Novos modelos para novos tempos

Maure Pessanha, da Artemisia, e Ricardo Mastroti, da Bemtevi, falam dos desafios de empresas que procuram lucrar e causar impacto social positivo

Felipe Tringoni, especial para, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2017 | 07h45

Mais do que qualquer outro empreendedor, aquele que trabalha com negócios de impacto social tem na resiliência sua principal característica. O debate a respeito de como empresas podem ser lucrativas e gerar transformação socioambiental tem ganhado força no Brasil, mas esse ecossistema ainda carece de investimento e diversidade. A opinião foi compartilhada por Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, e Ricardo Mastroti, cofundador da Bemtevi, em debate realizado durante a Semana Pró-PME.

 

Representantes de duas organizações que fazem a intermediação de oferta e demanda de capital nesse segmento, ambos lidam diretamente com empreendimentos que nascem para resolver problemas estruturais com gestão e profissionalismo. "Um negócio social deve ser lucrativo, parar em pé", afirma Mastroti.

 

"Nosso objetivo é identificar empreendedores de mente híbrida e apoiá-los no estágio inicial", diz Maure. “A Artemisia prepara o terreno para que organizações atuem na captação de recursos para essas empresas”, acrescenta.

 

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Por sua vez, a Bemtevi funciona como fundo de investimentos, segundo seu idealizador. "Buscamos recursos com investidores que querem causar esse tipo de impacto. A ideia é receber de volta os valores aplicados após um período de quatro anos, deixando a empresa incentivada pronta para lucrar e gerar mudança."

 

Cidadania. Empresas que procuram agregar valor à sociedade encontram espaços para inovação em um mercado cada vez mais interessado em temas como educação, saúde e habitação. Segundo a plataforma Pipe.Social, 38% das empresas participantes de seu recente mapeamento têm o ensino como foco de atuação.

 

Também têm destaque, entre os 579 negócios pesquisados, iniciativas em tecnologias verdes (23%), cidadania (12%), saúde (10%), finanças sociais (9%) e cidades (8%).

 

Transitando por essas áreas, o Programa Vivenda foi o exemplo citado por Maure durante o debate na Semana Pró-PME. A empresa passou por uma aceleração da Artemisia e realiza reformas de baixo custo no Jardim Ibirapuera (Zona Sul) e no Jardim Lapena (Zona Leste).

 

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Por sua vez, Mastroti lembrou da Pano Social, confecção e marca que produz camisetas, ecobags e aventais com algodão orgânico e tingimento natural, além de incluir egressos do sistema prisional entre seus funcionários.

 

Resposta. Para além da disputa de mercado – 85% da população brasileira é formada pelas classes C, D e E –, o caminho do impacto social emerge como tendência do empreendedorismo em resposta à situação econômica. "A crise leva à procura de caminhos diferentes dos que deram errado", opina o cofundador da Bemtevi.

 

Ele identifica três fatores principais no desenvolvimento desse ecossistema: a dimensão de problemas socioambientais; o progresso do chamado "setor 2 e meio", no qual "une-se o que há de melhor do segundo e do terceiro setor"; e a nova mentalidade das gerações ingressando no mercado, que procuram "trabalhar com um propósito, unindo motivações pessoais e profissionais".

 

Mastroti opina: "Da mesma forma que estamos no debate, é importante que Sebrae, aceleradoras e investidores também comecem a falar de empreendedorismo, vírgula, e não de empreendedorismo, ponto."

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