Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Pedaladas lucrativas: mercado de bicicletas chega a R$ 2 bilhões e pequenos negócios aproveitam

Aumento do uso das bicicletas nos grandes centros abre espaço para empreendedores em busca de oportunidades

Gisele Tamamar e Roberta Cardoso, Estadão PME,

27 de março de 2013 | 06h25

 O cenário nos grandes centros urbanos mudou. Em São Paulo, é possível notar a presença cada vez maior das bicicletas, apesar da convivência ainda muito difícil (às vezes trágica) com carros, motos e ônibus. Elas também não são usadas mais apenas como meio de transporte – as ciclofaixas de lazer surgiram na cidade em 2009 e, na época, eram usadas por 10 mil pessoas. Hoje atraem 120 mil usuários aos domingos e feriados.

Os atrativos das ‘magrelas’ são conhecidos. O preço é relativamente baixo, elas também não poluem e ajudam o usuário a manter a saúde. A novidade é que esses atributos se tornaram mais importantes na vida das pessoas e, por isso, impulsionam novas oportunidades de negócios no País.

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“Até pouco tempo a bicicleta era vista como um veículo de pobre no Brasil. Hoje existe uma mudança de apelo”, explica José Eduardo Gonçalves, diretor da Abraciclo, que reúne os fabricantes do setor.

Para Erick Azzi, consultor especializado no segmento, essa mudança de conceito ocorreu a partir de 2000 e tem a ver com a alta do preço dos combustíveis, com o fato do trânsito se tornar cada vez mais caótico e até da dificuldade para estacionar – sem pagar – em São Paulo. Situação explorada pelo mercado. “O Brasil está experimentando o ‘boom’ da bicicleta.”

Na última estimativa realizada pela Abradibi, outra entidade que representa empresários do setor, o mercado no Brasil era de R$ 2 bilhões em 2011. E para o presidente da Aliança Bike, Marcelo Maciel, o crescimento do mercado é visível – a Aliança organiza uma das únicas feiras do mercado. “O que se adicionou recentemente foi um componente de sustentabilidade, a bicicleta como uma solução para os problemas nas grandes cidades. Temos uma nova forma de olhar a bicicleta”, afirma Maciel.

O diferencial da empresa Evolux, por exemplo, é o design e o resgate do modo de pedalar do passado – uma única marcha e freio contra o pedal.

As bicicletas artesanais foram criadas pelos sócios Joildo Clemente, o Joji, e Cedric Kessuane, que cuidam da parte criativa. A chegada de Ernani Martins Júnior, responsável pela administração, e de Alexandre Haidu (produção) trouxe recentemente profissionalismo à marca.

No último ano, os sócios investiram R$ 100 mil para a formatação do negócio, que vende 30 bicicletas por mês. “Queremos estruturar e dar um passo de cada vez”, diz Júnior.

Diferente. Já a Brasil e Movimento quer explorar o uso do produto como transporte público. Formada por empresários brasileiros e a Movement, de Barcelona, a empresa investiu R$ 5 milhões e instalou estações de bicicletas em Campinas e São Caetano do Sul. O modelo de negócio é simples.

O usuário usa a bike de graça por um período e o serviço é subsidiado pelo poder público ou por uma empresa interessada em divulgar sua marca. “Estamos em uma fase necessária de investimento em estrutura e composição de portfólio. Esperamos pelo menos dez licitações este ano para instalação do sistema em outras cidades”, afirma o diretor-presidente da empresa, Renato Frison. A expectativa é faturar até R$ 30 milhões.

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