Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Pequena empresa investe R$ 500 mil em hortaliças e flores comestíveis

Negócio criado pela publicitária Deborah Costa em 2006 busca clientes que atuam com 'alta gastronomia'

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

18 de fevereiro de 2014 | 06h21

A atriz e publicitária Deborah Costa Gaiotto tinha um emprego convencional, era assistente de uma produtora de moda, mas decidiu mudar radicalmente de vida e apostar no empreendedorismo, mais precisamente em um negócio envolvendo hortaliças. Por isso, em 2006, ela 'ressuscitou' estufas desativadas na fazendo do pai - criador de frangos e dono de um abatedor - para cultivar brotos, minilegumes, verduras higienizadas e flores comestíveis.

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O começo não foi fácil. Ela mesma plantava as sementes, colhia os produtos e os trazia para São Paulo para vender. Há cerca de três anos, porém, a família começou a ajudar Deborah a turbinar o negócio, que dava indícios de que poderia prosperar. A empresa, então, recebeu investimento de R$ 500 mil, destinado à construção de novas estufas, uma cozinha industrial que também serve para testar receitas e uma máquina que seleciona, lava e higieniza as verduras.

"Antes de tudo, fiz uma pesquisa de mercado e constatei que havia uma carência nessa área", afirma Deborah. "Muita coisa que aprendi atuando como produtora (de moda) me incentivou a tocar o negócio", completa. A Fazenda Maria, como o empreendimento foi batizado, fica em Tatuí, interior de São Paulo, e hoje atende mais de 200 clientes - 85% são restaurantes e buffets de 'alta gastronomia'. Os outros 15% são supermercados, empórios e donas de casa que compram as hortaliças diretamente da empresa por e-mail ou telefone.

O portfólio da Fazenda Maria conta atualmente com 90 itens, incluindo mais de 20 tipos de flores comestíveis e flores de ervas. No começo, a empresa fazia duas entregas por semana por meio de motoqueiro, mas agora são até 80 entregas diárias, realizadas por carros próprios ou por meio de transportadoras. O valor de cada pedido varia entre R$ 15 e R$ 1 mil, o desembolso médio gira em torno dos R$ 350.

A empresa prosperou e já conta com 35 funcionários. Débora cuida da área comercial e tem o pai como sócio, além da mãe e da irmã, que entraram no negócio em 2011.

Análise. Segundo José Luiz Tejon, coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM, trata-se de uma tendência mundial "jovens bem formados retornarem ao campo para alguma atividade relacionada com a terra, como forma até de driblar o desemprego". Tejon fez recentemente uma viagem pela Europa e deparou-se com exemplos de empreendedores que decidiram investir nesse nicho de atividades "quase artesanais".

"Vamos ver isso cada vez mais, até mesmo uma agricultura vertical nas cidades grandes, em uma arquitetura de jardins com produtos hortícolas em condomínios, em shoppings e edifícios", afirma Tejon. "Vamos ver, provavelmente, a criação de 'agricultores do asfalto'", sugere.

Para a bióloga e analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Lenita Haber, o cultivo de flores para fins de extração de óleos essenciais e também para restaurantes não exige investimento alto e pode ser uma oportunidade interessante de negócio. E melhor: trata-se de um mercado ainda pouco explorado no País. "Acredito que na região de São Paulo esse tipo de cultivo é maior, aqui em Brasília, por exemplo, temos alguns produtores, mas eles não são voltados à gastronomia", conta a especialista, que atua na divisão de hortaliças da Embrapa.

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