Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Pacote para incentivar a indústria reduz taxas de juros para as pequenas e médias empresas

Ficou mais fácil tomar dinheiro emprestado, mas antes de decidir empresário deve avaliar se precisa mesmo do dinheiro

ESTADÃO PME,

04 de abril de 2012 | 12h15

 O Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) reduziu a taxa de juros do programa BNDES PSI, voltado para o financiamento de máquinas e equipamentos. Para micro, pequenas e médias empresas as taxas de juros que eram de 6,5% ao ano passam a 5,5% ao ano.

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Outras medidas anunciadas na quarta-feira pretendem ajudar os pequenos empreendedores. Uma delas é a redução das taxas de juros para o programa Procaminhoneiro. Os juros, segundo o Ministério da Fazenda, caem de 7% ao ano para 5,5% ao ano.

Caminhoneiros, empresários individuais e microempresas podem recorrer a essa linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para a compra de caminhões, chassis, reboques, carretas e carrocerias novos e usados.

Outra linha de crédito ofertada pelo BNDES para pequenos e médios empreenderores sofreu redução de juros. O Progeren agora passa a contar com juros entre 9% e 11,5% ao ano - antes o dinheiro custava entre 10,5% e 13% ao ano. Podem tomar dinheiro emprestado por meio desta linha as micro e pequenas empresas indústrias de transformação e as médias empresas dos setores têxteis, de informática, produtoras de peças e acessórios automotivos, entre outras.

O Progeren tem linhas de crédito voltadas para capital de giro e foi ampliado de R$ 5 bilhões para R$ 15 bilhões.

Se você está pensando em tomar dinheiro emprestado no BNDES deve, antes, estar atento a algumas questões importantes:

1 - Conheça as linhas

O banco tem como principal produto para as micro e pequenas empresas o cartão BNDES. Trata-se de um cartão de crédito com limite pré-aprovado que pode chegar a R$ 1 milhão. Ele permite a realização de compras de produtos e serviços cadastrados em um portal do banco na internet. Todas as operações são feitas online, o prazo para pagamento é de 3 meses a 48 meses e a taxa de juros é uma das menores do mercado – 1%, segundo dados de agosto.

 

Além do cartão, o banco ainda possui linhas de crédito distintas para aquisição de máquinas e materiais, investimentos, capital de giro, exportação e inserção internacional. Algumas permitem, ainda, que o empresário financie conjuntamente um valor como capital de giro.

 

As condições variam de operação para operação, mas o prazo de pagamento de algumas linhas chega a dez anos. Para quem enfrenta problemas em apresentar garantias para os financiamentos, o banco criou também o Fundo Garantidor para Investimentos (BNDES FGI), uma espécie de ‘seguro financiamento’ que pode ser solicitado para reduzir o risco na operação de tomada de crédito. A cobertura pode chegar a até 80% do risco em cada operação e o valor é acrescido ao total emprestado pelo empreendedor.

 

2 - Avalie a necessidade

Por mais interessante que seja, um financiamento bancário não pode colocar em risco a saúde financeira da empresa. Segundo o consultor do Sebrae-SP, Luiz Ricardo Grecco, o principal erro cometido por muitos empreendedores é buscar crédito em situações em que a empresa já está em uma fase financeira delicada.

 

"Normalmente, o empresário procura financiamentos quando ele não encontra mais nenhuma solução. Na ansiedade de resolver rapidamente, ele dificilmente vai encontrar o melhor produto oferecido pelos bancos. Sem tempo para fazer uma análise correta, ele não encontra as taxas mais vantajosas", diz.

 

Por isso, uma avaliação criteriosa da necessidade do crédito ajuda o empreendedor a, inclusive, descobrir quais são as linhas mais interessantes nos bancos tradicionais assim como no BNDES.

 

3 - Busque informação

Com tantas linhas, juros e taxas diferentes, escolher o produto certo para a empresa é uma tarefa difícil. Mas correr em busca do auxílio do gerente do banco pode não ser a alternativa mais acertada. Como cada instituição possui sua próprias linhas de crédito, o empresário que não conhecer as alternativas disponíveis no mercado pode acabar escolhendo a opção errada.

 

“O empreendedor deve saber negociar com o agente financeiro”, diz o gerente da Área de Operações Indiretas do BNDES, Nelson Tortosa. Antes de ir ao banco, o empreendedor pode consultar o site do BNDES, onde há informações específicas sobre cada linha.

 

O banco criou, ainda, o Treina BNDES (www.treina.bndes.gov.br),  um site específico para capacitar os agentes financeiros, mas que também pode ser acessado pelos pequenos empresários.  O banco também disponibilizou agentes treinados que prestam esclarecimentos gratuitamente para os empreendedores nas associações de classe de cada categoria. As informações sobre o atendimento podem ser obtidas diretamente com cada associação e pelo site do BNDES.

4 – Tenha todos os documentos em dia

A informalidade, a falta de cumprimento das obrigações legais e o desconhecimento fazem com que muitos empreendedores tenham dificuldade de ter crédito aprovado junto aos bancos simplesmente por não apresentarem a documentação adequada para análise de crédito.

 

Além dos documentos pessoais básicos e da empresa, os bancos também costumam pedir uma declaração de rendimento dos sócios, cópias dos três últimos balanços e as últimas 12 DARF's relativas ao recolhimento do Simples.

 

No caso do BNDES, a empresa ainda deve comprovar estar em dia com os órgãos e entidades da Administração Pública Federal, não estar inscrito no Cadastro Informativo do Ministério da Fazenda (CADIN) e apresentar as certidões negativas de INSS, FGTS e IR. Nelson Tortosa, do BNDES, recomenda também  que o empresário mantenha seu cadastro atualizado com o banco para facilitar e agilizar o processo de obtenção de financiamento, o que pode levar semanas.

 

5 - Regularidade

Antes de fazer um empréstimo, calcule o tempo de retorno esperado . “Geralmente, as pessoas já contam com o lucro que vão ter com as melhorias e se baseiam equivocadamente nisso no momento de parcelar o dinheiro emprestado. Como nem sempre o retorno é no curto prazo, fica difícil arcar com o valor das parcelas, o que gera atraso e cobrança de juros”, diz Grecco, do Sebrae. Todo o cálculo deve ser feito minuciosamente para que o empresário evite atrasar o pagamento das prestações ou cometa um erro grave, porém, comum: fazer um financiamento para pagar outro. “Na falta de fundos para cobrir as parcelas de uma dívida o empresário deve imediatamente procurar o banco para renegociar o que foi combinado e evitar a cobrança de juros", diz Grecco.

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