Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Pequenos faturam com champanhe de ouro e até massagem na sola dos pés em casamento de luxo

Festas que podem custar muitos mihões abrem uma oportunidade atraente de negócios para pequenos fornecedores

Renato Jakitas, Estadão PME,

22 de outubro de 2013 | 06h40

O Brasil tem em média 19,7 mil casamentos civis por semana, segundo o IBGE. Mas apenas dois ou três entram na contabilidade das cerimônias de luxo, classificação dada aos eventos que custam a partir de R$ 400 mil e tem como teto valores que podem chegar a R$ 10 milhões. São cifras impensáveis para a maioria dos casais. Mas, apesar de restrito, esse mercado representa uma economia que enche os olhos (e os bolsos) de um grupo de pequenos empresários.

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Segundo relatório da consultoria Capgemini, o Brasil tem 165 mil milionários. É o tipo de cliente que, de acordo com a associação que representa as empresas do setor de casamentos (Abrafesta), não se intimida em colocar a mão no bolso pela personalização do evento que marca a união matrimonial. “Eles gastam, pelo menos, o dobro do que gasta a classe média, com um desembolso médio de R$ 1,2 mil por convidado”, conta Cristofer Mickenhagen, presidente da Abrafesta. “São pelo menos dois casamentos desse tipo por semana em São Paulo”, revela.

 Quem sabe disso muito bem é a assessora de casamentos Marina Bedaque. Há dez anos ela se incube da produção de festas que duram cerca de 11 horas e não saem por menos de R$ 400 mil. “O ticket médio é realmente de R$ 1,2 mil para cerca de 300 convidados. Mas há festas de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões”, conta a advogada que cobra cerca de R$ 25 mil pela consultoria.

 “O segredo do trabalho é a exclusividade. Eu vou até a casa das pessoas e, tirando o buffet que tem uma logística mais complicada, todo o resto é assim, bem exclusivo. Já teve cliente que pediu seis provas com dez toalhas de mesa em sua casa antes de definir a opção campeã”, destaca Marina, que revela colocar limites no volume de trabalho. “A demanda é grande e até saí de uma sociedade porque o número de atendimentos era quase insano. Cheguei a atender até 35 clientes ao mesmo tempo.”

Mimos. Os interessados em empreender no nicho vão encontrar um mercado consumidor que presa ainda por uma boa lista de serviços agregados. São mimos que vão de massagem nos pés dos convidados até estrutura com maquiadores para atender nos banheiros.

O empresário Leonardo Rizzo, da Cia do Rizzo, encontrou seu filão com um serviço sofisticado de bartender (preparação de bebidas e coquetéis). Além de contar com uma ilha em acrílico transparente toda adornada por espelhos d’água, ele mantém um cardápio que tem, entre as opções, champanhe com gotas de ouro de verdade – ele é oferecido ao lado de outras bebidas ao preço de R$ 72 por pessoa. “Esses dias fiz uma festa no Pantanal, dentro de uma mina de ouro e com show da dupla Edson e Hudson. A pessoa gastou ali uns R$ 10 milhões, você não imagina”, conta o empreendedor que fatura, anualmente, cerca de R$ 4 milhões.

Mas o casamento, como se sabe, não se encerra entre a cerimônia e a festa. Há também a lua de mel. E a paulista Jacqueline Dallal Mikahil pensou em um jeito de atrair para sua agência, a Be Happy Viagens, o público de luxo. Há sete anos ela posicionou o negócio apenas para oferecer pacotes para casais recém-casados. “Começamos com produtos para empresas e algumas pessoas. Hoje 70% do nosso volume de trabalho é lua de mel. Os outros 30% são casais que se fidelizam e continuam comprando conosco.”

O perfil da clientela é composta por empresários ou altos executivos. Jacqueline diz que não consegue vender nada abaixo de R$ 12 mil, mas esse não é o problema. O grosso da demanda vem de pacotes de R$ 30 mil, onde a dobradinha África do Sul e Ilha Maurício é a mais procurada. “Agora o roteiro médio para o público AAA é Maldivas com Emirados Árabes. Eles ficam no hotel Four Seasons, em Maldivas, e no Emirates Palace, em Abu Dabi". O roteiro, com direito a uma noite no deserto dentro de tendas especiais, sai por cerca de R$ 52 mil.

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