acelerada em outubro ante setembro, mas continuaram a exercer o principal impacto no IPCA no mês passado, com 0,06 ponto porcentual. O grupo transportes subiu 0,48% em outubro, ante 0,78% em setembro, segundo o IBGE.

Para viagens em outubro, os voos disponíveis subiram, em média, 14,26% em relação à média daqueles que foram disponibilizados para viagens em setembro, quando a alta chegou a 23,40%. O resultado do grupo foi influenciado também pelos combustíveis (de 0,69% para 0,10%), com o preço do litro do etanol indo dos 3,01% de setembro para uma queda de 0,36%, enquanto o litro da gasolina apresentou variação bem menor, indo de 0,51% para 0,17%.

As despesas com habitação também subiram menos: 0,62% ante 0,71% em setembro. Taxa de água e esgoto passou de 1,19% para 0,86%, aluguel, de 0,92% para 0,80%, e energia elétrica, de 0,55% para 0,40%.

O item empregados domésticos, cuja variação havia atingido 1,00% em setembro, reduziu para 0,10% em outubro dentro do grupo despesas pessoais, que subiu 0,22% ante 0,53% no mês anterior. Já os artigos de vestuário avançaram 0,74% em outubro, ligeiramente abaixo do 0,80% de setembro.

Regiões

Porto Alegre teve a maior inflação entre os 11 locais pesquisados pelo IBGE. A alta de 0,98% foi influenciada, principalmente, pelo aumento de 1,16% na tarifa de energia elétrica. As tarifas foram reajustadas em 7,60% a partir de 26 de outubro na região. Além disso, houve pressão de aumento em condomínio (4,46%) e gasolina (4,64%).

A menor variação foi a de Salvador (0,00%), que teve estabilidade devido à queda de 0,22% no grupo Alimentação e Bebidas. O IPCA ficou em 0,67% em Brasília, 0,53% em Curitiba, 0,51% em Belo Horizonte, 0,46% em Fortaleza, 0,43% no Rio de Janeiro, 0,38% em São Paulo, 0,31% em Goiânia, 0,17% em Belém e 0,05% no Recife.

Vazamento

O IBGE foi informado sobre o vazamento das informações sobre o IPCA de outubro, INCC de outubro e emprego industrial de setembro, que seriam divulgadas na manhã de hoje, às 17h38 de ontem. Segundo a direção do centro de Documentação e Disseminação de Informações, um jornalista percebeu o erro e alertou o instituto.

O problema foi causado por uma falha no sistema do banco de dados do IBGE, que passou por uma mudança entre abril e maio deste ano. O sistema permitiu vazamento dos títulos dos releases das três divulgações, porém, a íntegra e os resumos dos textos foram preservados.

A alteração no sistema pode também ter deixado alguns dados de divulgações disponíveis para consulta ao longo de quatro meses. Durante a mudança no sistema de divulgação dos dados, ficou "esquecida" no site do IBGE uma gaveta chamada RSS, onde eram armazenados os releases das divulgações do dia seguinte.

O IBGE informou que recebeu os releases às 17h10 de ontem, e que levou até 20 minutos para retirar os textos do ar, o que teria ocorrido até 17h58.

Desde junho, a gaveta onde ficavam armazenados os releases com os resultados das pesquisas estruturais e conjunturais foi visitada por 1.200 pessoas. Durante o dia de ontem, quando houve informação do vazamento dos dados do IPCA, foram registradas 20 visitas.

"Eu não entendo isso como vazamento, mas sim, a informação estava disponível a partir do momento em que ela era publicada. O arquivo estava disponível para quem quisesse consultar, seja às 17 horas, 17h30 ou 18 horas", disse Ian Nunes, gerente do Centro de Documentação e Disseminação de Informações. 

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