JF Diorio
JF Diorio

Paixão nacional em forma de negócio

Clubes licenciam marcas que expandem por meio de franquias

Estadão PME, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 07h00

Há alguns anos, a paixão do brasileiro pelo futebol fomenta o aparecimento crescente de redes franqueadas que comercializam produtos associados aos times. É comum que os clubes que licenciam as marcas não tenham ligação direta com essas lojas, porém, a imagem da agremiação e de jogadores mais conhecidos, que chegam a promover lançamentos nos pontos de venda, é diretamente atrelada ao faturamento das unidades. 

No caso desses negócios, o humor da economia do País e sua influência nas movimentações do varejo não são os únicos fatores responsáveis pelo volume de vendas. O desempenho dos times é determinante para despertar o desejo de consumo. O ponto positivo para esse tipo de negócio é que a sazonalidade não envolve apenas o calendário usual do brasileiro, mas também outras datas que fomentam o impulso do torcedor, como a realização de campeonatos e comemorações promovidas pelos clubes. 

“Pela própria diversidade de campeonatos no Brasil, esses produtos têm um comportamento próprio. Existe uma agenda de produção de camisetas e acessórios que têm uma dinâmica única”, analisa o diretor de inteligência de mercado da Associação Brasileira de Franchising (ANF), Claudio Tieghi.

O Corinthians encabeçou os primeiros passos dos times em direção ao varejo. Em 2008, o clube fechou contrato com uma franqueadora para o início da rede Poderoso Timão. Por quase dois anos a equipe reinou sozinha, até o anúncio da São Paulo Mania. Em seguida vieram lojas do Vasco e Grêmio. 

Na opinião de Tieghi, apesar de se tratar de uma paixão nacional, a crise também chega às lojas de times de futebol, porém, de forma ainda atenuada. “O cliente está mais retraído, mas esse é o tipo de investimento que está dentro da categoria de pequenas indulgências. O cliente pode estar sem dinheiro, mas a camisa do time ele quer ter”, comenta o especialista. Das marcas atualmente no mercado, pelo menos cinco participarão da ABF Expo Franchising, que começa nesta quarta-feira. Redes como a Poderoso Timão, Academia Store, Santos Store e Fluminense FC passaram a trabalhar não apenas com camisetas, que seguem sendo a principal fonte de faturamento nesses casos, mas também com coleções direcionadas para crianças, ao público feminino e até mesmo à moda fitness. 

Rede mira o fanatismo do torcedor brasileiro 

Para além dos dias que permeiam um clássico do futebol brasileiros como o duelo entre Corinthians e Palmeiras, as redes que vendem produtos de times de futebol têm, cada vez mais, entrado no calendário das efemérides do varejo. Datas como Dia das Mães, dos Pais ou dos Namorados e Natal são vetores de alta no faturamento de unidades franqueadas, enquanto franqueadores buscam ampliar esse alcance com linhas de produtos que abarquem toda a família.

Dessa forma, franqueadoras como a Meltex Franchising, responsável pela operação da Academia Store, do Palmeiras, a Santos Store e a Fluminense FC, apostam na paixão do brasileiro pelo futebol.

“Meu produto está vendido, pois, quanto o cliente chega na loja, ele sabe que vai comprar. E eu preciso ter bons estoques para mostrar para ele”, explica o gerente de expansão da Meltex Franchising, Danilo Verrillo. Atualmente, a empresa tem 35 lojas no Brasil. O Palmeiras, representado pela Academia Store, é a principal operação, com 29 unidades, seguida por Santos Store, com quatro unidades e duas do Fluminense FC. A expectativa é de que a rede finalize o ano com 39 lojas, perspectiva modesta em função da retração econômica que deve perdurar ao longo de 2016. 

O freio no consumo fez com que a empresa investisse também na expansão pelo modelo compacto de quiosques. 

O investimento total para essa modalidade do negócio fica em R$ 150 mil, enquanto a loja convencional pode custar aproximadamente R$ 300 mil para o bolso do investidor. Os custos incluem taxa de franquia, instalação, estoque inicial e capital de giro.

O otimismo da rede se reflete na perspectiva de crescimento e Verrilo planeja aumentar em 30% o faturamento do ano passado até o fim de 2016. A compensação para o varejo retraído é, conforme pontua o gerente, a estratégia agressiva de vendas. “Está na estratégia o treinamento da equipe de vendas de cada loja, que precisa ser extremamente afiada, dominando todo o processo”, comenta Verrilo. “Temos desde a linha para bebês até a fitness feminina. São mais de 500 itens diferentes”, contabiliza

Loja de time encontrou o seu espaço

Após um início pomposo, quando eram vistas como possível salvação para a atração de receitas para os clubes de futebol, as franquias especializadas na venda de roupas, acessórios e presentes de um único time, como a Todo Poderoso Timão, São Paulo Mania e afins, parecem ter se estabilizado dentro de sua fatia de mercado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se essa modalidade de negócios passa distante do sucesso esperado, também não se configurou como um retumbante fracasso.

“Eu não compraria uma franquia dessas para mim. Mas existem negócios interessantes”, destaca o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi, que atua como consultor na área. “A verdade é que os clubes de futebol são um fracasso em ampliar o faturamento com licenciamento de produtos. Todos os clubes brasileiros juntos faturam com licenciamento R$ 150 milhões. Uma equipe da Europa, como Barcelona, Real Madri e Bayer de Munique fatura isso sozinha, por ano e em euros.”

Para Somoggi, esse tipo de empreendimento tem um ponto delicado: as vendas estão associadas ao desempenho da equipe dentro de campo. “Depois do 7 a 1 e essa desclassificação na fase de grupos da Copa América, o brasileiros está desencantado com o futebol”, conta. “Mas se eu fosse investir, eu iria atrás de um clube como Grêmio e Internacional. São equipe com menos torcida, com projetos mais baratos e com resultados tão bom ou até melhores que times grandes do porte de Flamengo e Corinthians”, observa Sommogi.

“Ou quem sabe uma loja do Barcelona? 67% das pessoas de 16 a 24 anos torcem para um time da Europa”, reflete. 

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