Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Pequenas empresas de serviço serão maioria em 2015

Segmento pode ser boa opção de negócio, mas empreendedor deve ter um diferencial para sobreviver e crescer

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

31 de janeiro de 2012 | 07h00

As empresas do setor de serviços, até 2015, vão superar pela primeira vez as do comércio e serão maioria no total de pequenas e microempresas do Estado de São Paulo. Os negócios voltados para o ramo de serviços alcançarão 45% de participação no mercado, contra 43,1% do comércio e 11,8% da indústria. A conclusão é do estudo Cenários 2020, realizado pelo Sebrae-SP.

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Atualmente, 40% das pequenas e microempresas paulistas são do setor de serviços, o equivalente a 770 mil estabelecimentos. O comércio ainda lidera com 48% do total de negócios (880 mil) e a indústria tem 12% de participação (220 mil). Na última década, no entanto, o número de novas empresas do ramo lançadas no mercado praticamente triplicou – de 32 mil em 2000, chegou a 93 mil em 201o. Esse crescimento foi estimulado principalmente pelo aumento de renda da população. “A partir do momento em que a renda cresce, as pessoas começam a gastar mais com serviços, principalmente a classe C”, explica o superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano.

Dessa forma, nos próximos nove anos, o Sebrae estima que o setor cresça em média 6% ao ano, contra 2,8% de projeção para a indústria e 1,4% para o comércio, chegando a uma participação total de 49,4% no mercado em 2020. Até lá, o total de pequenas e microempresas dos três setores em São Paulo vai aumentar de 1,8 milhão para 2,6 milhões.

O aumento da participação do setor de serviços ocorre principalmente pelos negócios na área de alimentação, que hoje representam 19,4% das empresas do segmento e crescem 3,3% ao ano. “A classe C consome 25% do seu orçamento com alimentação, o que mostra oportunidades de negócio principalmente para empresas com alvo nesse público”, afirma Caetano.

O estudo aponta ainda que os gastos com habitação e alimentação, em todas as classes, lideram o consumo de serviços e comprometem, em média, 36% e 19% das despesas das famílias paulistas, respectivamente. “Quem empreender nestes segmentos precisa estar atento a forte concorrência do mercado. Planejamento e inovação são questões cruciais para a sobrevivência desses negócio”, analisa Caetano.

A pesquisa Cenários 2020 também apontou aquecimento e descentralização da renda per capita da população brasileira. A perspectiva é que, mantido o ritmo de crescimento registrado nos últimos anos, a renda domiciliar per capita dos paulistas chegue a R$ 943 em 2015 – era de R$ 807 em 2009. No Brasil, em média, a renda deverá ser de aproximadamente R$ 745. “Este aumento real no poder de compra tem impacto direto nos pequenos negócios porque é sinal de mais gente com recurso para consumir”, destaca o superintendente do Sebrae-SP.

Objetivo. De olho no aumento da renda e no crescimento do setor de alimentação, a empresária e chef de cozinha Ciça Ribeiro fechou as portas do buffet que mantinha há quase 20 anos para abrir o espaço gastronômico Nossa Cozinha assim como o site A Nossa Cozinha Comidinhas Online, especializado na venda de pratos prontos e congelados.

“Hoje as pessoas querem se alimentar melhor, além de existir mais jovens que estão saindo de casa para morar sozinhos”, afirma a empreendedora. “As famílias também preferem sair de casa ou comprar uma refeição pronta a cozinhar nos fins de semana”, complementa Ciça Ribeiro. Até 2015, a empresária espera faturar só com o site cerca de R$ 1 milhão. “O mercado está crescendo muito. Quem fizer um trabalho bem feito certamente encontrará muito espaço.”

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