Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Planejamento para 2015 deve considerar alta de preços de combustíveis e política externa

Economistas destacam eventos esperados que podem impactar nas pequenas e médias empresas

BRUNO DE OLIVEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO,

23 de dezembro de 2014 | 08h28

Estagnação, onda de demissões e reajuste no preço de insumos. Esse é o cenário esperado pelo mercado para 2015, um período onde muitas empresas, sobretudo os pequenos e médios negócios, terão de ajustar as contas para superarem os efeitos de uma economia que deixou de crescer nos últimos anos.

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Para as empresas que já começaram a traçar metas para os próximos doze meses com o objetivo de minimizar o impacto do panorama adverso, especialistas apontam eventos que atingem diretamente as PME e que, por isso, devem ser levados em consideração no desenho de um eventual plano de contingência.

O primeiro é a inflação dos preços controlados pelo governo, como o valor do litro da gasolina e o custo da energia elétrica. Para 2015, a expectativa é de que as tarifas aumentem cerca de 7% em relação aos preços praticados em 2014. Por ter represado os valores por muito tempo, o governo terá de fazer reajustes para tentar melhorar a economia.

"Quem sofre mais são as pequenas e médias empresas, que perderão competitividade no mercado por ter de repassar o ajuste no preço final ou diminuir as margens de lucros", explica Paulo Feldmann, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). "O governo poderia discutir medidas para proteger o setor porque são as PME que absorvem desempregados e jovens recém-formados", completa.

A elevação da taxa de juros dos EUA, prevista no cronograma do Federal Reserve (sistema que engloba os bancos centrais daquele país) vai impactar na alta do câmbio e nos juros brasileiros. Isso, na prática, aumentará o valor do dólar e pode prejudicar empresas que trabalham com importações ou aquelas que contraíram alguma dívida na moeda norte-americana.

"Máquinas e equipamentos costumam ser cotado em dólar. As empresas que possuem compromissos financeiros longos nesta moeda podem ter de pagar um valor maior do que o inicial. Além desses casos, empresas que trabalham importando produtos também vão sofrer com o dólar alto", conclui Feldmann.

O desaquecimento do mercado chinês também é destacado por especialistas como um evento que vai afetar a operação de pequenos e médios negócios que tem fornecedores e clientes na China.

Segundo comunicado recente divulgado pela agência de classificação de risco Fitch, o baixo desempenho da economia chinesa 'irá se manifestar em crescimento real do PIB mais lento tanto na China quanto em seus parceiros comerciais, incluindo exportadores de commodities que não petróleo em mercados emergentes.'

"Não são muitas as pequenas e médias empresas que trabalham com exportação, mas as que atuam neste mercado ou possuem algum tipo de relação comercial com o país, principalmente quem atua no varejo, vai encontrar dificuldades em 2015", conta João Ricardo Costa Filho, consultor de macroeconomia da Pezco Microanalysis.

Quem tem relações comerciais com a vizinha Argentina, importante parceiro comercial do Brasil na América do Sul, também vai enfrentar momentos difíceis em 2015. O consultor sinaliza como prejudicial às empresas brasileiras o fato de o país estar reforçando sua política econômica protecionista em relação ao demais parceiros da região.

"Vai ficar difícil comercializar com a Argentina. O país tem protegido sua economia cada vez mais nos últimos anos e pode ser que empresas brasileiras que dependem do trigo argentino, por exemplo, sofram com a importação", completa Costa Filho.

Por último, o consultor destaca a possibilidade de a economia brasileira ser rebaixada pelas agências de classificação de risco, como a Fitch e a Standard & Poor's. Caso isso aconteça, em função da política econômica que a nova administração federal for adotar, os bancos vão restringir o crédito no país.

"Além de restringir o crédito, ele ficará mais caro porque a demanda não terá robustez para que as empresas consigam pagar as linhas de crédito em prazos interessantes às instituições financeiras", conclui. 

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