Conceição Cunha, diretora da marca argentina Havanna no Brasil
Conceição Cunha, diretora da marca argentina Havanna no Brasil

O segredo para uma empresa chegar lá é, antes de tudo, ter coerência na condução do negócio

Estratégia determina o êxito das pequenas empresas e ajuda o líder em momentos de dificuldade como o atual

Estadão PME,

27 de outubro de 2015 | 07h14

Não existem segredos para transformar uma pequena empresa em uma marca admirada, inspiradora e com musculatura financeira. Quem quiser chegar lá vai precisar manter o foco na gestão, não tropeçar nos obstáculos que surgem no dia a dia e ainda inovar para ganhar competitividade em um mercado apinhado de gente.

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“Todo mundo conhece a receita do bolo. Mas poucos sabem executar (a receita). O empresário, principalmente na área de alimentação, enxerga o negócio como ‘fácil’ porque ele sabe fazer o produto, porque ‘não exige’ tecnologia e ele ‘não’ precisa se atualizar. É um grande erro pensar que você vai dar conta de tudo sem um bom planejamento”, disse Laury Roman, diretor comercial da Ofner, durante a 15ª edição do Encontro PME.

Segundo o executivo, há mais de 20 anos no cargo, o sucesso depende basicamente de organizar-se no longo prazo, algo protelado na maioria das vezes pelos empreendedores. A tese, inclusive, foi endossada por Conceição Cunha, diretora da marca argentina Havanna no Brasil. “O segredo (para o sucesso) é a coerência da empresa.

Não dá para perder de foco a essência. Para os argentinos, a Havanna é quase uma instituição nacional, ela está na identidade do país. Já no Brasil, ela significa ‘estive na Argentina e trouxe um presente’. Entender o que ela é e onde atua ajuda a manter a tradição e a confiança”, explica a executiva.

Ambos os empresários, junto com Marco Di Cunto, à frente da empresa familiar Di Cunto, fundada há 80 anos, no bairro da Mooca, em São Paulo, discutiram sobre construir marcas fortes, com longevidade, e acompanhar as evoluções não só do mercado, mas também de comportamento da sociedade.

Crise. As turbulências econômica e política que assolam o País, e como se comportar diante delas, também foram temas abordados pelos executivos. “É mais ou menos como quando a luz acaba e você não pode usar o elevador. Você tem que usar a escada, caminhar devagar, tem que subir ou descer degrau por degrau. Você tem mais atenção em tudo o que faz”, contextualiza Roman.

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De acordo com o executivo, uma pequena empresa, por incrível que pareça, está mais protegida neste momento da economia. Para ele, o simples fato de ter uma estrutura mais enxuta permite que os negócios de menor porte tenham uma ligeira vantagem. “As (empresas) pequenas são mais estáticas, lidam com uma parte operacional menor e, portanto, se envolvem menos no cenário nacional. Na crise, elas estão mais protegidas que uma grande”, disse o executivo.

Análise. O cenário, embora conturbado, não deve se transformar em um pesadelo para as pequenas e médias empresas. Ao estar mais atento aos negócios por conta da fragilidade da economia nacional, o empreendedor pode encontrar espaço, inclusive, para crescer. É o caso da Havanna no Brasil – a marca argentina já apresenta expansão de 11% em relação ao ano passado. “Nós estamos crescendo em plena crise. Mas para isso acontecer você tem que olhar o problema para encontrar oportunidades”, afirma Conceição Cunha, diretora da marca.

O modelo de franquias, adotado no fim do ano passado, ajudou a impulsionar os negócios com a abertura de novas lojas. “Para dar início a essa processo, antes erramos muito. Abrimos lojas, fechamos lojas; abrimos quiosques, fechamos quiosques; lançamos produtos que não deram certo. Para acertar, às vezes a gente tem que errar”, explicou Conceição durante o evento.

A executiva, ao relatar sua vivência, garantiu aos participantes acesso a um importante ensinamento. É preciso testar sempre e não será difícil o empreendedor errar a mão na tarefa.

Futuro. Durante o módulo final do Encontro PME, os participantes ainda discutiram sobre a necessidade da pequena empresa se planejar para enfrentar períodos de economia retraída e vencer em um mercado extremamente competitivo – a estratégia, segundo os executivos, se mostra ainda mais urgente em uma crise como a que assombra o Brasil no momento.

“A maior parte das (empresas) pequenas vê o seu caixa esvaziar quando a crise aperta e os custos de operação mudam. A energia elétrica, fundamental pra quem trabalha com alimentos, passou a custar mais de uma hora pra outra. Isso porque nesses períodos as intervenções são mais bruscas e cruéis”, refletiu Roman, da Ofner. “É nesta hora que o planejamento faz falta”, concluiu o empresário.

Foi graças aos inúmeros planejamentos feitos com atenção que a Ofner conseguiu se estabelecer ao longo das últimas seis décadas. “Por muitos anos crescemos em momentos que a economia não ia bem. Sabe por que? Porque tínhamos planejamento. Tínhamos até mais de um, em fases como a de agora, quando está difícil de enxergar o que vem pela frente”, disse Roman aos empreendedores.

Já como dica para quem está começando agora um negócio próprio, Conceição, da Havanna, disse que é importante o empreendedor fazer contas, ver o que pode enxugar de custo, onde pode inovar. “E quando falo em inovação não é inventar um doce louco, um produto novo. Falo numa coisa bem mais simples, que é saber o que as pessoas querem, o que elas gostam, como elas estão consumindo hoje”, afirmou a executiva.

A proposta, pelo menos na Havanna, está funcionando. Em períodos sazonais, como Páscoa e Natal, a empresa aposta em produtos com uma identidade mais brasileira. Mas, para isso, recebe a chancela da matriz argentina. “Temos café brasileiro nas cafeterias. A pessoa pode tomar um café que ela conhece e gosta e comer um alfajor importado, que é fabricado na argentina.” Simples assim.

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