Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

Pequenos empreendedores descobrem um novo mercado para as pimentas no Brasil

Ausência do produto gourmet foi a senha para que pequenos negócios ganhassem espaço em São Paulo

Gisele Tamamar, Estadão PME,

25 de abril de 2013 | 06h30

Tem quem odeie, mas muita gente ama. E são justamente esses apreciadores do sabor e ardência do tempero que ajudam a estimular um segmento em crescimento. Investir em negócios relacionados com a pimenta tem se mostrado uma boa aposta para pequenos empresários, que procuraram diferenciais diante do saturado mercado de molho de pimenta.

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De acordo com a engenheira agrônoma e pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na unidade de hortaliças, Cláudia Silva da Costa Ribeiro, a visão de que a pimenta é um tempero popular muda aos poucos. “O resgate e uma nova leitura da culinária tradicional e regional brasileira por grandes chefs de cozinha ajudam a mudar este panorama e as pimentas ganham um lugar de destaque na gastronomia brasileira”, destaca.

A pesquisadora pontua que a oferta de diferentes produtos com base na pimenta – além dos conhecidos molhos e conservas – estimulou o aumento do consumo do produto na última década. “No entanto, o consumo per capita ainda é considerado baixo, de 0,5 grama por dia. No México é de 8 gramas por dia”, compara.

Ideia. Os empresários Leo Spigariol, Marcelo Prado e Marcelo Prado Filho visulmbraram uma oportunidade para investir nesse mercado durante uma viagem ao Chile em 2009. “Lá, descobrimos diversas marcas de molhos diferentes e embalados de forma bacana. Achamos a apresentação interessante e vimos que não tinha no Brasil um molho gourmet que divulgasse o produto de forma bem-humorada”, conta Spigariol.

O fato da família Prado ter uma fazenda em Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo, incentivou o cultivo das pimentas. Os testes de plantio, o estudo do processo de produção, o posicionamento da marca e a instalação da fábrica levaram dois anos. Em fevereiro de 2012, a De Cabrón chegou ao mercado. O trio investiu R$ 2 milhões e o dinheiro foi recuperados em menos de um ano.

A produção é de 20 mil itens por mês e a empresa lançou recentemente um molho com a assinatura do chef Henrique Fogaça, do restaurante Sal Gastronomia. É um blend de chipotle (tipo de pimenta seca) e maracujá. O plano é continuar inovando e no ano que vem a fábrica deverá ser transferida para a fazenda no interior. “Queremos montar um hotel com roteiro gastronômico focado em pimentas. O hóspede vai poder acompanhar a colheita”, conta o empreendedor.

Já a história da Companhia das Ervas começou quando Marcos Cury resolveu montar um vidro com pimentas para levar nos encontros semanais com amigos. O pote deixado no bar, ponto de encontro da turma, despertou o interesse de outros frequentadores e motivou o dono do estabelecimento a fazer uma encomenda informal para Cury.

O interesse pela conserva começou a crescer e Marcos, que então atuava como representante comercial, resolveu dedicar-se ao negócio, formalizado em 1994, em Morungaba, cidade também localizada no interior de São Paulo.

Hoje, quem está no comando da companhia é o filho de Marcos, Claudio Cury. A empresa oferece mais de 200 produtos, entre ervas e especiarias, e pretende crescer 25% este ano. “A companhia começou por causa da paixão do meu pai de comer pimenta. Meus avós tinham um ritual de usar a pimenta nas refeições e nossos produtos têm o intuito de estar presente nos momentos de confraternização”, afirma Claudio, cujo principal desafio é manter o padrão de qualidade.

As ardidas também ajudam a movimentar os produtores artesanais. No box de Keila Kagohara, localizado na Ceagesp, 70% dos 800 quilos vendidos por semana são para o atacado. Um dos compradores é o empresário Fernando Azevedo Júnior. Ele tem uma empresa na área de tecnologia da informação, é publicitário e até cantor, mas vê nas pimentas uma forma de unir suas paixões. Fernando produz 300 litros de molhos de pimenta por mês para a marca Dona Benê, nome dado em homenagem a sua avó, Benedita.

O negócio, criado em 2003, tem hoje 25 produtos. Nos últimos dois anos, Fernando investiu apenas R$ 50 mil. “Quero crescer, mas o impasse é: qual a forma de crescer sem virar uma indústria e manter a produção artesanal”, afirma o empreendedor.

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