Larissa Marques
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Pets em alta na pandemia fazem crescer negócios de saúde veterinária

Adoções aumentam no isolamento social e donos buscam ajuda para cuidados médicos; Sebrae vê crescimento de 36% em novos pequenos negócios do segmento pet neste ano

Marcos Leandro, Especial para o Estadão

23 de novembro de 2021 | 17h00

Em janeiro deste ano, Thálita Custódio, de 34 anos, conheceu e adotou Duda Maria, uma cachorra sem raça definida, assim como outros tantos brasileiros que adotaram pets para aplacar os efeitos do isolamento social. Pesquisa realizada pelas empresas DogHero e Petlove revelou que 54% dos entrevistados adotaram um bicho de estimação durante a pandemia.

Pouco tempo depois, porém, Thálita descobriu que Duda precisaria passar por uma cirurgia no intestino. A ONG responsável pela adoção cobriu parte dos custos, mas ela teve que pagar a anestesia e alguns medicamentos - em torno de R$ 500. Deu tudo certo, mas a preocupação fez com que ela começasse a pesquisar por planos de saúde para sua companheira, para evitar gastos inesperados. “É um susto, a gente não espera. É como um adulto quando fica doente. Sem plano para cobrir fica complicado.”

Segundo dados do Instituto Pet Brasil, em 2020, o mercado pet brasileiro faturou R$ 40,1 bilhões, um aumento de 13,6% em relação a 2019. Apenas o atendimento veterinário foi responsável por 9,4% desse valor. Empresas que oferecem planos de saúde para cães e gatos, como é o caso da Plamev Pet, registraram um crescimento significativo nesse período. No ano passado, a companhia teve faturamento de R$ 5 milhões, 500% a mais na comparação com o ano anterior. 

A empresa oferece diferentes tipos de planos de saúde que vão de R$ 29,01 a R$ 404,94, de acordo com cobertura, carência e periodicidade. “Durante a pandemia, com as pessoas sozinhas em casa, elas começaram a perceber mais os seus animais de estimação. Por isso, houve um aumento no mercado, não só de rações e brinquedos, mas também de cuidados. As pessoas começaram a levar mais seus pets ao veterinário”, afirma o empreendedor Pedro Svacina, CEO da Plamev Pet.

De acordo com a idade e a raça, a Plamev consegue indicar o plano que melhor se adapta às necessidades do animal. Para quem quer gastar menos, existe um produto mais simples, por R$ 14,99, que oferece assistência telefônica com profissionais. “O objetivo é ajudar em uma mudança cultural. Quando a gente coloca um plano baratinho, o cliente começa a ter a consciência de que precisa cuidar mais e melhor do pet dele”, explica. 

As vendas acontecem por meio de televendas, corretores, canais digitais e parcerias com pet shops e veterinários. “No nosso modelo de negócio, além de ter uma comissão da venda, também tem uma remuneração recorrente. Então parte do meu ganho eu repasso para quem trouxe o cliente para nós, durante toda a permanência dele no plano.” Qualquer pessoa pode se tornar um corretor, basta apenas passar por um treinamento. 

Os planos possuem cobertura nacional, por meio de convênios com clínicas. Segundo Svacina, todos os meses, em média, 80 novas clínicas e hospitais passam a aceitar os planos da Plamev Pet. Além disso, o produto pode ser usado fora do País, com o sistema de reembolso. A empresa hoje é a segunda maior do setor, ficando atrás da Porto Pet, da Porto Seguro. Números de clientes não são divulgados, mas a previsão é fechar 2021 com faturamento de R$ 10 milhões, o dobro do ano passado. 

Negócios nascidos durante a pandemia

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV aponta que o setor pet registrou uma das menores quedas durante a pandemia, principalmente por conta do isolamento social e do aumento na adoção de home office. Outro levantamento do Sebrae, com base em dados da Receita Federal, mostra que, no primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 36% de micro e pequenas empresas nesse segmento frente ao mesmo período do ano passado. 

Os empresários Ana Luisa Seleme e Alexandre Berger também resolveram investir no segmento. Há quatro meses, eles criaram a Petwell, plano de saúde 100% digital. “Para fazer o nosso plano, o tutor entra no site e preenche algumas informações como perfil do pet, região onde mora e porcentual de reembolso. Com base nisso, ele tem um preço personalizado”, explica Ana, segundo quem o valor fica em média de R$ 120 a R$ 175.

A Petwell não trabalha com rede credenciada, então o tutor pode levar o animal a qualquer clínica veterinária. O diferencial da empresa é o uso da tecnologia para facilitar essa devolução de parte do dinheiro gasto. “O cliente só precisa enviar a nota fiscal e o relatório médico pelo nosso aplicativo, que serão analisados por um sistema, e o reembolso acontece em até cinco dias úteis.” O plano também oferece descontos em produtos e lojas parceiras. Atualmente, a empresa já tem 180 vidas e pretende fechar o ano com 250. Para 2022, a meta é 3 mil vidas. 

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“Nós nos autodenominamos uma empresa de tecnologia focada na saúde animal”, diz Alexandre. A ideia é que o aplicativo fique cada vez mais robusto e consiga facilitar a vida dos tutores, uma espécie de super app de saúde e bem estar para pets. “Dentro de uma linha de consumo do animal, vamos conseguir direcioná-lo, por exemplo, para uma loja de suplementos ou uma farmácia de manipulação”. Ou seja, todos os dados do pet presentes no aplicativo, como consultas, exames e compras, servirão para esses direcionamentos.

Outro plano de saúde recente é a Au!Happy, do Grupo First, que foi criado no mês passado. “Já temos uma experiência na área da saúde humana, e percebemos a movimentação exponencial no setor pet”, conta Rodrigo Felipe, presidente do Grupo First e sócio diretor da Au!Happy. 

Apesar da abertura recente, a empresa contava com uma fila de espera para a contratação do serviço e os resultados já têm superado as expectativas. “Acreditamos que o fortalecimento desse segmento e os investimentos que fizemos para o lançamento do plano contribuíram muito para os resultados positivos.”

Ao todo, são três planos que variam de R$ 50 a R$ 120 e funcionam por convênio, sem sistema de reembolso. Além das consultas de rotinas, os pets têm direito também a hospedagem em hotel, enquanto os donos estiverem impossibilitados de cuidar deles. No operacional, a empresa já conta com mais de 250 funcionários divididos em áreas como call center, vendas, marketing e outras.

“Acreditamos que até o final de junho teremos um aumento de 150% da mão de obra atuante, o que nos possibilitará uma maior margem de negócios e de vidas acolhidas.”

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