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"O mais importante quando se está construindo uma empresa é contratar boas pessoas"

Em entrevista, empresário dinamarquês Klaus Nyengaard, do site Just-Eat, fala sobre a aquisição do site RestauranteWeb e o mercado brasileiro de delivery de comida

Estadão PME,

18 de fevereiro de 2012 | 12h40

O sistema é simples. O consumidor acessa um site, coloca o seu CEP e encontra todas as opções de restaurantes que fazem entregas em sua região. A partir daí, escolhe um estabelecimento e faz o pedido pela própria internet. Depois, é só esperar a entrega da refeição. Foi a partir dessa ideia que nasceu o RestauranteWeb, site criado pelo empresário Marco Antonio Corradini, em 2003.

O modelo de negócio, no entanto, já existia na Dinamarca desde 2001, por meio do site Just-Eat, administrado pelo empresário Klaus Nyengaard. Há seis anos, a empresa começou a investir na sua expansão pelo mundo – hoje está em 16 países. Para entrar no Brasil, porém, precisou unir forças justamente com o que seria o seu maior concorrente e no ano passado anunciou uma fusão com o RestauranteWeb.

A empresa foi escolhida por ser líder brasileira no mercado, com mais de 160 mil usuários e quase mil restaurantes cadastrados. Considerado um mercado importante para a empresa dinamarquesa, a operação brasileira da Just-Eat deve receber investimento de R$ 25 milhões nos próximos cinco anos, um dos maiores já feitos pela empresa em um país.

Em entrevista ao Estadão PME, o CEO da empresa, Klaus Nyengaard, fala sobre essa aquisição, os planos da empresa para o futuro, o mercado brasileiro de delivery de comida e sobre empreendedorismo. Confira os principais trechos.

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Por que você escolheu investir no RestauranteWeb?

Para nós, o Brasil está entre os 20 países mais interessantes do mundo. Quando decidimos iniciar uma operação no País, logo conversamos com os fundadores do site RestauranteWeb porque é o maior negócio do gênero no Brasil e os donos conheciam a indústria local muito bem.  Centenas de restaurantes tiveram boas experiências com o site, eles tinham mais usuários do que qualquer outro concorrente, então, fez parte do processo conversar com eles. Demorou um pouco até fecharmos a aquisição, mas estamos muito felizes que deu certo.

Qual a importância da operação brasileira para a empresa?

O Brasil ainda é um mercado incipiente para o delivery de comida. A aquisição do RestauranteWeb foi importante e agora queremos tirar o melhor proveito dela e realizar o maior investimento já feito entre todas as aquisições já realizadas pela Just-Eat, especialmente em vendas e marketing.

Que tipo de adaptações serão feitas no negócio a partir dessa aquisição?

No longo prazo, queremos trocar a plataforma que estamos usando na maioria dos países, provavelmente em 2013, com inúmeras vantagens para consumidores e restaurantes. Antes da nova plataforma, vamos lançar o nosso terminal, um pequeno computador que será colocado na cozinha dos restaurantes, a partir do qual os estabelecimentos conveniados vão receber os pedidos feitos diretamente do site e não mais por fax, por exemplo. Além da tecnologia, vamos investir também na estrutura da empresa. Quando compramos o RestauranteWeb, a empresa tinha dez funcionários. Hoje tem 50. E temos a intenção de contratar mais pessoas no futuro

Na época da fusão, você declarou que a aquisição feita no Brasil foi complexa. Qual o motivo?

O País é muito grande e não conseguimos fechar negócio com restaurantes de outros estados se ficarmos com uma sede apenas em São Paulo. Nós precisamos ter operações em todas as cidades, o que deve demorar alguns anos. Nosso objetivo é que a operação brasileira se torne muito grande.

Como esse modelo de negócio funciona em outros países?

O modelo básico é o mesmo. Nós atendemos aos consumidores famintos, que pagam por seu pedido feito pela internet o mesmo preço que pagariam no restaurante, e em troca dessa intermediação o restaurante nos paga uma comissão. Já o modo de entrega varia muito de acordo com a cultura de cada local. Em Muambai (Índia), por exemplo, os restaurantes cozinham uma quantidade determinada de comida e quando acaba, eles fecham o restaurante.

De onde veio a ideia de criar o Just-Eat?

A empresa foi criada por Christian Frismodt, um ex-funcionário da Coca-Cola na Dinamarca, em 2001. A partir de 2006, ele começou a investir na internacionalização do negócio. Eu entrei na empresa em 2008, trabalhei no desenvolvimento de um novo plano de negócios, aumentei a ambição e assim expandimos a empresa para 16 países.

Antes de se tornar CEO da Just-Eat você teve um negócio próprio pensando na popularização dos smartphones. Apesar de ser pioneira no mercado, por que a empresa não deu certo?

Depois que me formei em 1997, comecei a trabalhar com a internet. Em 2000, junto com dois amigos, criamos uma nova empresa com a ideia de nos beneficiar do crescimento do mercado de mobile com a popularização dos smartphones. Resolvemos criar a empresa do futuro, pronta para a próxima onda.  Uma das maneiras de fazer isso era criar um portfólio grande de softwares para PDAs, que em dois a três anos seriam adaptados para smartphones. Foi uma ideia muito boa na época e tivemos um feedback sensacional dos investidores, mas três problemas atrapalharam o futuro da empresa. O primeiro é que a tecnologia 3G demorou mais do que o esperado para ganhar força no mercado, o que só aconteceu em 2007, depois houve a bolha da internet em que todas as empresas do setor não conseguiram se financiar e isso nos deixou sem dinheiro. E nós criamos a empresa fazendo apenas planejamento de curto prazo, o que é um erro para um negócio em estágio inicial. Nós tínhamos um bom portfólio de produtos, mas planejamos de forma errada.  

Como é o mercado para quem quer abrir uma empresa na Dinamarca? Você consegue comparar com o Brasil?

É muito fácil. Você consegue ter seu próprio negócio em, no máximo, 48 horas. Mas na  Dinamarca nós temos um problema muito comum em outros países que é o fato de o investidor ter medo de assumir muitos riscos para investir em empresas em estágio inicial.  No Brasil eu sei que a legislação pode ser muito difícil. Um dos maiores desafios para os novos investidores no País não é abrir a empresa, mas atrair talentos, porque a economia brasileira está crescendo muito, apenas empresas domésticas estão contratando e agora temos algumas internacionais olhando para o Brasil, mas não encontramos pessoas com o perfil que procuramos.

Que conselho você daria aos empreendedores brasileiros?

O mais importante quando se está construindo uma empresa é contratar boas pessoas.

Você planeja investir em outros países da América Latina?

O Brasil é de longe o maior mercado da América Latina.  Nós temos outros planos, sim,  mas nosso principal foco é no Brasil.

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