Planos. Ana Carolina e Ana Leite esperam faturar R$ 6 milhões em 2016
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Pequenas querem que caldo de cana siga caminho da água de coco

Acana e Kanaí apostam em potencial da garapa, mas têm barreiras pela frente

Gisele Tamamar, Estadão PME,

15 de dezembro de 2015 | 06h57

Duas pequenas empresas brasileiras querem seguir o caminho de sucesso trilhado pela água de coco, inclusive no exterior, mas desta vez tendo o caldo de cana como protagonista. Ao conseguirem armazenar a bebida de forma integral e sem conservantes, Acana e Kanaí traçam planos de expansão otimistas. Para isso, as empresas  chamam a atenção para o apelo saudável da bebida  e enfrentam a barreira das pessoas que consideram a garapa  calórica.

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A história da Acana está relacionada à Fazenda Santa Lourdes, que produz para usinas, mas desde  2000 também vende outro tipo de cana, esta voltada à produção de garapa. “Desenvolvemos uma cana com um caldo mais claro e mais saboroso. O negócio veio crescendo e hoje 40% da cana ‘in natura’ que entra na cidade de São Paulo é da fazenda”, conta Ana Carolina Salles Viseu, sócia do negócio com a irmã Ana Leite.  A dupla adotou embalagem Tetra Pak – o desenvolvimento demorou um ano e meio e exigiu investimentos de R$ 500 mil, outros R$ 2 milhões foram usados na construção da fábrica.

A Acana chegou ao mercado em setembro e está com licenças em andamento para iniciar as exportações. A venda internacional será uma estratégia importante para a empresa atingir a meta de faturar R$ 6 milhões no ano que vem.

Para Ana Carolina, o exterior é uma caminho natural para atender brasileiros saudosos da bebida para, em seguida, atingir o mercado como um todo. “A água de coco é um caso de sucesso. E começou pelo mercado da saudade”, afirma a empresária.

Durante as pesquisas para o lançamento do produto, a Acana também identificou que o consumidor classifica a garapa como  calórica. “Ela não é mais que um suco de uva integral, por exemplo. Um dos nossos maiores desafios é comunicar isso ao consumidor”, afirma Ana Carolina. “O caldo de cana é um repositor energético e tem uma aceitação boa entre os esportistas”, completa.

A Acana vende a bebida original e com limão e prepara o lançamento das opções com maracujá, abacaxi e gengibre.

Em vidro. A Sustên aposta na bebida, com a marca Kanaí, desde 2012 – o produto é vendido em garrafas de vidro. O engenheiro Rafael Tadeu Luques teve a ideia de engarrafar a bebida quando trabalhava em uma multinacional e visitava empresas de suco e usinas de açúcar. “Estava com uma equipe francesa e eles quiseram experimentar a garapa. Eles adoraram e queriam levar para a França”, lembra o CEO da Sustên.

A empresa também resolveu focar as exportações e no fim do ano passado reformulou a embalagem, relançada há três meses com destaque para os atributos ‘natural’ e ‘integral’. A reformulação e os esforços agora no mercado nacional estão relacionados com a entrada no negócio do fundo de investimento Bambuza, de Francisco Valim, ex-CEO da Via Varejo.

“O produto caldo de cana é familiar, mas saiu um pouco do consumo brasileiro por causa dos riscos, da preocupação de saber de onde veio, como foi o processo de moagem. O caldo de cana é uma bebida ampla e não tinha essa facilidade (engarrafado)”, afirma Luques.

Até setembro, as exportações ainda representavam 80% do faturamento da empresa, mas a expectativa é equilibrar a balança comercial. “Sabemos das dificuldades, mas o consumo inteligente de produtos que tragam benefícios para a saúde ainda vai crescer”, diz Luques.

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