Tem muito investidor de bolsa, muito profissional liberal que não tinha acesso a esse mercado, diz R
Tem muito investidor de bolsa, muito profissional liberal que não tinha acesso a esse mercado, diz R

Oferta pública pela internet surge como alternativa para a falta de crédito no mercado

Modalidade equity do financiamento coletivo é opção para pequenas e médias

Renato Jakitas, O Estado de S. Paulo,

29 de abril de 2015 | 06h59

Se o formato ‘tradicional’ de financiamento coletivo de produtos inovadores demora a pegar por aqui, surge de maneira promissora uma versão da modalidade para a injeção direta de capital em micros e pequenas empresas de tecnologia, o ainda novo equity crowdfunding.

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Respaldado por uma brecha legal na instrução 400 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamenta a oferta pública de ações de empresas, o novo expediente nada mais é do que a comercialização de participações de startups por meio da internet.

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Financiamento coletivo ainda tem de provar seu valor

A ideia coloca em prática um processo que é exatamente igual ao adotado pelo Kickstarter e Catarse: o ambiente virtual reúne empreendedores interessados em lançar produtos, só que no caso do equity crowdfunding, o que está à venda são cotas do empreendimento.

A primeira empresa a provar do modelo foi justamente o primeiro site de intermediação de financiamento coletivo para startups, o Broota, lançada no ano passado por Frederico Rizzo. Ele fez uma primeira captação em junho para iniciar a operação da plataforma. Levantou R$ 200 mil em 30 dias de campanha com 30 investidores.

“Eu tinha acabado de voltar dos EUA, onde fiz um MBA e onde descobri que o Brasil tinha essa brecha legal para o equity crowdfunding. Eu estava sozinho, não tinha time, só uma ideia. Já havia procurado aceleradora, falava com investidores, muita gente não queria colocar dinheiro porque não acreditava que esse era um mercado que iria parar em pé no Brasil. Foi quando eu decidi fazer a captação por conta e provei que o modelo é possível”, conta ele.

Desde então, Rizzo já intermediou a captação de cinco empresas em seu site, mobilizando mais de R$ 1 milhão com uma comunidade de cerca de 70 investidores. Recentemente, ele promoveu uma nova rodada para sua própria empresa. A meta era alcançar R$ 500 mil e ele teve R$ 800 mil comprometidos.

“Muitos são investidores de primeira viagem em startup. Tem muito investidor de bolsa, muito profissional liberal que não tinha acesso a esse mercado de investidor-anjo”, conta.

As cotas de investimento giram em torno de um tíquete de R$ 7 mil e, na verdade, o que se compra são títulos de dívida da empresa, conversíveis em ações em um prazo estipulado pelo empresário, mas que em média giram em torno de cinco anos de prazo.

Na opinião de Flávio Picci, advogado especializado em startups, esse é um expediente de capitalização que ganha destaque, sobretudo, por conta da ressaca do investidor brasileiro com o mercado de capitais tradicional. “A gente vem de um período terrível com escândalos de Petrobrás e correlatos, que também envolveu muito as companhias abertas. E saindo do lado do mercado de capitais e indo para uma lado mais geral, tem essa desaceleração econômica. Eu vejo esse mercado como crescente. Vai demorar um bom tempo para se estabilizar, mas acho que a gente tem uma janela de oportunidades.”

“Por mais que se perceba que o governo está disposto a ter determinados investimentos em inovação, um certo nicho não está sendo assistido, seja por programas governamentais, de fomento, ou por empréstimos bancários e formas mais tradicionais de financiamento. São empresas que precisam de dinheiro e de alguma forma de divulgação. Por isso, eu acredito que esse modelo pode vir para ficar”, observa Picci.

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