Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Para cada duas startups, existe um investidor-anjo no Brasil

Segundo fundadores da Buscapé e do Buy2Joy, no entanto, para chamar atenção no setor empresário deve priorizar a agilidade ao plano de negócios

Renato Jakitas, Estadão PME,

19 de outubro de 2012 | 11h35

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, para cada duas empresas da área, existe pelo menos um investidor-anjo em atuação no País. Contingente que, apenas nos últimos dois anos, realizou pelo menos 200 aportes expressivos em capital de risco. Na média, as cifras giram em torno de R$ 500 mil. Mas, vistas uma a uma, variam entre R$ 20 mil e R$ 1 milhão.

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Por isso, com faturamento estimado em R$ 100 milhões ao ano, as empresas de tecnologia para internet representam o fator novo na economia nacional. Um mercado literalmente em ebulição e que está, ao que tudo indica, apenas no começo de sua história de sucesso.

Essa percepção é também a compartilhada pelos empresários Rodrigo Borges, que ajudou a criar o Buscapé Company, e Flávio Antônio da Costa Filho, da consultoria Buy2Joy. Eles abriram o ciclo de debates do 3º Encontro Estadão PME, que ocorreu na segunda semana de outubro em São Paulo.

Além de abordar o futuro das empresas de internet no Brasil, os dois destacaram as particularidades do canal. Entre os destaques, afirmaram que se a inovação é o principal capital envolvido no setor. A agilidade entre a concepção da ideia e a entrega do produto, disseram, é o que determina o sucesso da empreitada.

“Eu acho que cada negócio é um negócio. Se você for abrir uma mineradora, um hidrelétrica, existe muito dado disponível no mercado para montar um plano de negócios. Mas quando se cria uma coisa que nem você sabe direito o que é, não sei”, afirmou Rodrigo Borges.

O empreendedor entende do que fala. Ainda na década de 90, e com a ajuda de amigos, investiu R$ 100 na criação do site de comparação de preços Buscapé e, dez anos depois, fechou acordo com um grupo de investidores que pagou US$ 342 milhões por 91% do negócio. “Fazer o produto e ver se o mercado vai aceitá-lo é mais barato do que montar um ‘business plan’ e, com ele, prospectar o setor”, analisa Borges. Funcionou com o Buscapé e faz sentido para a leva de startups em funcionamento no País.

De acordo com dados da entidade que as representa, são 10 mil empresas deste tipo no País atualmente. E o mercado deve dobrar de tamanho até 2014.

Flávio da Costa Filho concordou com Borges. Dono de uma pequena empresa especializada em sistemas de implantação e apoio estratégico às operações de e-commerce, o empreendedor, no entanto, ressalta que a ausência de um plano de negócios não deve ser traduzida como desorganização.

“Você não pode ficar parado com a ideia na cabeça. No entanto, tem que fazer acontecer com os recursos que você tem e da maneira mais bem planejada possível”, pontuou. “Uma ideia, apesar de fantástica, precisa ser analisada para ver, com o pé no chão, quais as condições necessárias para que ela aconteça, para que possa ser capitalizada”, conclui.

Estímulos. A dupla de palestrantes também analisou o crescimento das pequenas empresas no Brasil, onde alguns anos atrás pouco se produzia – em processos e produtos – no campo da tecnologia digital. Tanto para Borges quanto para Flávio, isso explica-se pelo amadurecimento do empreendedorismo no País – já se abre uma empresa mais por oportunidade do que por alguma necessidade, como o desemprego.

Além disso, a exposição dos mais jovens a casos de sucesso no exterior também contribui com o atual movimento de criação de negócios.

“A gente está em um ambiente que nos dá estímulos todos os dias. Estamos sempre acompanhando grandes ideias transformando-se em grandes empresas. Isso motiva oportunidades de se tornar independente, construir sua própria vida, seguir o próprio rumo”, analisa Flávio.

Para Borges, inclusive, o crescimento do empreendedorismo é irreversível no Brasil e isso não deve mudar mesmo se o País enfrentar, por exemplo, uma severa crise econômica. O criador do Buscapé baseia sua opinião no fato de se criar por aqui atualmente uma cultura empreendedora, algo que já ocorreu anteriormente nos Estados Unidos.

Investidores. Outra explicação para o aquecimento no mercado de tecnologia nacional, segundo Borges e Flávio, está no apetite dos investidores brasileiros e estrangeiros, que passaram a observar com maior atenção a economia nacional.

“Ao lado do amadurecimento dos empreendedores, com as pessoas deixando de ter uma carreira em uma empresa para começar seu próprio negócio, de 1998 para cá houve uma mudança importante: a chegada das empresas de venture capital, ajudando o empresário a viabilizar seu sonho”, lembrou Borges.

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