Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Pequenos empreendedores apostam no mercado de pipocas gourmet e ganham destaque

Variação do produto faz sucesso nos Estados Unidos e inspira negócios no País

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

26 de novembro de 2013 | 06h50

Empreendedores começam a criar um novo, e, quem sabe, lucrativo segmento no País. Assim como aconteceu com brigadeiros e outros alimentos recentemente, pode ter chegado a hora da pipoca gourmet estourar – o tradicional produto agora é apresentado ao consumidor com sofisticação e sabores diferentes.

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De acordo com Marcelo Nakagawa, diretor de empreendedorismo da Fiap, há espaço para esse tipo de empreendimento ganhar espaço explorando essa tendência. "Nas redes de cinema, boa parte dos lucros é gerado pela pipoca, que traz uma margem de lucro gigantesca", sugere o especialista.

Para Nakagawa, o fato de surgirem empresas que apostam no mercado gourmet para pipocas mostra que qualquer produto tradicional pode ser transformado por meio da inovação. "É uma fonte de inspiração para que outros empreendedores enxerguem como inovar em coisas tradicionais."

Ainda segundo o especialista, pelo menos em relação aos dois principais empreendimentos do segmento, a Pipó e a Gourmet Popcorn, é o cuidado com a qualidade dos produtos e a profissionalização das marcas. "Uma tem embalagens diferenciadas e a outra preocupação com o visual da loja, que parece ter sido muito bem planejada", afirma.

O caminho a se percorrer por essas empresas, entretanto, ainda é longo. A Pipó nasceu em setembro deste ano e hoje oferece seis sabores de pipocas salgadas e doces – os produtos são vendidos em latas e estão prontos para o consumo. Os preços variam de R$ 22 a R$ 26.

"Tive a ideia da pipoca porque é um produto pelo qual sou apaixonada desde quando era criança e como tenho experiência em marketing para marcas de luxo pensei no gourmet", diz Adriana Lotaif, sócia-proprietária do negócio. Ela pesquisou bastante antes de começar e encontrou itens parecidos à venda nos Estados Unidos, Inglaterra e França.

A marca montou uma cozinha industrial para atender os pedidos e ainda comercializa os produtos dentro da tradicional loja de sapatos Arezzo localizada na rua Oscar Freire, endereço nobre da cidade de São Paulo. A empresa criada por Adriana ainda distribui pipocas para 12 empórios diferentes e pretende produzir 50 mil latas por mês no próximo semestre - a ideia é faturar R$ 5 milhões em 2014.

No Rio Grande do Sul, a Gourmet Popcorn já pode ser chamada de rede – são cinco lojas e quiosques que oferecem aos consumidores, por exemplo, a pipoca de doce de leite com coco. A ideia é intensificar a expansão no próximo ano. "Estamos negociando ainda uma franquia em São Paulo para o primeiro semestre de 2014". conta Rafael Peccin, um dos proprietários.

A proposta da marca foi inspirada em negócios similares nos Estados Unidos. Os sócios, conta Peccin, trabalham há muitos anos com turismo na região de Gramado e decidiram trazer para o Sul o conceito de pipoca gourmet pois acharam que combinaria com uma cidade turística. Eles investiram cerca de R$ 50 mil em equipamentos para iniciar o negócio e o faturamento, neste ano, deve ficar perto de R$ 1 milhão. "Em 2014, pretendemos, no mínimo, dobrar esse valor", afirma.

Promissor. O brasileiro consome em torno de 15 mil toneladas de pipoca por ano, considerando produtos para micro-ondas e a pipoca salgada pronta. Ainda de acordo com dados compilados pela Nielsen, o faturamento desse mercado, no varejo, gira em torno de R$ 200 milhões.

Ainda de acordo com a Nielsen, das 76% das pessoas que dizem assistir atividades esportivas pela televisão, 33% consomem pipoca. "Pipoca está em terceiro lugar, na frente do salgadinho, e atrás apenas de cerveja e refrigerante", diz Otavio Carvalho, analista de mercado da Nielsen.

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