Helvio romero/Estadão
Helvio romero/Estadão

Pequenos investem em qualidade e chocolate renasce no Brasil

Quem disse que o País não consegue produzir com qualidade? Há uma revolução no setor e ela passa pelos pequenos

Roberta Cardoso, especial para o Estado,

26 de novembro de 2014 | 07h13

O Brasil nunca foi reconhecido pela qualidade do seu chocolate. Pelo contrário. Além da produção nacional não impressionar, chegamos a perder para o México, Venezuela e Equador a cultura do plantio de cacau, insumo básico do produto. A falta de uma especialização chocolateira foi, inclusive, determinante para que o País nunca fosse levado muito a sério perante o mercado especializado.

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Pesaram também os muitos planos econômicos, a falta de diálogo entre a cadeia produtiva, as pragas que dizimaram fazendas inteiras de cacau no sul da Bahia, o maior polo nacional produtor do fruto, e a ação da indústria. Para tornar o chocolate acessível em todas as camadas sociais, ela transformou o cacau em commodity – fazendo com que se consumisse um produto mais barato, mas que, segundo a legislação europeia, nem é considerado chocolate de verdade por causa do baixo teor de cacau (25%).

O quadro, pouco animador, surpreendentemente começou a mudar há cinco anos. Não só elevamos a qualidade em todas as esferas – do cultivo do cacau à produção do chocolate em si – como também estamos deixando para trás o estigma internacional e nos posicionando mundialmente como os novos ‘queridinhos’ da indústria.

Esse movimento de ascensão só se mostra possível pela integração da cadeia e os grandes responsáveis pela mudança, na verdade, são os pequenos produtores e as pequenas fábricas. Não por acaso, são eles também que devem abocanhar o grande número de oportunidades que o segmento apresenta, como o fomento de novos negócios em torno do chocolate premium.

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De acordo com informações coletadas em estudo inédito feito pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o crescimento do setor no Brasil deve ser de 26% até 2018.

“Mudou a dimensão que o chocolate premium tem no mercado. Hoje, o consumidor está disposto a pagar por um produto com qualidade, que traga uma experiência. Ele também é responsável pela alavancagem (do produto), que, entre as suas características, está a de ser um chocolate com ingredientes e misturas mais ricos, com mais cacau, e que entrega o valor da exclusividade”, explica Caio Tomazeli, diretor da Abicab.

O quadro otimista que o mercado tem agora ainda deve-se, principalmente, ao trabalho iniciado há quase uma década por pequenos produtores de cacau do sul da Bahia. Mesmo com a região devastada pela praga da vassoura de bruxa – uma peste que acometeu as fazendas de cacau da região – , alguns produtores salvaram suas propriedades investindo em tecnologia.

Neste contexto, o cacauicultor Diego Badaró fundou a AMMA Chocolates. A empresa é responsável por lançar o primeiro chocolate premium do Brasil. “Eu acreditava que era possível produzir um cacau de qualidade, respeitando a nossa biodiversidade e, a partir dele, fazer um chocolate melhor ainda”, conta.

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