JF DIORIO/ESTADÃO
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Pesquisa inédita mostra pequenos empresários com dificuldade para encontrar cliente e dinheiro

Falta de preparação se traduz em dificuldades para conseguir clientes e capital de giro, aponta levantamento do Sebrae

Marcelo Osakabe,

31 de julho de 2014 | 07h50

A analista de projetos Vanessa Nunes sempre conciliou o trabalho com um negócio paralelo, a venda de bolsas para amigas e conhecidas. Ao final de sua licença-maternidade e há três meses do Natal, ela decidiu investir no empreendedorismo – abriu uma loja no centrinho comercial do seu bairro, na zona norte de São Paulo. 

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“Vendi bem na primeira semana. Nas três semanas seguintes não vendi nada e terminei dezembro vendendo menos que no primeiro mês”, lembra. “Percebi que ganhava mais trabalhando como antes do que com um endereço fixo. Fechei a loja com três meses de vida.”

A história de Vanessa é parecida com a de muitas outras empresas que fecham as portas prematuramente. Segundo pesquisa do Sebrae-SP divulgada com exclusividade pelo Estadão PME, os principais problemas que os negócios enfrentam, no primeiro ano de atividades, são a dificuldade em formar uma carteira de clientes e a falta de capital de giro ou lucro.

“O primeiro ano é a prova de fogo. De certa forma, temos como capturar os próximos anos da empresa olhando para ele. Quanto mais dificuldades se encontra, mais visível fica a falta de planejamento”, afirma o coordenador de pesquisas do Sebrae-SP, Marcelo Moreira.

A pesquisa do Sebrae-SP entrevistou 2008 empresários e microempreendedores individuais (MEI) registrados entre 2007 e 2011. No levantamento, 71% deles relataram dificuldades no primeiro ano. Desses, 22% tiveram obstáculos com a carteira de clientes e 14% sofreram com a falta de capital de giro ou lucro à disposição. Problemas de administração, burocracia e mão de obra ficaram em terceiro lugar no ranking.

 (clique para ampliar)

Segundo Moreira, todos esses itens demonstram falta de planejamento prévio. “Se você abre um negócio antes de saber quem é o seu cliente, por onde ele circula, é bem capaz que erre a localização. A falta de capital de giro ou lucro, por outro lado, demonstra um problema de gestão e também de planejamento, porque você pode acabar abrindo um negócio antes de descobrir onde conseguirá esse capital de giro ou ainda acabar gastando todo o dinheiro de forma incorreta”.

É o caso de Eliane Nóbrega, atualmente dona de uma demolidora. Eliane decidiu montar uma serralheria para aproveitar a experiência do pai no segmento. Da ideia até o primeiro dia de trabalho, foram 60 dias. Mas uma doença o retirou da dianteira do negócio e a empresária sofreu em um mercado que conhecia pouco. Além disso, Eliane usou praticamente todo o capital à disposição para comprar material. “Não pensei nas outras despesas da empresa, como o aluguel do espaço, os funcionários. E os bancos não ajudam empresa com menos de dois anos de vida”.

Dono de um empreendimento de fotografia que trabalha com casamentos, Letacio Bezerra decidiu abrir dois outros negócios: uma marcenaria para produzir as molduras para as fotos e uma encadernadora que fizesse os álbuns. O empresário avaliou que já era bem conhecido em Osasco, cidade onde trabalha, e acreditava que poderia conseguir clientes entre seus colegas de profissão.

Mas o problema, para ele, foi de gestão. “Quando você vai trabalhar com mais pessoas tem que saber acompanhar, criar processos, medidores e outras ferramentas. Eu não sabia lidar com tanta gente, tinha medo de delegar”, afirma Bezerra.

Um ano e meio depois, o resultado foi R$ 600 mil de prejuízo. E isso quase acabou com as três empresas. “Atrapalhei o que já estava dando certo, tive que me reorganizar para salvar o que eu tenho hoje.”

Por essas e outras histórias, e também por conta dos indicadores da economia, Moreira recomenda cada vez mais planejamento. “Mais do que nunca, é voltar para as planilhas de gastos. O comportamento empreendedor sozinho já não te leva a lugar nenhum.”

Preste atenção

Planejamento é bom, mas não é tudo - gestão empresarial e comportamento empreendedor também são pontos de atenção.

1. Inove

Empresas que frequentemente aperfeiçoam produtos e serviços e estão em dia com as tecnologias tendem a sobreviver por mais tempo.

2. Custos

Calcule detalhadamente o custo dos produtos e procure fornecedores com qualidade e preço. Acompanhe rigorosamente receitas e despesas.

3. Diferencial

empresas que procuram diferenciar seus produtos têm mais sucesso que aquelas que tentam competir apenas por meio do menor preço.

4. Informe-se

Procure se antecipar aos fatos buscando informações. Conversar com clientes, bancos, fornecedores e governo aumenta suas chances.

5. Objetivos

Crie uma meta para definir onde você quer chegar. Faça um plano de ações definindo o passo a passo da operação que você administra.

6.Acredite

Quem se deu bem acredita na sua capacidade e sacrifica-se para atingir seus objetivos. Mas também prefere perseguir riscos moderados. 

 

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