Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Parques de diversões procuram meios para sobreviver atualmente

Preço alto do aluguel de espaços faz com que as empresas do setor procurem cidades menores para lucrar

Renato Jakitas, Estadão PME,

18 de dezembro de 2013 | 06h50

Não são apenas os comerciantes ou pequenos incorporadores que enfrentam apuros com a valorização dos terrenos nas principais praças pelo Brasil. Para fugir da pressão imobiliária, donos de parques de diversões itinerantes têm colocado suas atrações para excursionar por cidades de pequeno e médio portes no País. A ideia é buscar alternativas longe das capitais e, assim, assegurar margens que se não são polpudas, ao menos mantém a sobrevivência desses empreendimentos.

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Vanessa Costa, do Moreno’s Park e do Yupie Park, é um bom exemplo desse comportamento. Ela está no comando do negócio lançado há 69 anos pelo avô na cidade de São Paulo. Com cerca de 13 destinos diferentes ao longo do ano, ela não monta o parque na capital paulista desde 2009, quando os preços dos aluguéis começaram a comprometer a operação.

“Estar em São Paulo é impossível. O mercado tem muita demanda, mas os bons terrenos que não foram vendidos para igrejas ou concessionárias de automóveis não se encaixam em nosso orçamento. A gente até montou o parque em um shopping center na zona leste no passado, mas agora essa opção não é mais possível”, analisa Vanessa, que fatura cerca de R$ 2,5 milhões por ano com os dois empreendimentos.

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“A gente viaja atualmente para cidades médias como Maringá, Bauru e Porto Alegre. Para pegar o público de São Paulo, montamos o parque no Shopping Taboão, em Taboão da Serra, e fazemos o verão em Praia Grande e Mongaguá, onde chegamos a receber mais de um milhão de pessoas”, afirma.

O Parque Tupã, com atuação concentrada no Sul do País, é outro que tem reduzido sua agenda em grandes praças para faturar em cidades com até 150 mil habitantes. O casal Hugo e Jerusa Mayer, que ingressou na área há 36 anos com uma barraca de tiro ao alvo, administra hoje em dia três operações com receita anual que chega a R$ 70 milhões. Mas a despeito desses números, eles afirmam que é preciso jogo de cintura para fechar as contas no azul. “Os custos fixos são altíssimos. A gente investe muito em manutenção, mas isso é do negócio. O que é difícil mesmo são os gastos imobiliários”, explica o diretor André Martins.

“Em Curitiba e Porto Alegre a gente paga R$ 40 mil por mês de aluguel em uma área que usamos 15 mil metros quadrados. Em Florianópolis é um pouco menos, R$ 20 mil, mas a gente pagava R$ 5 mil em Florianópolis há cinco anos e R$ 8 mil em Curitiba”, revela Martins.

Para resolver esse problema, o paulista Rodger Augusto, do Coney Island Park, decidiu radicalizar. Acostumado a viajar para cerca de 35 destinos por ano entre a década de 1990 e início do ano 2000, há dez anos ele faz apenas eventos recorrentes no interior de São Paulo, norte de Minas Gerais e do Paraná. Entre feiras e aniversários de cidades, são no máximo nove destinos a cada 12 meses. O empreendedor procura compensar com a diversificação de portfólio a queda do faturamento.

“A gente tem operações fixas dentro de shoppings, com a marca Parque do Gorilão, e algumas operações de boliches, também no interior de São Paulo”, diz Augusto, a terceira geração na condução do parque lançado na década de 1940. “Há mais ou menos 15 anos eu percebo essa mudança no mercado e venho preparando a empresa para essa redução de destinos. Acho que estamos absorvendo bem o impacto do novo momento.”

Segundo dados coletados pela Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil (Adibra), existem oficialmente pelo País 48 empresas itinerantes no setor, com faturamento de R$ 110 milhões registrado durante 2012. Extraoficialmente, contudo, esse número pode chegar a pelo menos 100 empreendimentos.

:: Resumo do setor ::

Negócios de família lançados há duas, três gerações, os parques representam um empreendimento difícil de administrar, com altos custos envolvidos e deslocamentos constantes pelas pequenas e médias cidades espalhadas pelo País.

Custo fixo alto

O faturamento pode ser muito interessante, mas o desembolso com deslocamento e manutenção come boa parte da receita.

Impostos de importação

Importados, os equipamentos são listados como bens de consumo e não de capital. Com isso, a carga tributária chega a 75% do valor.

Disputa acirrada

Não existem hoje tantos negócios quanto há dez anos. No entanto, o setor sofre com forte concorrência, sobretudo dos shoppings.

Desembolso milionário

Iniciar um parque demandará cerca de R$ 7 milhões. A saída é o aluguel de equipamentos. Há fabricantes europeus especializados nisso.

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