Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

O que pequenos e médios empresários fazem a partir de agora para lucrar no Natal de 2014

Preparação do pequeno negócio é muito importante para que ele possa crescer; leia quatro boas iniciativas

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

12 de dezembro de 2013 | 06h40

A prática – e os erros e acertos que surgem dessa experiência – ensinam o comerciante a respeito da importância do planejamento a todo momento, ainda mais para o Natal.  Segundo Gustavo Carrer, consultor do Sebrae, o empreendedor tem de ficar atento às oportunidades.

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Ele ressalta que o período de compras de fim de ano, no Brasil, reúne fatores importantíssimos: a troca de presentes e a comemoração em si, o pagamento por parte das empresas do 13º salário, a chegada do verão e, ainda, as férias escolares. “É uma combinação de quatro elementos muito fortes para aumentar a demanda, tanto no comércio quanto em serviços”, afirma.

O resultado óbvio dessa combinação é mais gente na loja. E deveria ser óbvia, mas não é, a preparação do empreendedor para essa movimentação. “Ele (empresário) deve pensar desde o tamanho da equipe até a estrutura para o pagamento das compras.”

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Carrer acrescenta que esse também é um bom momento para aprimorar o cadastro de clientes. “Isso enriquece as informações para planejar as próximas datas especiais.” Leia abaixo sobre o planejamento de alguns empreendimentos.

PlaySpace - Observar é sempre bom

A Play Space, empresa que oferece entretenimento para crianças em shoppings, espera ampliar o faturamento em 30% neste período de festas. Maria Eduarda, proprietária do negócio, tem uma regrinha simples, mas ao mesmo tempo muito eficiente, para planejar as ações que vai adotar no período de festas: ela observa tudo o que acontece nos espaços mantidos pela marca. 

Segundo Maria Eduarda, a cada ano acontece um aprendizado diferente e isso ajuda o negócio. “Ano passado começamos a fantasiar os funcionários e isso deu supercerto, por isso, vamos repetir a ação neste ano”, conta a empreendedora, que mantém o negócio há 15 anos.

Aprender a atender as demandas específicas que surgem no Natal também foi resultado da observação da empreendedora e de sua equipe. “Nesse período, cresce o número de crianças que atendemos e também aumenta o tempo de permanência delas em nosso espaço, por isso, reforçamos o lanche”, afirma Maria Eduarda. A empresa revela ainda que amplia as atividades recreativas nesta época do ano e cobra dos consumidores R$ 24 a cada meia hora de serviço prestado.

O negócio administra três espaços na capital e um no ABC paulista. No ano passado, a empresa faturou R$ 2,7 milhões e pretende fechar 2013 com movimento de aproximadamente R$ 3 milhões. A empresa tem 12 funcionários por loja, mas no Natal aumenta o contingente para dar conta do movimento. A estratégia tem dado certo e há seis meses o empreendimento começou a formatar o modelo de franquias para continuar a expansão.

Coisas Criativas - Estoque na medida certa

Além de observar o funcionamento da loja, como faz Maria Eduarda, do Play Space, o empreendedor deve descobrir quais as mercadorias que mais vendem – e apostar nesses produtos no ano seguinte. Mas isso sempre levando-se em conta as mudanças de tendências e gostos do consumidor. Sidney Medeiros faz exatamente isso na Coisas Criativas, que vende artigos de decoração e presentes.

“A gente viu o que realmente vendeu mais nos outros anos e preparou um estoque mais agressivo para não perder a venda”, explica Medeiros. Esse levantamento é possível de ser feito porque a empresa tem um sistema interno que revela quais foram esses produtos preferidos do consumidor. “Com isso, conseguimos planejar melhor para o Natal”, garante o empresário, que fundou a marca em 2010. 

Outro ponto fundamental do planejamento é moldar, ao longo do ano, a estratégia de estoque da empresa. No começo, Sidney Medeiros conta que o movimento ficou acima do esperado e faltou produto. “Deixamos de ganhar de 15% a 20% de 2011 para 2012”, conta.

O portfólio de Sidney hoje tem em torno de 500 produtos. A mulher de Sidney o ajudou a começar a empresa e o casal investiu cerca de R$ 50 mil para lançar a marca. Em 2012, o negócio faturou mais de R$ 500 mil. A proposta do empreendimento é vender pela internet, que responde atualmente por 50% do faturamento atual, e por meio de um quiosque instalado no Boa Vista Shopping.

Couro & Cia - Cuidado para não exagerar

Preparar-se com antecedência é importante, mas é preciso cuidado para não exagerar. Quando a empresa atua no segmento de moda, por exemplo, antecedência demais pode ser um problema, afinal, as tendências mudam rapidamente. Esse é o principal ensinamento compartilhado por Bruno Aguiar, diretor de franquias da marca Couro & Cia. A empresa é fabricante de bolsas, acessórios e também vende sapatos.

Mas é possível planejar algumas ações. “Ano passado fizemos divulgação de produtos para 22 blogueiras e isso aumentou o número de clientes”, conta o empreendedor, filho dos fundadores da marca. “Assim que acabou essa ação, já planejamos novamente para este ano.” No caso da Couro & Cia., o planejamento é ainda mais importante por conta do modelo de franquias, escolhido pela marca para ganhar mercado.

“Você sai de um Natal já pensando no próximo.” Para ter em mãos o estoque ideal, por exemplo, cada franqueado faz seu pedido à fábrica, que fica em Fortaleza, ainda em setembro. O visual das lojas para a data também é idealizado com antecedência e, claro, padronizado – a recomendação é montar a vitrine temática em outubro. “No mundo da moda tem que sair do clichê do Papai Noel, mas tem que remeter ao Natal”, afirma Aguiar. O importante, conta ele, é estar atento ao público da marca. “No shopping, de 70% a 80% das pessoas compram por impulso. Você precisa chamar a atenção.”

Tip Top - A importância da equipe

O planejamento do Natal na Tip Top, rede especializada em roupas infantis, começa com 14 meses de antecedência, revela Daniela Venancio, gerente comercial da marca. “A gente define primeiro uma meta de vendas e depois as ações comerciais, como o brinde promocional”, diz.

Mas a estratégia não vai funcionar, Daniela tem certeza disso, sem o comprometimento da equipe de funcionários. Por isso, o investimento em treinamento é prioridade na marca. Em novembro, por exemplo, a empresa reúne os 500 funcionários das lojas para prepará-los durante um fim de semana. “Isso faz uma baita diferença”, afirma a executiva.

A capacitação desses profissionais contribui para aumentar as vendas, até mesmo, antes do Natal. Mas Daniela confirma que é o período natalino que realmente faz a diferença no resultado anual da empresa – o faturamento chega a aumentar mais de duas vezes em relação a um mês tradicional. “O dia das crianças aumenta 50%”, compara a executiva. No geral, 70% das vendas da empresa vem dos produtos feitos especialmente para bebês com até um ano de idade.

A Tip Top nasceu em São Paulo há 61 anos, mas só em 2008 começou a ter lojas próprias. Antes, a marca vendia suas peças apenas no segmento multimarcas e também em magazines. No ano em que começou com a venda direta para o consumidor, apostando no modelo de franchising para a expansão, o empreendimento faturou R$ 2,2 milhões. A previsão para 2013 é terminar com 86 lojas, sendo 8 delas próprias, e faturar algo em torno de R$ 70 milhões.

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