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Para aumentar renda, brasileiros apostam no artesanato

Maior feira do segmento da América Latina deve atrair 100 mil pessoas em julho; estudo aponta que artistas e artesãos, em sua maioria, são trabalhadores informais

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2017 | 13h00

Originalidade, diversidade e criatividade são marcas do artesanato brasileiro. Não por acaso a maior feira do setor, a Mega Artesanal, projeta receber neste ano um público estimado em 100 mil visitantes entre os dias 11 e 16 de julho, em São Paulo. O evento, considerado o maior do segmento na América Latina e único a cobrir toda a cadeia - do artesão informal à indústria-, reflete também um movimento expressivo de pessoas que encontram no artesanato um complemento de renda em tempos de emprego escasso.

Mercado potente. Com 14 milhões de desempregados no Brasil, o trabalho manual e o artesanato são caminhos rápidos e econômicos para quem empreender ou apenas aumentar o orçamento de casa. É o que aponta um estudo inédito realizado pelo Clube de Artesanato, maior comunidade online de artistas e artesãos do país, durante os meses de maio e junho. Das 3.649 pessoas que participaram do levantamento, apenas 17,7% estão formalizadas como microempreendedor individual (MEI), 45,8% disseram que não têm interesse em se registrar e 21,5% que não saem da informalidade porque não têm incentivos do governo e nem como arcar com os custos altos de uma empresa.

O estudo ajuda a corroborar a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que identificou aproximadamente 8,5 milhões de brasileiros sustentando o lar fazendo artesanato, um movimento de R$ 50 bilhões por ano fomentados por artistas e artesãos e, principalmente, que o artesanato está presente como atividade econômica em 78,6% dos municípios brasileiros.

“Nossa pesquisa mostra que 65% dos entrevistados nunca procurou o Sebrae para tirar dúvidas sobre como empreender na área e apenas 24% fez algum curso de gestão financeira”, conta Lucas Ferreira, gestor de Marketing da PH FIT, dona da marca Fitas Progresso e idealizadora do Clube de Artesanato, responsável pelo estudo.

Ainda de acordo com a pesquisa, em 63% dos lares há apenas uma pessoa com trabalho fixo e, em momento de crise, as artes manuais e o artesanato ajudam 56% dos entrevistados a aumentar a renda. Além disso, 31% sustentam entre duas e quatro pessoas com os ganhos obtidos a partir da venda das peças.

A pesquisa deste ano ainda revela que 48% dos artistas e artesãos brasileiros enfrentam dificuldades para atrair compradores e  42% têm dificuldade divulgar seus trabalhos (42%) e precificá-los.

 

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