Ayrton Vignola/ AE
Ayrton Vignola/ AE

Para fundador da Arezzo, cliente precisa se apaixonar pela empresa

Anderson Birman diz que o empreededor deve ter como objetivo satisfazer o consumidor

Ligia Aguilhar, do Estadão PME,

31 de outubro de 2011 | 07h01

Queridinha do público feminino, a marca de sapatos Arezzo começou fazendo calçados para homens. “Produto para homens não tem escala, porque para eles basta ter alguns pares de sapato. No entanto, que mulher que não precisa de pelo menos uns 70 pares de sapato?”, brinca o fundador do negócio, Anderson Birman.

A empresa, que hoje tem faturamento anual estimado em R$ 700 milhões, comemora 40 anos em 2012. O primeiro sucesso da marca foi uma sandália do modelo anabela revestida de juta, que ganhou fama nacional em 1979. Desde então, a empresa cresceu muito e lançou inclusive novas marcas no mercado. A grande virada aconteceu em 1990, quando Birman fechou a fábrica da empresa, em Belo Horizonte (MG), e ficou apenas com a marca Arezzo e uma loja na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Essa arriscada aposta no varejo acabou resultando na consolidação definitiva da marca no mercado.

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Hoje, o grupo Arezzo  é composto de outras marcas, como a Schultz, que vende sapatos com apelo fashion, a Alexandre Birman, focada no mercado de luxo, a Uomo, grife de sapatos masculinos, e a Ana Capri, aposta da empresa para conquistar o público mais popular. “Essa é nossa marca mais acessível e democrática em preço, focada no conforto dos sapatos sem salto”, explica. Já existem seis lojas da marca Ana Capri em São Paulo e, até o fim do ano, a intenção é chegar a oito. “Estou entusiasmado. Esse negócio é o bebê do grupo e tem potencial para muito crescimento”, diz. Se o sucesso se concretizar, o plano é abrir franquias.

Apesar da aposta na diversificação, Birman garante que o sucesso da empresa está baseado no foco e na conquista do consumidor. “Empresa nenhuma cresce se o consumidor não for apaixonado por ela. O importante é desenvolver e produzir produtos pensando em satisfazer o consumidor”, diz.

É por esse motivo que o processo de abertura de capital da empresa preocupou tanto o empresário. “Eu não me arrependi em momento algum de fazer o IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações), mas é um processo que tende a tirar o foco da empresa e tornar o empresário um player do mercado financeiro”, diz. “O lado positivo é que você precisa ter uma disciplina muito maior para atender todos os requisitos e não perder o foco na essência da empresa.”

Recentemente, a empresa esteve envolvida em uma polêmica ao lançar uma coleção composta por produtos feitos de pele de animais. A iniciativa gerou uma campanha de boicote da marca no Twitter , episódio que levou a empresa a retirar todos os produtos do mercado. 

Birman, diz que já cometeu muitos erros na sua história, mas considera um dos maiores ter investido na abertura de lojas na China, em 2007, em parceria com um grande grupo varejista local. “Nós não fizemos um estudo aprofundado do que era necessário para essa operação e nos deixamos levar pela motivação do nosso parceiro”, conta o empreendedor.  Em 2010, após enfrentar todo tipo de problemas, todas as 11 lojas abertas até então foram fechadas.

O foco da Arezzo hoje é no mercado interno, mesmo estando presente em Portugal, Venezuela, Bolívia, entre outros países. Ainda assim, o empreendedor recomenda que as empresas interessadas na internacionalização de suas marcas aproveitem o momento de crise na economia da Europa e dos Estados Unidos para entrar no exterior.

As tomadas de decisão de Birman costumam ocorrer durante as corridas diárias na esteira. “É nesse momento que eu penso e elaboro as melhores propostas”, conta. O problema é que na maioria das vezes a decisão era implementada tão logo ele deixava o exercício. Com a abertura de capital, o empresário diz ter ficado mais disciplinado. “Hoje, quando eu tomo uma decisão na esteira, tenho que discutir a viabilidade dela com minha equipe, para levar ao conselho e só então colocar em prática”, explica. “Apesar de mais burocrático, esse processo torna nossas decisões mais assertivas”, diz.

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