Sergio Neves/AE
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Para analistas, inflação deve confirmar tendência de aceleração

A retomada da alta no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) na segunda prévia de janeiro já preocupa os especialistas

Maria Regina Silva, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2012 | 14h20

A retomada da alta no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) na segunda prévia de janeiro preocupa analistas consultados pela Agência Estado, já que reforça a expectativa de aceleração da inflação no atacado e também ao consumidor neste  começo de ano. Isso porque, além do encarecimento dos alimentos, muito comum nesta época do ano, o efeito dos preços de Educação - que já está pressionando os IPCs - só terá reflexo em fevereiro sobre o IPCA.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que a segunda medição deste mês do IGP-M subiu 0,22%, após cair 0,07% em igual prévia de dezembro. O resultado veio dentro das estimativas dos profissionais do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que iam de alta de 0,05% a 0,30%. A taxa efetiva, no entanto, ficou acima da mediana positiva de 0,20% encontrada no levantamento.

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Com base no dado, o economista-sênior da CM Capital Markets, Maurício Nakahodo, acredita que os preços vão continuar pressionados, com o IGP-M entre 0,30% e 0,35% no encerramento do mês. "Ainda não temos o número fechado para janeiro, porém como tendência acreditamos que o IGP-M não irá se desacelerar ainda neste momento, em virtude dos preços agrícolas, que devem continuar pressionados neste mês, e também em função dos preços ao consumidor, puxados por alimentação. Além disso, educação vai impactar a inflação em janeiro e fevereiro", afirmou ele, que previa expansão de 0,16% na segunda prévia de janeiro do IGP-M.

No médio prazo, porém, o economista da CM Capital Markets acredita que há chances de arrefecimento dos preços, mas isso, conforme ele, estaria condicionado a dois fatores: câmbio e crescimento menor da economia mundial. "Possivelmente, no segundo  trimestre pode haver uma leve desaceleração do IGP-M, caso haja um recuo dos preços de commodities no mercado internacional (influenciado pela desaceleração econômica global), e dependendo também da taxa de câmbio", avaliou. Nakahodo, no entanto, não  trabalha com um cenário de forte valorização do real ao longo do ano.

A alta de 0,22% na segunda prévia de janeiro do IGP-M também superou a estimativa do Banco Santander, que esperava variação positiva de 0,10%. " A alta veio como resultado do avanço nos preços das principais commodities agrícolas, como soja (3,32%) e  milho (3,28%), quando olhamos os preços no atacado (IPA Agropecuário). Os custos da construção civil também seguem pressionados pelos reajustes salariais do Nordeste", aponta relatório da instituição enviado à imprensa e a clientes.

De acordo com a FGV, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou, no segundo decêndio de janeiro, variação de 0,60%, enquanto a inflação do custo da mão de obra ficou positiva em 0,86%.

A aceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para 0,81% na segunda medição de janeiro do IGP-M, ante alta de 0,59%, preocupa os economistas do Santander, dado que o indicador ainda não reflete todo o efeito do aumento dos preços do setor de  Educação.

"Ao analisarmos o IPC, vemos forte aceleração na inflação do grupo de Educação (de 0,38% para 1,88%), o que causa preocupação sobre o resultado de outros índices de preço ao consumidor, como o IPCA, que deve mostrar o efeito dos reajustes das  mensalidades escolares nas leituras de fevereiro", de acordo com o Santander.

Na Tendências Consultoria Integrada, os economistas, em sua publicação on-line, também ressaltam que a alta nos preços agropecuários na segunda medição de janeiro (de -0,77% para +1,30%) é uma tendência e deve continuar pressionando os IGPs nos próximos  meses.

De acordo com a Tendências, a alta de 0,22% no IGP-M do segundo decêndio de janeiro - acima da sua estimativa de expansão de 0,10% - sinaliza forte viés de aumento do indicador no encerramento do mês, embora a consultoria ainda não tenham calculado a  previsão. Ainda assim, a instituição acredita que o IPA industrial (que passou de -0,24 para -0,52%) deverá limitar alta mais expressiva do IGP-M.

"Embora devam mostrar alguma recuperação ao longo do mês, os preços industriais deverão impedir taxas de inflação mais elevadas neste começo de ano, sob especial influência da queda ainda significativa do minério de ferro (de -6,68 para -5,66%)", escreveram os economistas da Tendências Alessandra Ribeiro e Thiago Curado.

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