Empresa de Alberto e Rafael aposta em lançamentos e diferenciação
Empresa de Alberto e Rafael aposta em lançamentos e diferenciação

Pequenas empresas da construção civil driblam retração

Empreendimentos com apelo sustentável traçam estratégias para manter bons resultados obtidos nos últimos anos no País

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

12 de maio de 2015 | 07h02

A desaceleração do mercado imobiliário tem levado pequenos negócios que atuam na cadeia de fornecimento do setor a ampliarem o leque de possibilidades com o claro objetivo de minimizar os impactos da redução de encomendas. Esse movimento é nítido nas empresas dedicas, por exemplo, a vender e fabricar materiais de construção com apelo sustentável .

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Um dos indicadores de retração vem da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), que apurou, na capital, queda de 72,3% nos lançamentos de unidades residenciais em março de 2015 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Enquanto março de 2014 teve 2.795 novas unidades, o terceiro mês de 2015 contou com apenas 773. Em relação ao volume de vendas, dados da capital paulista mostram, no mês de março, queda de 27,4% na comparação com 2014. Esse cenário leva empresas especializadas em construção civil sustentável a se arriscarem em outras áreas de atuação - um caminho que pode ser interessante mesmo se o quadro se reverter.

É o caso da Ecori, empresa que vende lâminas de bambu importadas da China para pisos que substituem o assoalho de madeira, mais caro e menos ecológico. Com sede em São José do Rio Preto, a empresa ampliou a distribuição de lâminas para a fabricação de móveis e suportes para equipamentos esportivos como prancha e arco e flecha. O caminho alternativo tem sustentado o faturamento anual dos três sócios da empresa em R$ 3 milhões.

“O mercado ainda está bom. Estaríamos vendendo mais se não estivéssemos vivendo uma crise? Talvez sim. Tudo que é voltado para o lado sustentável é mais caro e isso pesa na decisão de compra”, explica Leandro Martins, diretor da empresa. Agora, a Ecori estuda entrar no mercado de geração de energia. “A partir de muito estudo, concluímos que as fontes de energia alternativa compensam para todo mundo. É um investimento certeiro”, pontua o empresário.

Outro empreendimento que tem apoiado seus planos de expansão e crescimento em alternativas à construção civil é a Aubicom, fabricante de mantas acústicas e pisos ecológicos feitos a partir de pneus reciclados. A fábrica, localizada em Extrema, interior de Minas Gerais, pretende ampliar o faturamento de R$ 16 milhões alcançado em 2014 com a exportação para países da América Latina e com o fornecimento de materiais específicos para academias e obras de infraestrutura.

“Até este ano, as construtoras procuravam qualidade. Hoje, por conta da crise, elas procuram preço, o que reduz um pouco nossas possibilidades, pois temos um produto mais caro. Nesses momentos, é preciso ter muito jogo de cintura, fazer bons contratos com fornecedores, procurar parceiros para enfrentar a recessão”, explica Rafael Safra, que está à frente do negócio com seu irmão, Alberto Safra, desde 2009. “Nossa estratégia agora é trabalhar com produtos diferenciados, com maior valor agregado e lançamentos que nos fazem ganhar novos mercados”, pontua.

A coordenadora do curso de pós-graduação em Construções Sustentáveis da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) Ana Rocha Melhado defende que o cenário da sustentabilidade em equipamentos utilizados na construção civil tende a se manter estável mesmo com a desaceleração dos lançamentos imobiliários. Mas esses negócios, segundo ela, devem apostar na diferenciação.

“A crise leva o mercado a fazer uma redução de empreendimentos, mas isso não significa que foi reduzida a preocupação com a sustentabilidade. Pelo contrário, para valorizar o empreendimento, é preciso diferenciar”, explica Ana.

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