Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Pequenos empreendedores apostam nos brinquedos educativos e não se arrependem

Setor tenta se estruturar e superar os inúmeros desafios, mas existe espaço de sobra para crescer no segmento

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

27 de junho de 2013 | 06h39

Ao incentivarem o desenvolvimento da criança, a criatividade e a interação com os pais, os brinquedos educativos ganham espaço. Para os pequenos negócios, o segmento é promissor, mas ainda é preciso encarar muitos desafios para prosperar, afinal, segundo a Associação Brasileira de Brinquedos Educativos (Abrine), a participação de mercado desse tipo de produto não chega a 10%.

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E para fortalecer o segmento, a Abrine realiza a 7ª Feira de Brinquedos Educativos, entre os dias 6 e 8 de agosto, em São Paulo. A ideia é apresentar as novidades das pequenas empresas e atrair compradores. “O que diferencia o brinquedo educativo é toda a cadeia produtiva, de como o brinquedo foi produzido, por quem e com quem. Existe uma proposta, de divulgar o bom brincar”, afirma a presidente da Abrine, Marta Giardini Takehara. “A visão de que brincar no Brasil é coisa só para criança precisa mudar. Brincar é para todas as idades”, completa a diretora-executiva da associação, Adriane Kroeff.

Obstáculos. O pequeno empresário disposto a entrar no ramo precisa ter consciência dos desafios que enfrentará. E eles são pelo menos quatro. O primeiro, segundo Marta Giardini, é acompanhar a burocracia que envolve os brinquedos, incluindo a substituição tributária e a certificação dos produtos. “Ela onera demais os produtos para quem tem uma produção em baixa escala. E a burocracia é igual para um pequeno ou grande produtor”, pontua Marta.

O empresário ainda enfrenta a concorrência dos itens importados e licenciados. “Eles influenciam a vontade das crianças e têm força com a publicidade. Isso traz outro desafio: divulgar seu produto para ter visibilidade”, analisa.

Ser bom de planejamento também é importante. Com 60% a 70% do faturamento concentrados no segundo semestre, o empresário precisa se organizar para atender a demanda do Dia das Crianças e do Natal, mas sem descuidar das vendas na primeira metade do ano.

A empresa Ó Design enfrenta todos esses desafios. Criada pelo casal Mariana Karg e Rogério Arruda Pinto, a empresa busca se diferenciar com produtos que não têm concorrentes e com visual diferenciado. “Começamos fazendo brinquedos para lembrancinhas de festas de crianças, e depois de participar de uma feira para o consumidor final, começamos a ter procura de lojistas interessados em revender os brinquedos”, lembra Mariana.

Entre os brinquedos vendidos, a Ó Design produz conjuntos culinários e cintos de ferramentas, que rendem faturamento médio mensal de R$ 10 mil. “É um mercado com procura crescente. Os pais se preocupam com crianças que não saem da frente da televisão e do computador.”

A presidente da Abrine também é proprietária da Mitra Officina de Criação. “Meu marido é engenheiro e minha formação é em artes plásticas. Nós procurávamos algo que nos gerasse uma satisfação de trabalho. Ficamos dez anos trabalhando como artesãos e há um ano formalizamos a empresa”, conta Marta.

A Mitra vende diversos tipos de brinquedos no segmento, mas o carro-chefe é a Enciclopédia de Jogos. “O usuário guarda o jogo em caixas como se fossem livros. Apesar deles serem de domínio público, temos a patente desse formato. O livro tem um respeito que o brinquedo não tem. Dificilmente você acha um baú de livros jogado”, conclui Marta Giardini.

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