Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Porto Digital cria núcleo especial para fomentar a economia criativa

Centro de inovação tecnológica no Recife recebe R$ 12 milhões para desenvolver a economia criativa

Raissa Ebrahim, especial para o Estado,

02 de agosto de 2013 | 19h00

O Porto Digital, referência na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e que, na última década, firmou o Recife como um dos principais polos de inovação do Brasil, se prepara para inaugurar, em 12 de agosto, um núcleo de economia criativa. Chamada Porto Mídia, a plataforma será exclusiva para o segmento de pequenas e médias empresas especializado em transformar criações em produtos e serviços.

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Seis grandes áreas serão contempladas: games, multimídia, cine, vídeo e animação, design, fotografia e música. O Porto Mídia promete alavancar e internacionalizar a indústria criativa por meio de um ecossistema empresarial robusto e sustentável. Para traçar esse caminho, a iniciativa foi dividida em quatro módulos: educação, empreendedorismo, experimentação e exibição.

Pessoas de qualquer parte do Brasil interessadas em incubar projetos, estudar, exibir trabalhos e usar estúdios e laboratórios poderão se inscrever para fazer parte do núcleo. De acordo com o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya, a ideia é estruturar a cidade para ser referência na economia criativa e proporcionar oportunidades para que ninguém precise sair do Recife para produzir e se especializar. O Porto Mídia recebeu R$ 12 milhões em investimento – o dinheiro foi usado na compra de equipamentos e do imóvel onde a iniciativa funcionará.

Com 12 anos de operação, o Porto Digital, localizado no centro histórico da capital pernambucana, reúne 250 empresas e emprega 7,1 mil pessoas. Com faturamento anual de R$ 1 bilhão, possui várias ações e cases de sucesso, principalmente na área de fabricação de software e desenvolvimento de games.

Módulos. A área de experimentação é a menina dos olhos do Porto Mídia. Ela terá estúdios, laboratórios e sala de finalização de som e imagem com equipamentos de última geração – um exemplo é o sistema de correção de cor Baselight 4, usado por grandes estúdios como Universal e Pixar. Nas salas de aula, equipadas com iMacs e projetores, profissionais locais e de outras regiões irão ministrar cerca de 60 disciplinas diferentes. Na grade, além dos conteúdos específicos, serão abordados assuntos mais gerais, como gestão cultural e de projetos.

A aposta na área de empreendedorismo é a incubadora de negócios criativos, que entrou em operação no primeiro semestre deste ano com nove negócios em desenvolvimento. Uma startup pode ficar incubada por até 18 meses, segundo as regras do programa. No ano que vem, um novo edital será lançado para abrigar novos projetos.

O Porto Mídia inaugura a segunda fase do Porto Digital, que se confunde com a história econômica da região. As portas serão abertas num momento em que o governo de Pernambuco, juntamente com as prefeituras de Olinda e do Recife, estrutura a criação do cluster metropolitano de negócios criativos.

Centros de desenvolvimento e as empresas precisam melhorar

O currículo do Porto Digital tem várias histórias de sucesso, mas, na visão de especialistas, falta ainda criar um ecossistema empresarial mais dinâmico e sólido, voltado para o desenvolvimento de plataformas globais e baseado numa arquitetura de negócios melhor estruturada. Esses são gaps que, na verdade, permeiam boa parte dos parques tecnológicos brasileiros. O Vale do Silício, nos Estados Unidos, é tido como referência mundial exatamente por ter conseguido crescer com base nesses conceitos.

Na avaliação de José Carlos Cavalcanti, professor de economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e conselheiro-fundador do Porto, os negócios precisam, por exemplo, estar mais conectados à academia e com áreas como publicidade e direito.

Dessa forma, seria possível produzir plataformas de produtos globais, que unissem o mercado de consumidores e desenvolvedores e o circuito de serviços. Além disso, é preciso ter uma arquitetura de negócios bem estruturados, em que todos saibam o que produzir e ganhar. O consultor e secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco na época da fundação do Porto Digital, Cláudio Marinho, também pondera que é preciso, agora, pensar os próximos 10 anos da iniciativa.

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