Pequenos negócios faturam com burocracia brasileira

Pequenos negócios faturam com burocracia brasileira

Antes exclusivos às classes A e B, serviços que atendem demandas pessoais passam por processo de massificação no país

Bruno de Oliveira, especial para O Estado

01 de setembro de 2016 | 18h06

A falta de tempo do brasileiro e a popularização de serviços baseados no uso de ferramentas via internet criou um cenário favorável para empresas especializadas em oferecer serviços que facilitam a vida de clientes que precisam lidar com tarefas que historicamente no país levam muito tempo para serem executadas, da retirada de documentos até a compra e venda de automóveis. 

Ganhar tempo em atividades burocráticas tem feito pessoas considerarem investir na contratação de empresas que atuam como facilitadores em trâmites complexos. Para Marcelo Nakagawa, professor do Insper, são muitas as oportunidades ao empreendedor que busca investir em negócios que demandam a gestão de processos de pessoas comuns, em alguns casos até de empresas.

"O avanço da tecnologia nos aplicativos, por exemplo, permitiu que negócios pudessem prosperar na oferta de serviços que muitos preferem pagar para ganhar tempo, como obter alvarás e documentos pessoais, por exemplo. A digitalização de diversos processos diminui o tempo de tramitação, e isso gerou oportunidades se considerarmos que hoje há mais pessoas dispostas a pagar para que outros façam estes tipos de serviços", disse Nakagawa.

A popularização destes serviços entre o consumidor também se deu por conta da transformação do cotidiano do brasileiro. Segundo levantamento do International Stress Management Association Brasil (ISMA-BR) feito em São Paulo e Porto Alegre, 62% dos entrevistados sofrem com a falta de tempo devido à sobrecarga e o excesso de tarefas no cotidiano. "Clientes que pertencem às classes A e B alavancaram os serviços destas empresas por conta deste panorama que vai se intensificar", completou o professor.

Foi justamente neste público que a Bespoke.life direcionou seu modelo de negócios para explorar um serviço comum nos EUA e na Europa, mas ainda incipiente no Brasil. Fundada em 2011, a empresa passou a oferecer serviços de gestão de estilo de vida (lifestyle management, no termo em inglês) para clientes dispostos a terceirizar atividades pessoais.

"O país passou por um boom de pessoas de alto poder aquisitivo que se mudaram para o Brasil e fora dele nos últimos anos. Isso abriu espaço para que criassemos um modelo de negócio que atendesse os trâmites que envolvem estas grandes movimentações", conta Marcia Primo Costa, sócia-fundadora da empresa. A partir daí, o portfólio passou a contar também com produção de eventos, retirada de documentos e até reparos residenciais, por exemplo.

A Instacarro, empresa que criou uma plataforma digital que realiza transações de automóveis em até uma hora, é outro exemplo de negócio que enxergou oportunidades a partir da massificação do serviços via plataformas online. Para Diego Fischer, CEO da companhia, o aumento da demanda vai acelerar a adoção destes serviços por parte de usuários que ainda desconfiam de serviços realizados por meio da internet.

"Desburocratizar um serviço está atrelado à tecnologia. Cresce o número de startups que surgem para poder auxiliar o cliente a planejar melhor suas atividades cotidianas. Conforme a tecnologia vai evoluindo, esses tipos de soluções se tornam cada vez mais normais. Como no Brasil o nível de adoção de tecnologia para isso ainda é baixo, há muito para crescer", finaliza o executivo.

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