Salim participou da 14ª edição do Encontro PME
Salim participou da 14ª edição do Encontro PME

O desabafo do controlador do Outback: a gente está apavorado pelo tamanho da encrenca ética

Salim Maroun participou da 14ª edição do Encontro PME ao lado de Mario Chady, do Grupo Trigo

ESTADÃO PME,

19 de agosto de 2015 | 07h02

Em tempos de retração econômica, cortar custos torna-se uma preocupação constante na vida do empresário e, no segmento da alimentação, a tentação por buscar ingredientes mais baratos é grande. Mas o risco de interferir na qualidade do produto, que na maioria dos casos garante a fidelização do cliente, é ainda maior. Por isso, a opinião de Salim Maroun, CEO da Bloomin’ Brands (restaurantes Outback e Abbraccio), e Mario Chady, fundador do Grupo Trigo (marcas Spoleto, Domino’s e Koni), é a mesma: buscar alternativas é algo fundamental para o empreendedor atualmente, entretanto, o produto deve permanecer como algo intocável. 

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Regras 

Para Maroun, essa é a primeira regra. “Em 19 anos, nunca tirei uma grama da carne ou diminuí a qualidade. Existem outras alternativas para viabilizar o negócio”, disse o empresário durante o terceiro módulo do encontro. Como alternativa, ele cita o uso do Skype para comunicação dentro da empresa ou, até mesmo, descobrir qual é o horário correto para ligar os equipamentos a fim de economizar energia. “Essas medidas não têm nada a ver com o produto”, pontuou Maroun, que ainda destacou a importância de evitar o desperdício dos alimentos, algo que ele ainda considera comum no Brasil.

Já no Grupo Trigo, a cultura voltada para o ponto de venda é valorizada ainda mais em períodos de retração. “Do ponto de vista de economia na loja a gente não fez nada. Mas prestamos muita atenção na estrutura. Nosso negócio está na loja”, garantiu Mario Chady.  

Ética 

Além da retração econômica, a crise ética também fez parte do debate entre os empresários. Ambos defenderam que pequenos atos, quando somados, podem transformar o País para melhor. “A gente está apavorado pelo tamanho da encrenca ética que temos”, afirmou Maroun. “A gente faz o dever de casa todo santo dia, sempre dentro da ética. No segundo dia, pegamos o jornal e vemos que o outro lado não está fazendo a parte dele”, completou o empreendedor.

Com uma equipe de 10 mil colaboradores, Maroun disse que o seu time é um “pequeno Brasil” – o objetivo do negócio, segundo o empresário, deve ser o mesmo que ele espera do País. “Cada um faz o dever de casa em um pequeno oásis. Se cada um fizer a sua parte, a soma é um País bom.” 

Chady pontuou que o momento é realmente difícil e merece atenção, mas ele defendeu que é preciso pensar no longo prazo. Questionado se esta seria uma boa hora para empreender, Maroun respondeu contando a sua própria história. Ele desembarcou no Brasil em 1988, sem dominar o idioma e sem dinheiro – um amigo lhe daria, em suas próprias palavras, o ‘presente’ de abrir a primeira loja do McDonald’s na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. “Você tem que achar soluções. Se você preserva a ética, você faz sucesso.”

 

Pessoas 

Outra dica para superar a crise é apostar no funcionário, que na Bloomin’ Brands é chamado de colaborador. “Quando contratava alguém para lavar a louça, olhava bem nos olhos para ver se estava vendo o sócio de amanhã”, disse Maroun. Já no Grupo Trigo, a manutenção da qualidade também se dá a partir da escolha dos franqueados, que segundo Chady é muito rígida. “A gente tem que ter certeza que ele está sonhando o sonho certo dele”, afirmou.

 

Panorama 

Apesar da desaceleração do consumo, os grupos liderados por Maroun e Chady planejam aumento médio de 20% em unidades abertas no País. “Entendemos que o brasileiro gosta de novidades, de um ambiente aconchegante, mas ao mesmo tempo elegante”, defendeu o CEO da Bloomin’.

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