Evelson de Freitas
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Papai Noel empreendedor lucra até R$ 100 mil por ano

Conheça os empresários que faturam vestidos de 'bom velhinho' no período do Natal

Renato Jakitas, Estadão PME,

24 de dezembro de 2013 | 08h56

O Natal é só amanhã, mas Élio Lazzaroto, que ganha a vida como Papai Noel no Brasil, já considera concluída a sua agenda pública de compromissos desde o último domingo, 22. O microempresário pretende passar o dia de hoje com a família para começar a aproveitar merecidas férias após uma maratona de 84 apresentações, 36 a menos que sua média para o período. Quando o Natal terminar, o empreendedor terá colocando um ponto final em uma rotina que teve início no dia 19 de novembro e que lhe rendeu R$ 600 mil em dividendos, sendo R$ 100 mil de lucro. 

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O resultado financeiro obtido em novembro e dezembro será usado por Lazzaroto para saldar as dívidas, viajar e se divertir no período de entressafra, que para ele vai do início de janeiro e se estende até o término de outubro. 

"Pode parecer pouco para uns, mas para mim esse dinheiro é mais do que eu poderia esperar", confessa o catarinense da pequena São Lourenço do Oeste, que desde 2009 tem a patente da marca Papai Noel do Brasil. "Eu não tenho nem o ginásio e comecei nesse negócio de Papai Noel no susto. Ter uma renda mensal de R$ 8 mil com o trabalho de dois meses é uma bênção", diz ele, que tem CEP nos Correios para receber cartinhas, que chegam de todo o Brasil e que ele diz responder uma a uma com o apoio de uma equipe de 16 'duendes' contratados exclusivamente para a temporada.

"Eu tenho esses 16 funcionários que me ajudam muito. Eles respondem as cartas mais tranquilas, mais comuns, e encaminham os pedidos para empresas parceiras e entidades de caridade, que costumam dar os presentes. Quando o pedido envolve questões mais delicadas, como maus-tratos, sofrimento, dai sou eu que respondo diretamente", afirma.

Élio Lazzaroto vestiu a calça e o casaco vermelho de Papai Noel pela primeira vez em 1982, quando foi convidado por um grupo de empresários para animar uma festa com 300 crianças. Gostou da atuação e no ano seguinte procurou os contratantes oferecendo-se para repetir a performance. Prossegui assim, de maneira quase amadora até 1999, quando deixou a barba crescer pela primeira vez. 

Em 2000, já eram 41 eventos. Foi quando o negócio decolou. Literalmente. "Eu contratei um helicóptero e, desde então, vou de um lugar para outro sempre com ele, chegando na hora exata do evento, no lugar marcado. Desço, agradeço os contratantes, geralmente a prefeitura, e falo por uns 12 minutos, sempre lembrando que o verdadeiro aniversariante não é o Papai Noel, mas Jesus. É uma festa".

Sem a pompa do helicóptero, quem também vive basicamente do Natal para pagar as despesas do ano é o paulista Jorge Occhiuzzio, dono da agência Papai Noel Brasil. Ator profissional, ele abriu o negócio há três anos, por não suportar a demanda de clientes, antes centrada em sua atuação única. "Tenho grandes empresas que me contratam para eventos de Natal. Daí, comecei a terceirizar as demandas de clientes menores e algumas famílias que cotavam com minha participação em festas particulares.

Com um staff de 150 papais noéis, Occhiuzzio é mais reservado que Élio Lazzaroto e não abre os números de sua operação. Revela, no entanto, que cobra de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil por performance, que dura poucas horas. "Eu apenas não faço shoppings, que é um outro mercado. Mas temos muito trabalho nessa fase. Comecei este ano dia 3 de novembro e vou parar só quando a demanda acabar. Se tiver trabalho dia 26 e primeiro de janeiro, estamos lá", afirma.

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