Renato Jakitas/Estadão
Renato Jakitas/Estadão

Para empresários, brasileiro ainda não entende o que é alimentação saudável

Setor é tema de debate em Encontro PME, que acontece nesta quinta-feira, em São Paulo

Renato Jakitas, Estadão PME,

21 de agosto de 2014 | 10h52

Um mercado promissor e já em plena expansão, mas ainda desconhecido do consumidor de uma maneira  geral. Em suma, essa é a realidade enfrentada pelo empresário que atua no segmento de alimentação  saudável no Brasil.

O nicho, um dos que mais desperta a atenção dos investidores atualmente, é destaque do Encontro PME  que acontece nesta quinta-feira, em São Paulo. O evento reúne no Shopping Bourbon, na zona oeste da  capital, empresários, especialistas e um plateia de empreendedores que debatem os rumos do setor no  País.

O primeiro módulo tratou dos desafios de quem atua com alimentos orgânicos. Para tanto, reuniu David  Relitera, proprietário do Santa Adelaide Orgânicos, uma fazenda que trabalha com o cultivo de  produtos no interior de São Paulo, Leandro Farkuh, idealizador do Bio2, e Ricardo Corrêa, que toca  uma padaria orgânica, a Wheat Orgânicos. Em comum, eles concluíram que o sucesso da categoria passa  por investir na atenção ao consumidor, sobretudo aquele que ainda não compreende o que difere um  produto convencional, do orgânico.

"Este é um mercado em formação. Precisa sentar, conversar, contar a história. A gente tem de falar  da origem e conectar o prato ao campo, isso para que o consumidor possa perceber o que está levando  como experiência. Tem um fio que une nosso setor e esse fio vai dar lá na natureza", explica Ricardo  Corrêa.

O segundo módulo tratou de uma nova tendência entre os adeptos de hábitos naturais, os sucos  saudáveis. Gustavo Siemsen, da Gloops, além de Bianca Franchini, Isabela Ferrantte e Juliana  Henrique, sócias da Uuulálá, trataram das conquistas e também relembraram as agruras de que  sobrevive nesse setor.

"Eu percebo que esse mercado de sucos naturais apresenta todos os desafios de que está começando uma  categoria. Mas ele representa um hábito de consumo que considero irreversível, o que nos dá toda uma  perspectiva interessante para o futuro", observa Gustavo Siemsen, que criou um suco natural  gaseificado. "É suco de verdade, com gás. É um produto que tem toda as características positivas do  suco de fruto de verdade, com o gás que é tão apreciado no refrigerante", vende o empresário, que  por cinco anos foi diretor de marketing da Pepsi do Brasil, até que concebeu o projeto da Gloops e  passou a empreender.

Quem concorda com a tendência de expansão irreversível do setor é Isabela Ferrantte, sócia da  Uuulálá, uma empresa paulista que tem feito sucesso com a venda de sucos Dentox. "A gente acha que  esse mercado não vai parar mais de crescer. O segredo é conseguir resolver alguns dos problemas que  são inerentes ao meio", diz.

Por problemas inerentes, ela se refere, por exemplo, à logística de distribuição dos produtos,  altamente perecíveis. "Nosso produto tem prazo de validade de três dias. O que fizemos para  equilibrar isso foi apostar em uma versão congelada. Hoje 95% de nossa produção é congelada", conta. 

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