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Paletas mexicanas fracassam também na Dinamarca

Empresário brasileiro que vende dez toneladas de pão de queijo por mês tentou comercializar os picolés no país nórdico, mas foi derrotado pelo inverno rigoroso

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2016 | 05h00

O plano de negócio do empresário brasileiro Marcos Vinícius Ferreira, de 43 anos, parecia perfeito. Após fazer sucesso na Dinamarca vendendo pão de queijo e outros alimentos relacionados à cultura brasileira na empresa Hr Ostebrod, o carioca morador de Copenhagen há dez anos decidiu lançar no país nórdico aquela que, no momento, era a maior febre do mercado brasileiro: a paleta mexicana. 

Após meses de estudo de mercado para viabilizar a fabricação do picolé por lá, finalmente Vinícius encontrou o seu formato ideal. Colocou nove freezers e uma bicicleta carregadas de paletas para rodar pelos parques da cidade e escolheu as estações mais quentes, entre maio e setembro, para inaugurar sua empreitada. Ele chegou a vender 4 mil picolés em dias ensolarados, o que o fez acumular um faturamento de aproximadamente R$ 100 mil por fim de semana.

Porém, o imponderável apareceu. O verão chuvoso deste ano fez com que o consumo se tornasse irregular a ponto de o negócio deixar de ser vantajoso. "O maior adversário do meu negócio é que o verão aqui é muito inconstante. E se não tem sol, eu não consigo vender sorvete", comenta Vinícius. "Infelizmente, eu não contei com a realidade do comércio de rua. Foi um erro no projeto", avalia agora o empresário, que colocou 51  mil euros no negócio. Ele garante que o investimento já se pagou e tenta, agora, levantar algum lucro até setembro, quando deve retirar os carrinhos das ruas.

A ideia de levar México para a Dinamarca apareceu para o empresário pela dica de um amigo que vive no Brasil. "O consumidor dinamarquês não absorve produtos com apelo de nacionalidades, como a paleta mexicana, o pão de queijo brasileiro", avalia.

Trajetória. Quando o brasileiro Marcos Vinícius Ferreira, de 43 anos, começou a vender pão de queijo na Dinamarca o público-alvo era o brasileiro com saudades da comida da terra natal. Isso há cerca de sete anos. Aos poucos, ele vem quebrando a barreira do hábito de consumo dos europeus e projeta terminar o ano comercializando em média 30 toneladas do produto por lá e em países vizinhos.

O pão de queijo entrou na vida do empresário quando ele conheceu uma brasileira, que fazia o produto, e ele então decidiu aprender a fazer o salgado. O pão de queijo começou a fazer sucesso, ele contou com a ajuda de um amigo que trabalhava na empresa de trem da região onde moravam para fazer as entregas de AArhus até Copenhaguen durante as paradas nas estações. "Ele sabia o horário de todas as paradas e eu já deixava tudo agendado no dia anterior", conta.

Com o crescimento da empresa, Ferreira decidiu investir em novos produtos e mudar-se para Copenhaguen com a segunda mulher, Olga Somova, que é russa. Hoje, além da empresa de alimentação, o empresário tem uma agência de publicidade e uma consultoria.

 

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