JF Diorio/AE
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Oportunidades de negócios para atender viciados em compras coletivas

Empresários inovam para atender enorme demanda que surgiu com as vendas coletivas

naiana oscar, o estado de s.paulo,

19 de julho de 2011 | 06h48

O funcionário público Milton Barboza, de 36 anos, gastou entre janeiro e junho deste ano R$ 10 mil em cupons de sites de compra coletiva. Ele adquiriu desde revelação de fotos e uma porção de bolinhos de camarão até uma viagem para Cancún. Usuários habituais e "fanáticos" como Milton farão esse negócio movimentar em torno de R$ 1 bilhão este ano - cifra que tem hipnotizado empreendedores da internet.

Como criar novos sites de compra coletiva está mais difícil - já que existem 1,2 mil no País -, o que se vê agora é o surgimento de prestadores de serviço tanto aos clientes quanto aos sites de descontos. O pioneiro foi o SaveMe, dos publicitários Heitor Chaves, de 26 anos, e Guilherme Wroclawski, de 28. Eles criaram uma ferramenta que agrega ofertas de várias fontes.

"Nossa ideia inicial era desenvolver um site de compra coletiva, mas enquanto estávamos fazendo o nosso, surgiram outros quatro, e mais dez já estavam prontos para se lançar", lembra Heitor. "Nos colocamos na perspectiva do consumidor, que ia ter de receber e-mails de todos os sites, e criamos um lugar para facilitar a vida dele."

Os sócios começaram com sete sites cadastrados, que fizeram 20 ofertas em uma semana. Hoje, são 450 sites e 1, 6 mil ofertas. O negócio deu tão certo que o SaveMe foi comprado pelo Buscapé, gigante do varejo online.

O agrupador, que já tem uma dezena de concorrentes, virou a página inicial de Milton Barboza, morador de Florianópolis. É por meio dessa ferramenta que ele compra, diariamente, ao menos um cupom. Com tantas ofertas, faltava um lugar para organizar tudo isso. "Comecei a fazer um controle em planilhas, para não correr o risco de perder o prazo das promoções, mas estava cada vez mais difícil", conta.

Em Belo Horizonte, o publicitário André Fonseca, de 26 anos, tinha o mesmo problema. "Estava com 20 cupons e vi vários amigos perderem os seus porque esqueceram as datas de vencimento." André desenvolveu uma ferramenta que organiza os serviços comprados e alerta o usuário quando o prazo final estiver próximo. "Começou como um produto da minha agência, que acabou ganhando vida própria", diz.

O Organizaí tem 30 mil internautas cadastrados e se preparara para receber, ainda este mês, um aporte de R$ 500 mil de um fundo de investimento. A receita do site vem de publicidade e da mensalidade cobrada por serviços mais sofisticados de "organização de cupons".

Para quem compra uma oferta e descobre que não conseguirá usufruí-la, já existe no mercado o Regrupe, um "mercado livre" de cupons. O fundador Antônio Miranda participou da operação brasileira do Groupon, maior site de compra coletiva dos EUA, onde teve a ideia do negócio. "Sabia que 20% das pessoas não usavam os cupons", afirma. "Num mercado de R$ 1 bilhão, é uma parcela considerável."

O carioca Thomas Dantas se debruçou sobre os problemas enfrentados pelos sites de descontos. Desenvolvedor de páginas na internet, foi procurado por um empresário desesperado, dono de uma pizzaria no Rio, que tinha acabado de vender 41 mil cupons e não tinha estrutura para fazer a reserva dos clientes. Em três dias, Dantas criou uma ferramenta para que os clientes pudessem reservar suas mesas online, o Reserva em Casa.

A ideia deu certo e atraiu a atenção dos sites de compra coletiva, que passaram a oferecer o serviço aos anunciantes. "Já fizemos 210 mil reservas", diz Dantas, que tem o Peixe Urbano e o Groupon como clientes.

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