Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pequenas lojas do 'parcelamento em 5x' devem sofrer mais com medidas econômicas

Marcelo Nakagawa, do Insper, aponta para dificuldades entre empresas cujos clientes pertencem à classe C

Estadão PME,

20 de janeiro de 2015 | 17h15

 O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou na noite de ontem (19) quatro novas medidas de ajuste fiscal para serem implantadas ao longo deste ano. As medidas variam entre a equiparação de categorias para recolhimento de IPI até reajustes de alíquotas sobre importação e combustíveis.

Entrevistamos o professor Marcelo Nakagawa, do Instituto de Ensino e Pesquisa Insper, para reunir os principais impactos que as medidas anunciadas pela pasta vão provocar no universo econômico e estrutural das pequenas e médias empresas.

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Para o especialista, negócios com este perfil sofrem mais do que as grandes empresas, sobretudo aquelas cujos cliente pertencem à classe C: com a expectativa de recessão para 2015, os consumidores que pertencem a este grupo adotam uma postura mais cautelosa em relação ás compras.

:: Confira a entrevista com o especialista Marcelo Nakagawa ::

Estadão PME - O governo resolveu segurar o consumo - aumentou o IOF dos empréstimos pessoais. Isso deve reduzir o consumo e afetar pequenas empresas. Mas quais delas podem sofrer mais? De qual setor?

Marcelo Nakagawa - As pequenas empresas tendem a sofrer muito pois são ainda mais sensíveis a qualquer variação negativa nas vendas se comparadas às grandes empresas. As pequenas empresas que mais tendem a sofrer são as de comércio de bens de consumo bens duráveis como as pequenas lojas de automóveis, eletrodomésticos e moveis, as que trabalham com o apelo de dividir em "cinco" vezes como roupas, sapatos e perfumes "via cartão de crédito".

As empresas que atuam com classe C, muito beneficiadas nos últimos anos também sofrerão, de forma geral, pois o consumidor desta classe social ficará assustado, não só com as perspectivas da economia que afetam sua empregabilidade, mas também com o aumento dos juros do cartão e do cheque especial.

Estadão PME - E o impacto do aumento dos combustíveis, costuma ser alto na rotina da pequena empresa?

MN - O aumento dos combustíveis prejudica empresas de todos os portes, mas as de menor porte são mais frágeis e qualquer impacto negativo as afeta. O impacto direto ocorre naquelas que têm no custo logístico uma despesa importante de forma direta ou indireta (incluídas no custo da matéria prima, por exemplo).

Estadão PME - As medidas de ontem, mas a crise hidráulica, mais os apagões (como aconteceram ontem) indicam que tipo de ano para o empreendedor?

MN - As perspectivas para o ano são ruim, muito ruim ou catastrófica. O desincentivo ao consumo e os aumentos dos custos de produção (aumento dos juros-base, combustíveis, energia elétrica, impostos), por si só já tornariam o ano ruim para o empreendedor.

O receio das empresas em investir, o medo crescente do desemprego, a deterioração das condições econômicas e potencial redução do nível de risco do país pela agências de rating podem tornar o ano muito ruim. Se o racionamento de água persistir (ou até a água acabar) e os apagões continuarem, o ano será catastrófico para o país, em especial para os pequenos empreendedores que não terão condições de passar pela crise econômica, social e ambiental.

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