Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Para fugir da bolha, clube de assinatura mira conveniência no Brasil e espera crescer

Já são pelo menos 116 empresas em todo o País e o desafio de todas elas será superar o modismo, tão comum na internet

Renato Jakitas, Estadão PME,

19 de dezembro de 2012 | 07h40

A necessidade de inovar no comércio online lança e sepulta tendências rapidamente. Foi assim com os sites de leilão virtual, hoje quase esquecidos, e também com as páginas de compras coletivas – poucas empresas resistiram após o ‘boom’ de lançamentos nos últimos três anos.

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Agora, a bola da vez está com os donos dos clubes de assinatura. O negócio virtual vende uma espécie de plano que garante o envio regular de produtos mediante o comprometimento financeiro mensal do consumidor. Com um sortimento que vai de cueca a lente de contato, o segmento contabiliza 116 empresas no Brasil, segundo levantamento realizado por empresários que atuam no setor.

Em sua maioria, são empresas que mal completaram um ano de vida. Mas que, segundo especialistas, investidores e consultores, tendem a ganhar espaço a medida em que apontam o modelo de negócio para a conveniência, principalmente com a venda de produtos que atendem necessidades cotidianas – água, cartucho para impressoras ou ração para cachorros, por exemplo.

Tradicional. O modelo, aliás, não chega a ser uma novidade no varejo. Em 1934, a Harry & David, produtora norte-americana de frutas, já entregava caixas de peras pelo correio a uma lista regular de clientes previamente cadastrados. Na época, essa foi a alternativa encontrada pela empresa para driblar a depressão econômica dos anos 1930, que varreu dos Estados Unidos os empresários responsáveis pela distribuição de produtos in natura.

Mais de oito décadas depois, não só a companhia continua em operação, como o carro-chefe da empresa é um clube de venda de frutas pela internet, com entrega em todo o território norte-americano.

Aqui no Brasil, o paulista Adriano Ferrari desconhecia a história da Harry & David. O empresário decidiu atuar no setor motivado por pesquisas, como a realizada pelo instituto Gartner. O levantamento mostra que 40% das empresas virtuais lançarão algum tipo de assinatura até 2015.

Ferrari começou o seu serviço no ano passado. O empreendedor conta que investiu R$ 200 mil na criação da Maná Frutas, que tem como foco o mercado corporativo (empresas que oferecem as frutas como benefícios aos colaboradores).

Até o primeiro trimestre de 2013, porém, o empreendedor planeja estrear seu clube na internet, dessa vez de olho no consumidor final. “Nós já fazemos subscrição com as empresas. Agora, queremos vender direto para os funcionários de companhias que não são clientes da gente”, diz Ferrari. Ele entrega três mil frutas por dia em São Paulo e cada produto custa em média R$ 1,50.

Bruno Ballardie é outro que aposta nesse mercado como estratégia de consolidação. Sócio de uma ótica online, a eÓtica, em outubro último ele recebeu um aporte do fundo Kaszek Ventures e do investidor-anjo Kai Schoppen para colocar no ar o seu Clube da Lente, que oferece assinaturas de lentes de contato.

“O usuário tem de trocar a caixinha de lentes a cada três meses, em média. No nosso sistema, a pessoa recebe um pouco antes de expirar o prazo”, afirma Bruno. “Fazia todo sentido para o consumidor. Para nós, fazia muito mais. Com a assinatura, o cliente fica com a gente por muito tempo e, por isso, organizamos com muita antecedência nossos estoques do mês”, destaca Bruno, que planeja faturar perto de R$ 400 milhões com seu clube. “A gente já tinha essa ideia desde o início e foi o que chamou a atenção dos investidores. Quando eles entraram, queriam que colocássemos isso no ar o mais rápido possível”, afirma. 

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