Fabio Motta/AE
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Preço atrapalha, mas alimentação saudável deve chegar até a classe C

Custos de empresas do setor são mais altos, o que dificulta a popularização dos 'pratos verdes'

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

25 de janeiro de 2012 | 06h31

 O preço é o principal entrave para que a comida saudável se popularize no País. Empresários do setor relatam que, por utilizarem alimentos frescos e perecíveis, seus custos são mais altos e a logística, mais complexa. Daí os pratos serem mais caros.

“Comer fora está muito caro de forma geral”, observa Lívia Barbosa, coordenadora do Centro de Altos Estudos da ESPM, que realizou recentemente pesquisa sobre hábitos alimentares com três mil pessoas de várias classes sociais. “Por isso, mesmo os consumidores da classe ‘AAA’ questionam se devem pagar 120% a mais por um vegetal orgânico, em vez de consumir o produto mais barato”, comenta a pesquisadora, revelando que a população de baixa renda tem hábitos alimentares menos saudáveis. “As pessoas das classes C e D são as que consomem mais frituras”, conclui.

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Embora exista uma preocupação crescente com alimentação saudável no Brasil, os níveis de obesidade no País não param de subir. O excesso de peso já atinge metade da população adulta – uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos também pode ser considerada obesa. E um quinto dos adolescentes do País está acima do peso ideal. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.

De acordo com especialistas, o desenvolvimento econômico ajuda a explicar esses índices. Com o aumento da renda, as famílias podem destinar mais recursos à alimentação e com isso incrementam sua dieta. Assim, os brasileiros engordam – em especial nas classes sociais mais baixas. O mesmo fenômeno já foi observado em outros países emergentes.

“Quem não comia nada e passou a ter condições de se alimentar não está preocupado com comida saudável. Essas pessoas ainda estão em outro momento”, avalia Ricardo Daumas, diretor de foodservice da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza. “Leva tempo até que se informem, se aculturem e mudem para um padrão melhor de alimentação.”

Por tudo isso, a maioria dos negócios que apostam em culinária saudável são voltados para consumidores das classes A e B. Hoje, metade dos recursos que este público destina à alimentação corresponde a gastos com refeições fora do lar, aponta o IBGE – porcentual semelhante ao padrão europeu. Entre todas as classes sociais, entretanto, as refeições fora de casa consomem 29% dos recursos com comida.

Mas especialistas avaliam que não deve demorar para que as classes mais baixas passem a se interessar pela culinária saudável e destinem parte da sua renda para este tipo de refeição. É por isso que também existem negócios que, desde já, apostam no crescimento das vendas para este público no País. É o caso da Verdano.

A empresa, que faz parte do Grupo Mundo Verde, foi formatada como um sistema de franquias que oferece alimentação rápida e saudável aos consumidores – o “fresh-food”, como define João Penna, diretor da rede.  Atualmente, a empresa tem como foco os consumidores com maior poder financeiro, mas o executivo já enxerga potencial no mercado para conquistar outros públicos.

A primeira unidade da Verdano funciona no centro do Rio de Janeiro, em uma área cercada por empresas. Mas Penna admite que negocia com um shopping de perfil mais popular, frequentado por muitos consumidores da classe C. “Tenho certeza que a loja neste shopping será um sucesso”, avalia o empresário. “O nosso tícket médio é relativamente baixo (R$ 19,50) e nossos pratos têm apelo de saúde e sabor que chamam a atenção desse público”, analisa.

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