Werther Santana/Estadão PME
Werther Santana/Estadão PME

O desafio de empreender com brinquedos de madeira

Empreendedores querem deixar para trás estigma de produto pedagógico e assim desenvolverem um segmento lucrativo

Gisele Tamamar, Estadão PME,

29 de novembro de 2014 | 08h01

A história de que brinquedo feito em madeira é apenas para uso pedagógico está ultrapassada. Mas muitas pessoas ainda pensam assim e, por isso mesmo, mudar essa percepção é um dos desafios de quem trabalha com o produto no Brasil. O mercado tem potencia para crescer, mas as barreiras são igualmente desafiadoras.

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O idealizador da Kitopeq, Achilles Simioni, por exemplo, busca se diferenciar dos concorrentes. Formado em design de produtos, ele sempre teve o desejo de trabalhar com brinquedos. Com filhos pequenos, a vontade finalmente começou a se concretizar. “Desenvolvi um bonequinho que serviu de base para todas as outras peças”, conta Simioni, que criou uma película com decalque para estampar as peças produzidas.

Atualmente, a Kitopeq trabalha com 30 produtos e está presente em mais de 100 pontos de venda. “Acho que tem espaço para tudo: videogame, brinquedo de plástico, de madeira. Lidar com diversos universos amplia a criatividade. A madeira é interessante: a criança conhecer o processo, a montagem, pegar a madeira. É um material que está presente na natureza”, conta o empresário, que prevê faturar R$ 180 mil este ano.

Quem pretende investir no segmento, entretanto, precisa saber que vai enfrentar desafios. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) apontam que as vendas dos itens de madeira representaram apenas 4,4% do faturamento do setor no ano passado, com previsão para 3,1% este ano. De acordo com o presidente da associação, Synésio Batista da Costa, esse tipo de brinquedo raramente é oferecido pelas grandes lojas, o que dificulta sua popularização.

Mas o diretor comercial da Semaan, Marcelo Mouawad, quer mudar essa situação. Com atuação por meio de lojas e na distribuição de produtos, o empresário resolveu lançar uma marca própria de brinquedos ecológicos chamada Turma Guará. Os primeiros oito itens, feitos com madeira de reflorestamento, foram lançados em abril.

“Identificamos uma falta no mercado de produtos de madeira, com preço acessível e visual atraente, para competir com os outros brinquedos na prateleira”, conta. Segundo Mouawad, em geral, esses itens ficam restritos às lojas de produtos educativos e a ideia é, justamente, tentar entrar nos grandes comércios. O desafio é lançar mais produtos para montar um espaço próprio nesse tipo de estabelecimento. “É prioridade para 2015. Não é fácil, mas não vamos jogar a toalha”, diz.

O empresário André Augusto Moreira é outro que acredita no setor. Ele criou a Artyara há dez anos com a mãe, Yara, e cresce entre 5% e 7% todos os anos. Quando trabalhava como assistente financeiro, Moreira começou a produzir peças apenas como hobby, mas o passatempo tornou-se mais rentável que o emprego e ele resolveu apostar no empreendedorismo.

“A filosofia que minha mãe utilizava era a de que ninguém quebra o que constrói. Então ela sempre fazia com que a gente construísse o próprio brinquedo, pintasse ou personalizasse. Eu carreguei isso comigo e aplico na empresa”, lembra. O primeiro lançamento foi um avião de madeira para a criança justamente montar e pintar. Hoje o negócio ainda vende robôs e uma linha chamada ‘amigos quadradinhos’.

Recentemente, a empresa produziu uma linha de brinquedos de corda com movimentos. O primeiro lote, com 5 mil peças, já foi todo comercializado para 260 pontos de vendas. “É um mercado restrito, mas promissor. Você precisa se manter atualizado e acompanhar as mudanças que acontecem”, afirma Moreira, que produz uma média de 5 mil itens por mês.

Online. A procura por brinquedos de madeira para comprar quando estavam ‘grávidos’, como costumam lembrar, fez Emanuelle Silva e Fábio Andrade encontrarem um segmento para investir. “Não tivemos facilidade. É um nicho em potencial porque quando você acha tem pouca quantidade ou, às vezes, os preços são muito altos”, analisa Andrade.

O site Meu Brinquedo de Madeira entrou em operação em maio deste ano com investimento de apenas R$ 10 mil. Inicialmente, são vendidos produtos de oito empresas, mas a intenção é aumentar a variedade e as parcerias. “Queremos nos tornar referência na venda de brinquedos de madeira. Ainda é preciso quebrar uma cultura.” 

:: Conheça o que pode destacar a sua marca ::

Inovação

É preciso se diferenciar. Empresários investem em design, peças coloridas e chamativas e até com movimento despertam o interesse do cliente.

Embalagem

O produto precisa chamar a atenção no ponto de venda e uma embalagem bem feita ajuda o brinquedo a se destacar nas prateleiras das lojas.

Planejamento

Por se tratar de um produto sazonal, o empresário deve se planejar para enfrentar períodos de aquecimento e também de queda nas vendas.

Diversificação

Ter uma linha de produtos ajuda no fortalecimento da marca e também a consolidar um espaço no ponto de venda para um grupo de brinquedos.

Atualização

Empresário deve acompanhar as mudanças no mercado na hora de lançar e divulgar produtos. Faça pesquisas constantemente.

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