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Pequena empresa aposta na contratação de deficientes

Empresas preparadas para contratar esses profissionais conseguem driblar escassez de mão de obra e ganhar produtividade

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

09 de dezembro de 2011 | 20h16

Enquanto a economia registra um dos níveis mais baixos de desemprego da história (5,8%) e as empresas apresentam dificuldades para preencher as vagas criadas, um contingente de 27 milhões de brasileiros ainda enfrenta uma realidade bem diferente. Este é o número estimado de pessoas com deficiência no País. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais 2010), apenas 1,1% deles (ou 306 mil pessoas) tem hoje um trabalho formal.

O número vem subindo lentamente ­– em boa medida por conta do cumprimento da lei nº 8.213, de 1991.  O texto determina que as empresas com mais de 100 empregados cumpram uma cota, proporcional ao seu tamanho, com cargos para deficientes.  Assim, negócios com até 200 empregados deverão reservar 2% de seu quadro para atender à Lei.  De 201 a 500 trabalhadores, 3%.  De 501 a mil, 4%, e de 1.001 em diante, 5%.

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As pequenas e médias empresas com menos de 100 funcionários não estão obrigadas, portanto, a seguir esta lei. “Porém, isso não impede que negócios deste porte contratem pessoas com deficiência”, enfatiza Expedito Solaney, Secretário Nacional de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “São pessoas capacitadas e muito focadas, capazes de trazer importantes ganhos de produtividade às companhias que as empregam.”

Solaney admite, entretanto, que existem muitas dificuldades para incorporar o trabalhador deficiente aos quadros da empresa. “Em muitos casos, até pelas barreiras físicas e sociais com que se deparam, estas pessoas não conseguiram estudar e por isso possuem hoje baixo grau de qualificação”, afirma. “Além disso, para contratar um trabalhador deficiente, é necessário que a empresa adapte tanto sua estrutura física como a cultura organizacional.”

Mas as mudanças podem valer a pena. Na rede de lavanderias Lavasecco, a estruturação de um programa para recrutamento de profissionais com deficiência começou por acaso, graças ao empenho de uma funcionária. Hoje, a iniciativa é encarada como uma das principais estratégias da empresa para enfrentar a escassez de mão de obra no mercado.

Há sete anos, a loja de Alphaville contratou a deficiente auditiva Alessandra Soares de Oliveira para trabalhar como passadeira. Seus resultados logo surpreenderam. “Em pouco tempo, ela se tornou uma das melhores passadeiras de toda rede”, conta Maria Alzira Linhares, dona da rede de franquias.

A Lavasecco mede o desempenho de cada um dos funcionários para aplicar a remuneração variável. Alessandra consegue aumentar em 50% seu salário graças aos bônus recebidos por seu bom trabalho. “Ela é muito focada, atenta aos detalhes. Por isso, executa um trabalho de extrema qualidade, que é percebido pelos clientes.”

A experiência com Alessandra motivou a empresa a contratar uma professora para ministrar o curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) aos outros dez funcionários da loja de Alphaville. A empresária Maria Alzira também decidiu participar das aulas.

“O curso começou como uma forma de valorizarmos o trabalho da Alessandra, fazendo os outros empregados aprenderem a se comunicar com ela”, relata Maria Alzira. “Mas a experiência foi tão positiva que nos incentivou a ampliar esta ideia.”

Com o mercado de trabalho aquecido, a Lavasecco registra hoje uma alta rotatividade: cada loja perde metade dos seus funcionários todo ano. “Isso nos custa caro, porque damos muitos treinamentos a cada novo empregado”, comenta Maria Alzira.

A empresa agora estuda levar o curso de Libras a outras unidades da rede e assim preparar as lojas para receberem os funcionários deficientes que a empresa pretende contratar. “Quero ter mais funcionários com este perfil, para que eles apresentem o mesmo desempenho da Alessandra”, reitera Maria Alzira.

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