Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Plano de negócios ajuda empresa a conquistar grandes clientes

Jovem empresa mineira repensou sua estratégia após elaborar um plano de negócios, que ajudou o negócio a prosperar

Renato Jakitas, Estadão PME,

03 de janeiro de 2012 | 07h30

Ter uma boa ideia é o primeiro passo para montar um negócio próprio. Mas sem planejamento, é bem difícil que o empreendimento siga adiante. Os donos da mineira Tempero Mídia sabem bem disso. Ainda na universidade, eles planejaram uma empresa que, julgavam, seria imbatível. Mas, antes de tirar o projeto do papel, resolveram encarar as aulas sobre plano de negócios da faculdade como uma espécie de revisão final. Foi o estopim para uma revolução.

Em seis meses, tempo de duração do curso, eles foram obrigados a recuar e repensar o projeto inicial – do foco de atuação ao modelo de gestão. Um processo trabalhoso, mas hoje muito comemorado. Em apenas três anos de atividade, a empresa orgulha-se de já trabalhar para gigantes como Coca-Cola e Souza Cruz, mantém escritórios em Belo Horizonte, São Paulo e, no ano que vem, também no Rio de Janeiro.

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“A gente não imaginava o quanto teríamos de revolucionar nosso projeto. Mas, basicamente, apenas analisando custos, concorrência e demanda, abandonamos algo que era uma espécie de Elemidia (empresa de mídia digital) para supermercados e montamos uma empresa que sinalização digital para ponto de venda, sendo a única no País que atua com mídia olfativa digital, divulgando a essência do produto dentro do ponto de venda”, conta Bernardo Dinardi, um dos três sócios da empresa.

Quem gosta de repetir o exemplo dos empreendedores mineiros é o professor de administração do Ibmec, João Bonomo. Não à toa, foi ele quem orientou os rapazes na época da faculdade. E, para Bonomo, é assim que deve ser encarado o processo de montagem do plano de negócio – um período em que o empreendedor reflete profundamente sobre os pontos fortes e fracos da empreitada.

“É necessário fazer um estudo de mercado. Saber se há pessoas dispostas a pagar pelo produto ou serviço que você está vendendo. Entender que preços os clientes querem pagar. Perguntar-se: qual o tamanho potencial do meu mercado? Ele é suficiente para remunerar a operação?”, sugere o professor.

Para Bonomo, é importante passar pelo plano de negócios antes de começar a empresa. Mas torna-se fundamental não terminá-lo jamais. “Na verdade, o plano é algo que precisa ser periodicamente revistado, conforme passa o tempo e surgem novas realidades”, analisa.

Carlos Eduardo Negrao Bizzotto é fundador do Instituto Gene, incubadora de empresas em Santa Catarina, e autor do livro Plano de Negócios para Empreendimentos Inovadores, da Editora Atlas. O especialista concorda com o professor do Ibmec – o plano de negócios nunca se encerra. Mas ele vai além: tudo precisa ser estruturado antes do início das operações no mercado. “Mergulhar no empreendedorismo sem fazer o planejamento necessário é apontado como uma das principais causas da falência de muitos negócios logo nos primeiros anos de existência”, lembra.

Bizzotto, entretanto, ressalta a pouca atenção que os empreendedores brasileiros dedicam ao assunto. “A maioria dos empresários não fizeram o plano de negócios nem uma vez, que dirá, periodicamente, todo ano. Isso é uma pena. De uma boa empresa, espera-se inovação. E, para que isso tudo dê certo, o plano de negócio será uma bússola na tomada de decisões durante todo o processo”, destaca.

O principal motivo dessa falta de interesse do empresariado pelo planejamento está, apontam os especialistas, na simples falta de conhecimento do empreendedor sobre o assunto. “Existem cursos e consultores especializados no assunto que auxiliam o empresário a preparar seu plano de negócio. O dono de empresa pode e deve procurar ajuda”, conclui Bonomo.

Peça ajuda

Não delegue - Por definir processos estratégicos dentro da empresa, o plano de negócio não é algo a ser delegado, mas requer a participação ativa do empreendedor. Há no mercado uma série de profissionais especializados em prestar consultoria nessa tarefa. 

Baixo custo - Se o empresário não tem muito dinheiro disponível para contratar uma consultoria, pode procurar ajuda nas faculdades de negócios que possuem programas de desenvolvimento do empreendedorismo.

Busque na rede -Vale a pena pesquisar na internet algumas opções. Em São Paulo, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) tem a FEA júnior e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) mantém a ESPM Jr. No Rio de Janeiro, a dica é a PUC e a UFRJ e, em Belo Horizonte, o Ibmec.

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