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Pequenos negócios ignoram contratação de funcionários com softwares

Pesquisa realizada pelo Sebrae com quase 2 mil micro e pequenas empresas do País aponta que 62% delas nunca ouviram falar de softwares de recrutamento e seleção

Luiz Carlos Pavão, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 09h57

Especial para o Estado

Enquanto o uso da tecnologia em processos seletivos e recrutamento de pessoal já está disseminado em grandes empresas, micro e pequenas empresas praticamente desconhecem essas ferramentas que ajudam a traçar o perfil dos candidatos e a selecioná-los. Este é o cenário retratado por pesquisa realizada pelo Sebrae nacional, que aponta que 62% dos donos de micro e pequenos negócios nunca ouviram falar de softwares de recrutamento e seleção voltados para o tamanho de empresa deles.

A pesquisa, que entrevistou 1.859 empreendedores de todas as regiões do País entre maio e julho deste ano, também mostra que 55% deles acreditam que esse tipo de ferramenta não seria útil para ajudar na seleção de candidatos a serem chamados para entrevista.

O estudo também mostrou que a indicação boca a boca dos funcionários é a forma de prospectar candidatos preferida por mais de metade dos empresários, totalizando 54,5% para este tipo de vaga. O levantamento revelou ainda que 44% dos empresários não exigem experiência, pois realizam capacitação no próprio local de trabalho, e que quase metade dos donos de pequenos negócios (48,6%) procura funcionários que tenham habilidade de vender o produto ou o serviço oferecido pela empresa.

Para o analista e especialista em pesquisa do Sebrae Dênis Pedro Nunes, que coordenou o levantamento, o problema de haver tantos empreendedores que desconhecem o uso de softwares para recrutamento está na divulgação desses produtos para as MPEs (micro e pequenas empresas).

“Grande parte das startups estão focadas nas grandes empresas. Se não for explicado às MPEs quais benefícios as plataformas podem trazer, os empresários não vão reconhecer seu valor”, diz Nunes.

No caso da Nexxto, que atua na área de tecnologia na capital paulista e já usou software para recrutamento, a tecnologia não substitui as formas mais tradicionais de contratação. Segundo o sócio-fundador da empresa, Antonio Rossini, esse tipo de ferramenta, quando foi usada, apenas ajudou a aumentar o número de interessados.

“Como nosso fluxo de contratação de não é tão alto, vimos que esses meios digitais encurtaram o processo apenas da divulgação das vagas”, diz ele, sobre o caso da sua empresa de pequeno porte (EPP), que possui 15 funcionários. Segundo Rossini, “poucos selecionados por sistemas realmente tinham as competências necessárias para as funções ofertadas”.

Para contratar, a empresa costuma levar em consideração as indicações e divulgar as vagas em faculdades e escolas técnicas. “Por mais que demore um tempo maior, temos um processo mais criterioso, o que nos leva a contratar melhor”, diz Rossini.

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