Marcio Fernades/Estadão
Marcio Fernades/Estadão

Personalizar o carro: um mercado repleto de pequenas empresas e que movimenta R$ 8 bi

Mercado de som, rodas, pneus, envelopamento e outros acessórios cria oportunidade para pequenos negócios

Gisele Tamamar, Estadão PME,

01 de novembro de 2012 | 10h45

 Rodas cromadas, som mais potente ou até mesmo um adesivo protetor da pintura. Os apaixonados por automóveis não medem esforços para cuidar de suas ‘máquinas’ e, por isso mesmo, ajudam a movimentar um mercado de R$ 8 bilhões por ano no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Acessórios Automotivos (ABAA). Há oportunidades para pequenas empresas, mas o empreendedor disposto a abocanhar parte desse dinheiro precisará investir em qualidade para convencer uma clientela pra lá de exigente.

“Carro é uma paixão do brasileiro. Desde criança, o menino ganha bola e carrinho. E espera ansioso para fazer 18 anos e tirar a carteira de motorista. A customização é uma forma de dar um toque pessoal ao veículo. É comum uma pessoa gastar em acessórios uma quantia superior ao valor do automóvel”, analisa o presidente da ABAA, Eduardo Bernasconi. Para o especialista, além do movimento de personalização, outra tendência ajuda a formar um mercado promissor para quem pretende empreender no segmento.

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São grupos de pessoas que alugam pistas para acelerar com segurança. “Esse movimento está se popularizando no Brasil. Isso tira o racha das ruas, garante segurança e ajuda a movimentar o mercado”, analisa.

Pela estimativa da associação, existem pelo menos 12 mil lojas especializadas em acessórios para aumentar a performance ou simplesmente dar um toque pessoal ao veículo. Dessa forma, para Bernasconi, investir no segmento é interessante, mas exige do interessado preparação. “É um bom segmento, desde que você priorize um bom serviço e atendimento. Se vai abrir uma loja de roda e pneu, precisa entender de roda e pneu. Cada marca tem um tipo de perfuração, por exemplo”, pontua.

O conselho é fazer cursos, estudar e praticar. “Não adianta abrir (uma empresa) só porque gosta do assunto”, observa o presidente da ABAA. Campo de atuação, porém, não falta. Além do setor de rodas e pneus, o candidato a empreendedor vai encontrar espaço nas áreas de eletrônicos, modificação, suspensão, pintura, entre outras.

Escolha. O empresário Paulo Surya Bento, 46 anos, escolheu a área de envelopamento e criou a Preto Fosco. A técnica consiste em aplicar um adesivo no carro para proteger a pintura ou simplesmente atender a uma demanda estética do proprietário.

A rede, com nove lojas em funcionamento, tem expectativa de faturar R$ 5 milhões em 2013. A ideia de abrir a empresa surgiu após Bento visitar uma feira nos Estados Unidos e descobrir o sistema. Da viagem ao primeiro carro envelopado foram quase doze meses, período que ele usou para pesquisar fornecedores e aprimorar a técnica.

“No começo, (a demanda pelo serviço) surgiu por estética. Hoje, muita gente faz por proteção”, analisa o empresário. As cores usadas seguem as tendências atuais do mercado. “Há um ano, 90% dos trabalhos eram feitos em preto fosco. Hoje, 70% dos envelopamentos são branco brilhante”, afirma Bento.

O sistema de franquias entrou na vida do empresário com o sucesso nos negócios. Pessoas de todo o Brasil procuravam o serviço na loja da marca em São Paulo. “Estávamos com o pátio lotado e chegamos a ter agenda de 60 dias. Eu não tinha pessoal para gerenciar filiais, então, resolvi abrir franquias”, revela.

Luxo. A Leandrini, especializada em som e acessórios automotivos, é outra empresa que prospera no setor. Com 29 anos de existência, o negócio começou como uma casa de autopeças em São Caetano do Sul, na região do ABC, e mudou para acompanhar a demanda do mercado, principalmente após a abertura das importações na década de 90.

Com crescimento constante nos últimos anos, a empresa foca sua atuação em carros de luxo e esportivos – tem como principais clientes donos de veículos da marca BMW, Porsche, Mercedes-Benz e Audi.

A Leandrini tem mais uma unidade nos Jardins, bairro de São Paulo, além de manter uma loja virtual na internet. Mesmo com espaço físico limitado, a fama da empresa traz clientes de outros estados. “De todos os carros montados, 20% são de fora do Estado de São Paulo. Tem cliente que compra o veículo em São Paulo e manda entregar na loja para depois mandarmos para o estado dele”, conta um dos sócios, Willy Leandrini.

A campeã de vendas é a central multimídia, composta por DVD, TV digital, GPS e câmera de ré no mesmo aparelho. “Desenvolvemos kits para as marcas e trabalhamos com um rígido padrão de qualidade”, diz.

Concorrência

Empresários com experiência no setor afirmam que há muitos concorrentes com serviços ruins e que isso contribui para nivelar ‘por baixo’ o setor.

Estratégia

Por isso, para quem pretende empreender na área, a dica é cuidar da qualidade. Essa estratégia pode, inclusive, ser um bom diferencial.

Pagamento

Um jogo de roda e pneu para o modelo BMW X5 custa R$ 45 mil. É preciso, assim, facilitar os meios de pagamento oferecidos ao cliente.

Funcionários

Uma das dificuldades é achar mão de obra especializada. A dica é o próprio empresário especializar-se no serviço e ajudar no treinamento de novos funcionários.

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