O papel das cidades na inovação e no empreendedorismo

O papel das cidades na inovação e no empreendedorismo

Juliano Seabra, da Endeavor, e Marcelo Nakagawa, do Insper, avaliam o momento das empresas nacionais

MARCO BEZZI, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2016 | 17h14

No quarto módulo do evento organizados pelo Estadão e que tratou sobre inovação no Brasil, se discutiu um pouco sobre o ranking elaborado pela Endeavor, uma entidade de apoio ao empreendedorismo, e que apontou quais são as cidades mais empreendedoras do País. Participaram da discussão Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor Brasil, e Marcelo Nakagawa, diretor de Empreendedorismo da FIAP e professor do Insper.

Durante os dois anos em que o estudo foi elaborado, a Endeavor elegeu primeiro Florianópolis, em 2014, e depois São Paulo, no ano passado, como as cidades mais empreendoras - o que também tem a ver com a capacidade desses municípios em fomentar a inovação. “São Paulo tem mais a ver com o gigantismo da cidade, onde é mais fácil obter capital, onde o dinheiro está. Mas não é uma Suíça. Ainda tem muitos problemas”, deixou claro Juliano Seabra. Já Florianópolis, de acordo com ele, “tem gente boa de negócios, uma mão de obra mais barata e formada em escolas de ponta como a (Universidade) Federal de Santa Catarina".

# Conheça o ranking das cidades mais inovadoras #

Ainda de acordo com Juliano, “proporcionalmente, Florianópolis leva vantagem" porque  "você tem uma historia de indústria de ecossistema de inovação que vem sendo fomentada há 30 anos." Para ele, Florianópolis e São Paulo são quase que complementares. “Muitos empreendedores têm inovado e construído o business em Florianópolis e vem vendê-lo em São Paulo, pois não dá para sobreviver por lá”. A população de Florianópolis é de apenas 400 mil pessoas.

História. A própria colonização de “Floripa”, segundo Nakagawa, ajudou a região prosperar. “É necessário criar a cultura do empreendedorismo, e isso demora. Lá haviam pioneiros, assim como no Vale do Silício”, compara. “Por mais que você tenha políticas públicas, é necessário criar um ecossistema colaborativo de empreendedorismo.” O papel do empreendedor bem-sucedido, que fica em casa e não impacta a sociedade, de acordo com Juliano, não deveria existir. “Mentores e empreendedores têm o papel de disseminar conhecimento.”

O desempenho de Florianópolis surpreende, mas o que chama a atenção é o bom desempenho de Vitória, no Espírito Santo. Para explicar esse desempenho - a capital capixaba ficou em terceiro lugar na última edição do levantamento, Juliano cita os sete pilares que sustentam o relatório: Ambiente Regulatório, Infraestrutura, Mercado, Acesso a Capital, Inovação, Capital Humano e Cultura. “Vitória não vinha mal em quase nenhum pilar. Ela é muito arrumada, mais constante. ‘Floripa’ e São Paulo têm calcanhares de aquiles bem mais evidentes. E em Vitoria você tem um núcleo de jovens empreendedores muito maior do que você pode imaginar. Pra você ter uma ideia, assim que recebeu a pesquisa, a cidade se debruçou no estudo, chamou a prefeitura e o governo e discutiram os sete pilares. Isso é uma organização de sociedade”, ressalta, indicando mais uma vez o papel do ecossistema. Nakagawa concorda: “Mais do que cidades é necessário existir pólos de atração. O Itaú criou um na Vila Olímpia, a Porto Seguro em Campos Elísios, o Google no Paraíso”.

Mesmo assim, Nakagawa desacredita das políticas públicas, pois ações como esta em Vitória é uma exceção. “Eu acredito nas pessoas, mas o arroz com feijão tem de ser bem feito. Se as politicas públicas não atrapalharem já está ajudando o empreendedor.”

Crise. Quando o assunto crise entra no debate, Seabra lembra de uma frase do fundador do Wall Mart, a maior cadeia de supermercados dos Estados Unidos: “A gente decidiu não participar da crise”. Ele atenta para que antes de reclamar da Dilma, do Cunha, pense se você fez tudo o que poderia ter feito como empreendedor. “Sim, a sensação da crise é terrível. Mas o empreendedor tem dois papeis: ou vai pra rua reclamar ou cuida da porta pra dentro.” “Precisamos ser mais argentinos e falar que fazemos as coisas mais incríveis do mundo. Somos muito ruins de se vender”, finaliza Nakagawa.

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