Andre Lessa/Estadão
Andre Lessa/Estadão

Originalidade é a arma para o pequeno negócio crescer no concorrido mercado da moda

Pequenos empresários precisam de criatividade e improviso para superar os obstáculos ainda sem solução no segmento

Roberta Cardoso, Estadão PME,

31 de outubro de 2012 | 06h29

 Na moda, usar a criatividade é fundamental. O requisito, básico para a concepção e desenvolvimento de coleções, também tem outra função para pequenos empreendedores que decidem investir no setor: a sobrevivência de suas marcas. “O grande trunfo do estilista é usar a criatividade”, reforça Valdemar Iódice, presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest).

Estilistas à frente de empresas de pequeno porte atuam em um setor que trabalha para atender a produção em massa e, por isso mesmo, precisam buscar alternativas originais para ganhar competitividade em um segmento onde as grandes marcas já estão organizadas e amparadas por fundos de investimentos.

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“O mercado é dominado por empresas que fabricam tecidos em grande escala, como Viscolycra. Para trabalhos mais autorais faltam opções sofisticadas”, analisa Fernanda Yamamoto, dona de uma loja que leva o seu nome em São Paulo.

Uma das saídas para os donos de pequenos negócios é unir-se com outras empresas, garimpar oportunidades no setor e adaptar-se às coleções que serão produzidas. “Fazer parcerias com malharias ajuda. Isso exige esforço de ambas as partes”, afirma Fernanda Yamamoto.

Mas até nessa estratégia há problemas. “Importar, às vezes, é a única solução, mas o custo é alto e nem sempre podemos contar com o fornecimento de um mesmo tecido, o que nos obriga a fazer edições limitadas”, conclui a estilista.

E os obstáculos diários de quem atua no segmento interferem na administração dos negócios. “É frustrante e torna a vida do profissional mais complicada. Não há opções e existe demanda, existem clientes”, conta o estilista João Pimenta. Especializado em moda masculina, João sente o impacto direto da falta de preparo da indústria para atender as necessidades do mercado.

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Empresas do setor passam por ajustes

“No segmento masculino enfrento sérios problemas. Tenho que importar tecido de alfaiataria pois no Brasil a produção quase não existe”, analisa. “Isso é ruim porque além de adaptá-lo, às vezes fazendo tramas manuais, tingindo, desconstruindo tudo, não há garantia de poder dar continuidade à coleção porque não há certeza de que vou conseguir comprar o mesmo tecido novamente”, conclui.

A marca Neon, do estilista Dudu Bertholini e da modelista Rita Comparato, também trabalha nas coleções da grife por meio de parcerias com ilustradores e designers. “O que move a Neon é muito mais o amor que temos por aquilo que fazemos do que qualquer outra coisa”, explica Rita. Atrativa para investidores, a empresa ainda permanece de fora dos conglomerados que nos últimos anos adquiriram marcas nacionais com a intenção de ampliar a lucratividade.

“Já recebemos propostas e a grana que oferecem atrai. Mas mesmo com todas as dificuldades de manter uma loja, ainda acreditamos muito no que fazemos. Temos liberdade de criação e também para conduzir a marca e as coleções do nosso jeito”, revela a empresária.

Gargalos. Todas essas dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários sinalizam a necessidade de uma integração maior entre a cadeia produtiva, algo que começa a se esboçar para um futuro próximo. E ainda existe tempo para isso.

Graça Cabral, diretora de parcerias estratégicas do Grupo Luminosidade, acredita que o Brasil vive atualmente um processo de profissionalização do setor. “Estamos no 17º ano da SPFW, ou seja, um pouco mais que a metade do prazo de 30 anos que estabelecemos para o mercado brasileiro ganhar estofo e também se firmar como polo global de moda”, analisa Graça.

Para Ronaldo Fraga, a moda, não só a brasileira, passa por uma reestruturação, onde o que é único e, portanto, feito em menor escala, vira o objeto de desejo e ganha competitividade com marcas internacionais. “Depois de uma semana de moda grande, como a de Paris, em poucos dias o mercado já está preparado para fazer tudo igual. Por isso, uma coleção que explora outros elementos, como artesanato, desperta desejo”, diz.

 

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