O que os empresários esperam do próximo ano?

O que os empresários esperam do próximo ano?

Estadão PME teve acesso exclusivo a encontro de empreendedores e conta qual a expectativa deles a respeito dos desdobramentos da crise econômica e política

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

16 de dezembro de 2015 | 06h59

Está para terminar um dos anos mais difíceis para o brasileiro nos últimos 20 anos. E vai começar outro tão difícil quanto. Se ‘crise’ foi a palavra mais evocada entre os executivos no decorrer de 2015, o ano que vem, eles esperam, não será diferente.

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Para medir a expectativa do mercado a respeito de 2016, o Estadão PME conversou, de maneira exclusiva, com nomes de destaque no cenário empreendedor local e, com raras exceções, o que se viu e ouviu foi o desânimo com relação a um período de depressão econômica e, principalmente, a incerteza causada pelos desdobramentos da crise política.

Nomes como Flávio Augusto da Silva, fundador da rede de escolas de idioma WiseUp e atual dono do clube de futebol Orlando City, nos Estados Unidos, Ozires Silva, o ex-presidente da Embraer, Arri Coser, o criador da Fogo de Chão e NB Steak, entre outros, teceram à reportagem um quadro sobre o primeiro semetre.

A opinião consensual é de que mais do que uma reviravolta de origem econômica, o País mergulhou em uma profunda crise política, que congela o apetite de risco do empresariado, cioso em manter suas conquistas, mais do que abrir novas frentes de capital.

“O processo de impeachment vai travar o País”, afirma Flávio Augusto da Silva. Essa preocupação, entretanto, não anula as movimentações do empreendedor.

Ontem, Silva anunciou a recompra da Wise Up por R$ 398 milhões – até então no portfólio da gestora de investimentos Tarpon. Ele vendeu a rede em 2013 para a Abril Educação por R$ 877 milhões.

Silva reuniu um grupo de empresários em um jantar, em meados de dezembro, onde comemorou a primeira temporada do seu site de educação empreendedora (meusucesso.com.) 

Contrário às expectativas dos técnicos do Banco Central, que preveem inflação em queda para 2016, na casa dos 6,71%, ele diz que trabalha com um cenário de preços em alta, assim como uma desvalorização contínua do real. “Eu vejo um dólar entre R$ 4,50 e R$ 5 e uma inflação lá na casa dos 13% para este ano”, afirma o empreendedor.

Líder do grupo que em 1969 promoveu a criação da Embraer, o engenheiro aeronáutico Ozires Silva é outro que insiste que a pauta política é a principal responsável por contaminar o ambiente de negócios no País. “Eu fico bastante espantado e até decepcionado com o fato de que, na verdade, essa crise econômica é um reflexo da falta de liderança política. Infelizmente eu espero um 2016 muito difícil para todos nós empreendedores”, observa ele. “Há uma carência mundial de líderes. E os empresários vão ter de, aqui no Brasil, enfrentar um período de muitas restrições”, destaca.

“Não tem mais de onde enxugar. Agora, é enfrentar o ano com o que temos”, preocupa-se Arri Coser, que em 2012 vendeu a rede Fogo de Chão para a companhia de private equity Thomas H. Lee Partners, em uma transação estimada em R$ 400 milhões, para um ano depois retornar ao mercado de alimentação fora do lar com a NB Steak – o negócio conta hoje com seis unidades, além de ter participação na rede de pizzaria Maremonti, com dez unidades.

“Eu, quando lancei a NB com a minha irmã, tinha o plano de sair logo da operação, quem sabe neste ano de 2015. Agora, com essa crise, vou ficar no mínimo mais dois anos à frente do negócio”, revela Coser. 

Para o vietnamita Thái Quang Nghiã, da Goóc, marca de calçado de borracha feito a partir de pneus, e David Pinto, da rede de franquia de reparos e reformas Doutor Resolve, a alternativa é enfrentar 2016 com espírito de sobrevivência renovado. “A gente vai reduzir bastante as metas para o ano. Este 2015 já foi complicado, mas 2016 promete ser pior”, reconhece David Pinto.

Resiliência. Já o dono da Goóc ainda luta para reviver a melhor fase à frente da empresa. Em 2006, a família simplesmente perdeu a recém-lançada fábrica de R$ 5 milhões na cidade de Brotas, no interior de São Paulo, após um incêndio. Por conta da crise, o empreendedor compreende a dificuldade em emplacar o modelo de franquias para a comercialização do produto. “Nossa aposta ainda é a comercialização de quiosques de baixo custo em pontos de grande movimentação”, conta. “Mas a gente reconhece que a economia não está favorável e não deve ficar melhor nos próximos meses”, finaliza. 

:::EXPECTATIVAS DO EMPRESARIADO:::

Crise política é o problema para 2016

O prolongamente do processo de impeachment da presidente Dilma é, neste momento, o grande receio dos empresários brasileiros. Veja os pontos a seguir. 

Política. Mais que o resultado, empresários temem que o processo de impeachment da presidente Dilma se estenda até o segundo semestre de 2016, devido ao recesso de fim de ano do Congresso.

Decisão. Para eles, o prolongamento da questão deve agravar o quadro de instabilidade do Brasil e ter consequências como a alta dos juros e uma inflação ainda maior do que a registrada neste ano.

Banco Central. A previsão dos economistas do Banco Central, divulgada no relatório Focus, no entanto, traz uma expectativa de inflação acumulada em baixa, saindo dos atuais 10,4% para 6,7% em 2016.

Câmbio. O dólar, por sua vez, deve subir, ainda segudo o relatório Focus. A expectativa é de uma taxa de câmbio, para o ano que vem, de R$ 4,20, ainda acima dos R$ 3,95 esperados para até o fim de 2015.

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