Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Parcerias movimentam R$ 4,5 bilhões em negócios

Programa ajuda 19,5 mil micro e pequenas empresas e as inseriu na cadeia de valor de grandes companhias

Gisele Tamamar, Estadão PME,

12 de maio de 2014 | 06h48

As parcerias para a inserção de pequenos empreendimentos na cadeia de valor de grandes empresas já movimentaram R$ 4,5 bilhões em negócios entre 2008 e 2013, segundo estimativa do Sebrae. O programa de encadeamento produtivo da entidade conta com 116 projetos, que já beneficiaram 19,5 mil micro e pequenas empresas.

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Na avaliação do presidente do Sebrae, Luiz Barretto, o potencial de crescimento é grande, mas ainda existe uma barreira muitas vezes intransponível – o grande empresário acha que o pequeno não é capaz e ele, por sua vez, não reconhece nessa parceria algo possível de ser alcançado pelo seu negócio.

“Elas são concorrentes em alguns momentos, mas podem ser complementares e ter uma relação cooperativa. O programa é uma forma de ampliar o mercado para as pequenas e ao mesmo tempo enfrentar o principal desafio do Brasil, que é a produtividade”, diz Barretto.

Até começar a frequentar os cursos promovidos pelo Sebrae, em 2008, nunca tinha passado pela cabeça do empresário Hebert José França fazer negócios com grandes corporações. Dono da Sudpar, um pequeno comércio de parafusos e ferramentas do Espírito Santo, França aprendeu o caminho e passou a buscar parcerias.

Atualmente, 40% dos clientes são grandes empresas – elas responderam por 60% do faturamento de R$ 1,2 milhão registrado no ano passado. “Relacionamento é tudo. É olho no olho, os compradores querem conhecer a empresa com a qual vão fazer negócios. Sempre participamos de rodadas de negócios”, conta.

Já a empresa Jevin foi criada especificamente para atender a Petrobrás nas compras de pequenos valores, como caixas de lâmpadas e fusíveis. Há 15 anos, a estatal era responsável por 90% do faturamento do empreendimento. Hoje, esse porcentual é de 20%.

“Não somos dependentes de apenas um cliente. É importante conhecer o mercado. Diversas empresas da área de petróleo e gás chegaram ao País e fomos atrás de informação para fazer negócios”, afirma o empresário Guilherme Capistrano Cunha, que é sócio da empresa com os tios João Horácio e Evandro Cunha.

A empresa, com escritório em Macaé (RJ) e Vila Velha (ES), resolveu focar na área de telecomunicações – a Jevin aluga rádios para comunicação das equipes nas plataformas de extração de petróleo e também realiza projetos para implantação do sistema de comunicação via satélite.

“Sempre tem oportunidade, mas é preciso entender onde está o mercado. No Rio de Janeiro, toda semana tem evento relacionado ao petróleo. Você precisa criar um relacionamento. Ninguém vai te ver dentro do escritório”, destaca Cunha. A Jevin faturou R$ 24 milhões no ano passado. Na carteira de clientes, 10% das empresas são grandes e respondem por 60% do faturamento.

Debate. O assunto será tema do Encadear, evento promovido pelo Sebrae nos dias 21 e 22, em São Paulo. “Vejo a questão do encadeamento produtivo como uma boa ideia para que a inovação e novos ensinamentos sejam efetivamente implantados. A discussão não fica só na teoria”, afirma o diretor da M. Dias Branco, Luiz Eugênio Lopes Pontes, executivo que vai participar do evento. 

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