Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Pequenos empresários descobrem a China

Peças, calçados e móveis...faz sucesso o empreendedor que consegue agregar valor ao seu produto

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

27 de setembro de 2013 | 16h01

As etiquetas Made in China estão espalhadas pelo mundo todo. Mas algumas pequenas empresas brasileiras têm conseguido inverter esse caminho para conquistar espaço no maior mercado mundial. A tarefa, entretanto, não é fácil e o empreendedor enfrenta barreiras geográficas e culturais para fazer negócios com empresários que vendem quase tudo. E com preço muito, muito baixo.

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A participação das micro, pequenas e médias empresas brasileiras nas exportações para China ainda é reduzida. O último levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostra que, em 2011, 1.119 empresas movimentaram US$ 612,4 milhões, apenas 1,3% do total exportado. Mas o valor foi 13,3% maior em relação ao ano anterior, quando as vendas somaram US$ 540,1 milhões.

Na avaliação do presidente do Sebrae nacional, Luiz Barretto, as micro e pequenas empresas que mais têm tido sucesso no exterior são aquelas que justamente buscam agregar valor ao produto oferecido para consumo dos chineses.

“Nos últimos anos, cresceram entre as exportadoras de pequeno porte as de peças automotivas, calçados e móveis. Além disso, identificamos oportunidades na área de tecnologia da informação e comunicação”, diz Barretto, que vai visitar entidade semelhante ao Sebrae na China, em outubro.

A marca de roupas femininas Cecilia Prado começou a fazer negócios com os chineses em 2004, após participar de uma feira em Paris. “Hoje você tem tudo de tudo em todos os lugares. Acredito que o que chama a atenção é a originalidade do nosso produto”, conta a empresária Cecilia Prado.

“Às vezes temos um certo preconceito que o chinês só vem para copiar, que eles só querem levar vantagem. A gente já vem com esse conceito formado e estou vendo que ele é errado”, afirma Cecilia. A empresária espera que as vendas para o país asiático cheguem a 10% do faturamento ainda este ano.

O mercado externo também está na estratégia da nadadora Fabiola Molina. As exportações representam 20% do faturamento da empresa da esportista, que vende maiôs e sunquinis. As vendas para China ainda estão no começo. “O nosso diferencial é a modelagem aliada às estampas coloridas e a tecnologia do tecido”, diz Kelce Molina, mãe da nadadora.

Ainda no ramo da moda, a empresa Radamés, de calçados masculinos, também busca ganhar espaço. O faturamento do negócio gira em torno de R$ 25 milhões, sendo que as exportações representam 15%. Os negócios com os chineses são recentes, mas a empresa já vendeu 3 mil pares. “Leva tempo para adquirir a confiança dos clientes e a diferença de cultura e idioma são fatores difíceis de vencer”, diz o gerente de exportação, Mauricio Avila.

Quem tem interesse no mercado chinês pode contar com a ajuda da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). A entidade organiza ações e participações em feiras na China, onde mantém um escritório. “Para fazer negócios com os chineses é preciso estreitar a relação, desenvolver uma parceria mais com o CPF do que com o CNPJ”, afirma Ricardo Santana, diretor de negócios da Apex.

A Câmara de Comércio Brasil-China também ajuda os interessados. “Não são apenas grandes exportadores, os pequenos e médios têm oportunidades. Mas existem dificuldades que as empresas enfrentam até por falta de conhecimento da cultura de negócios”, destaca a diretora-executiva da Câmara, Uta Schwiezer.

Potencial. Os produtos apícolas, atualmente, também são vistos com bons olhos pelos chineses. O Laboratório Jobim, do Rio Grande do Sul, exporta mel, própolis e outros derivados. “Há uma classe emergente na China que busca consumir produtos de qualidade e que possam oferecer melhor qualidade de vida. Os produtos apícolas atendem essa demanda”, afirma Tiago Pinto, do departamento comercial da empresa.

Já a empresa 100% Amazônia, das sócias Fernanda Stefani e Joziane Alves, já exportou acerola e açaí para os chineses. No ano passado, as vendas para esse mercado resultaram em um faturamento de US$ 200 mil.  "É um mercado promissor, mas vamos devagar. A dica é ter muita paciência, de maneira geral", aconselha Fernanda.

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Qual o desafio do empreendedor exportar para a China?

O desafio maior é identificar oportunidades. Uma coisa é você ter um mercado muito atrativo e a outra é ter condições efetivas de competir nesse mercado. E as condições são: capacidade produtiva tanto de quantidade quanto de qualidade, ter capacidade financeira e capacidade em termos de pessoas que tenham competência em negociações.

Qual a recomendação?

Uma fundamental é pesquisar muito bem o mercado e aprender com as empresas que já trilharam esse caminho. Uma alternativa é trabalhar em parceria, unir forças. Apenas na China atuam 21 empresas multinacionais brasileiras. 

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