Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

O segredo está na seleção dos parceiros, diz dono da rede Patroni Pizza

Rubens Augusto fundou a Patroni Pizza há 30 anos para ajudar o pai e hoje comanda uma rede de R$ 319 milhões

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de maio de 2014 | 06h51

O empresário Rubens Augusto Júnior tem 134 unidades em operação na rede Patroni Pizza. E mais 46 lojas para inaugurar nos próximos dois anos. Mas segundo o empresário, esse número poderia chegar a 400, caso ele não fosse tão criterioso na seleção de quem vai comandar as lojas da marca. “O grande segredo está na seleção do franqueado”, afirma.

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Para fazer parte da rede, que faturou R$ 319 milhões em 2013, não é fácil. Depois de preencher um questionário detalhado, o candidato passa por uma entrevista com todas as diretorias da empresa e ainda faz um teste psicológico para saber se ele realmente se encaixa no perfil dos melhores da rede.

Mas há um último teste e ele é com o próprio Rubens. “Eu coloco o candidato na minha sala e faço o papel de advogado do diabo. Faço de tudo para ele não comprar a franquia. Eu pergunto: ‘Você sabe que pode quebrar?’ Quem vai tomar conta, é você mesmo?’ O diretor de expansão fica doido. Alguns candidatos desistem, mas aqueles que ficam eu posso confiar.”

De acordo com o empresário, o sucesso está relacionado com a presença do franqueado na unidade. A rede tem, por exemplo, uma diretoria de operações especiais para cuidar de “lojas na UTI”, que estão com faturamento abaixo do potencial – atualmente são dez. E a causa do baixo desempenho, em 90% dos casos, é justamente a ausência do dono na loja.

Feito o trabalho de convencimento do franqueado, o faturamento sobe. Há casos em que o crescimento foi de 40% em dois meses de trabalho. “É fato. A maioria dos candidatos para abrir uma franquia acha que depois de comprar uma loja não vai precisar trabalhar, que está tudo resolvido, que a loja vai andar sozinha porque está debaixo da saia de um franqueador. Não é assim”, disse Rubens, que compartilhou suas experiências durante o Encontro PME. Confira a seguir os principais trechos do evento.

Início

Em 1984, o pai de Rubens ficou desempregado e, com depressão, sofreu um enfarte aos 50 anos. Em busca de uma solução para ajudá-lo, o empresário decidiu alugar um sobrado no bairro do Paraíso e abriu uma pizzaria. “Eu gostava de fazer pizza. Era meu hobby no fim de semana e resolvi fazer disso um negócio. Era pizza para viagem e entrega. Não tinha esse negócio de delivery”, lembrou Rubens, que fez de tudo na Patroni: do preparo até a entrega.

Com a morte do pai e do cunhado, que administravam a empresa, em 1997, Rubens precisou escolher entre o emprego na Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e a administração do negócio. Optou pelo empreendedorismo e, em 2003, já tinha nove lojas próprias, com forte atuação em shoppings.

Franquias

A pressão para franquear a marca foi do próprio mercado. Resistente no início, Rubens tinha receio de perder a padronização e não concordava com algumas metodologias de outras redes de alimentação.

“Não queria queimar o filme. Busquei equacionar todos os lados e formatei um modelo que dá mais liberdade para o franqueado”, conta Rubens. Entre as características da Patroni Pizza, Rubens destaca a liberdade para a contratação do empreiteiro que vai fazer as obras na loja e conta que os preços não são fixos (é aplicada uma tabela mínima). A empresa tem ainda uma cozinha central e representantes do proprietário fazem vistas rotineiras nas unidades para garantir a padronização.

Terras cariocas

A loja campeã de vendas da rede está localizada na Barra da Tijuca. O empresário só começou a vender franquias no Rio de Janeiro depois de testar o modelo e adaptar a operação para os costumes da cidade. Em 2005, Rubens abriu quatro lojas próprias, uma em cada região da cidade. “Isso fez toda a diferença”, destacou o empresário.

Entre as adaptações feitas nas unidades cariocas, Rubens incluiu o feijão preto no cardápio, passou a oferecer ketchup e mostarda para os clientes que pediam pizza e ainda optou por cortar a ‘redonda’ em fatias ou pedaços menores, para que o produto faça as vezes de petisco. O chope ‘garotinho’, servido em copos de 200 ml, também passou a ser vendido.

Sucessão

Rubens começou a Patroni com 25 anos de idade. E depois de 30 anos do negócio, ele começa a pensar sem muita pressa na sucessão. Hoje, o empresário quer saber mesmo é de tudo o que acontece na empresa – ele mesmo recebe os e-mails enviados para o SAC da Patroni. “Eu direciono para a área responsável, que tem no máximo dois dias para dar uma resposta.” 

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