Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

"O cliente direciona a sua empresa", diz fundador da rede Multicoisas

Desde o início da rede Multicoisas, Lindolfo Martin prioriza uma relação bem próxima com os consumidores

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

21 de dezembro de 2012 | 08h03

O varejo faz parte da vida de Lindolfo Martin desde a infância. Com avós e pais comerciantes, o empresário manteve a tradição e criou a rede Multicoisas, especializada em utilidades – desde parafusos até artigos para cozinha. Mas para a empresa evoluir por meio de franquias, Martin precisou mudar suas premissas.

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“Nosso negócio era ganhar dinheiro vendendo coisas. Mas um dia pensei: ‘meu negócio não é vender produto, é vender serviço, vender um conceito’. Eu tive que dar uma volta na cabeça”, afirmou o empreendedor. Apesar da mudança, uma ideia se manteve intacta. É o cliente quem direciona o negócio.

Na rede de Martin, o consumidor tem prioridade. “O segredo não é ter novos clientes, é manter os que você já tem. Eu sempre mantive um relacionamento de extrema proximidade com eles. Mas não adianta o dono ter esse gosto e os funcionários não reproduzirem esses valores.”

A preocupação com o consumidor existe desde que ele e sua esposa, Elza, mudaram-se de Maringá, no Paraná, para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Era 1978. Na época, o casal abriu a loja Multicasa, especializada em vender materiais elétricos e também hidráulicos.

“Trabalhando com meu pai, eu vi que na empresa da família não poderia realizar minhas ideias, meus sonhos, meus ideais. Com 26 anos, propus que ele me emprestasse um pequeno capital, o valor de um Fusca, para eu me aventurar e fazer o meu negócio”, lembra o empreendedor de sucesso.

A ideia da Multicoisas surgiu em 1984. “Pensei em fazer uma loja de produtos de pouco valor, que normalmente são insignificantes para outros comércios.” Martin contou essa e outras histórias durante o Encontro PME com pequenos empresários. Confira os principais trechos. 

Decisão

Para aqueles que estão na dúvida se começam um negócio, o empresário aconselha uma avaliação. Segundo ele, às vezes, não é ruim ser empregado, com um fim de semana tranquilo e tempo para a família. “Essa ideia que só empreendedor é feliz é errada. Para dar certo, é preciso ter vocação. A crença no negócio tem de ser tão forte quanto a sorte.”

Inspiração

A escolha do nome da empresa veio por acaso, quando Martin assistia o desenho os Impossíveis. “Estava assistindo o desenho, tinha o Homem-mola, o Homem-fluído e o Multi-homem. Aí surgiu a Multicasa e depois, a Multicoisas”, contou.

Pergunta

Na avaliação do empresário, o sistema de franquia passa hoje por um excesso de otimismo. Isso porque a primeira pergunta que o interessado em abrir uma franquia faz a Martin é sempre a mesma. Qual o retorno sobre o investimento? “As pessoas se chocam com a resposta: de três a cinco anos ou nunca. Você quer? Vamos fazer de tudo para dar certo. Mas não posso validar o retorno. Existe um risco, dá trabalho e tem seu preço.”

Franquia

Para quem está interessado em abrir uma franquia da Multicoisas, Martin dá a dica: ele está em busca de valores e prioriza investidores com capital próprio para o negócio. “Quando o capital é de terceiros, parece que o franqueado não terá a mesma garra para fazer acontecer”, afirmou o empresário.

Para quem planeja transformar sua marca em franquia, o empresário aconselha testar a realidade do franqueado – abrir uma conta bancária independente, simular o pagamento de royalties, cumprir com todas as obrigações do franqueado. Outra dica é participar de feiras do segmento. “No início, era eu quem fazia a feira, que ia ver o ponto, eu quem ajudava a fazer a loja e o projeto do layout”, lembrou o empreendedor. 

Família

A sucessão é um tema sempre em discussão na vida do empreendedor, que tem dois filhos trabalhando no negócio. “O pecado mortal de uma empresa familiar é quando você coloca uma pessoa para fazer aquilo que ela não quer. É preciso ter um movimento interno para que ela seja feliz em outra coisa. Se o líder não conduzir esse processo, ele vai fazer um filho infeliz e ter uma empresa com problema.”

Sociedade

A relação do empresário e sua esposa, Elza, não está restrita ao casamento. Os dois são sócios desde o início dos negócios. “Durante um ano e meio era só eu e ela na loja”, lembra Lindolfo Martin. Elza é a atual presidente da rede. “Percebi que ela tinha um dom. Ela é mais racional e eu sou mais emocional no fazer, no decidir. E no mundo dos negócios você precisa ser um pouco duro.” 

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:: Veja o vídeo com Lindolfo Martin ::

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